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Já não basta a Síria?

por Pedro Silva, em 31.01.19

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Tal como receava, a Venezuela caminha a passos largos para ser a reedição do sucedido na América Latina nos, não muitos distantes, anos do século XX. A Guerra Fria foi propicia na proliferação de conflitos armados e no aparecimento de regimes ditatoriais que se apoiavam, de uma forma directa ou indirecta, na ideologia de cada uma das Grandes Potências que quase conduziram um Mundo bipolarizado à sua destruição. Passados estes anos todos o cenário repete-se quando tudo parecia fazer crer que as forças extremistas estavam, aos poucos, a perder força e em total descrédito na América Latina.

 

Com a ingerência dos Estados Unidos da América na questão venezuelana (ingerência esta que nada tem de humanitária e muito menos de democrática) seguida, mesmo que de forma algo tímida pela União Europeia, seguiu-se a esperada resposta do bloco Rússia/China que apoiam militar e financeiramente o regime de Nicólas Maduro. O normal dado que já todos sabemos – ou pelo menos já deveríamos saber – como se “joga” o xadrez da geopolítica.

 

Tudo isto é, a meu ver, uma situação desnecessária que , mais cedo do que tarde, irá culminar numa escalada de violência numa zona do globo onde a Paz foi recentemente alcançada. A Colômbia, país que faz fronteira com a Venezuela, viveu durante décadas um conflito armado violento e complexo com as Forças Revolucionárias. Tratou-se de um conflito que tinha questões sociais inerentes tal como o tráfico de droga onde os Estados Unidos da América intervieram, de forma directa e/ou indirecta, contribuindo, desta forma, para que este mesmo conflito se arrastasse no tempo com o pesado encargo que tal teve em Vidas Humanas (e não só).

 

Face a tal e ao que a história recente já nos mostrou, já não chega e basta a tremenda trapalhada que está a viver na Síria?

 

Por falar em trapalhadas…

 

Theresa May continua a sua demanda em busca do Santo Graal que conduza o Reino Unido ao tão desejado paraíso liberal onde os britânicos (ou será que são antes ingleses?) ditam o destino da ilha em que vivem.

 

Sinceramente não estava à espera de uma trapalhada tão grande como a que o Parlamento inglês criou recentemente. E logo tal oriundo de um local que até ao dia de ontem primava oela intransigência da parte do Partido Conservador porque não havia nenhuma alternativa viável ao acordo negociado com a União Europeia…

 

O que eu também não estava à espera era que no «Labour» um grupo Deputados colocasse Corbyn em xeque ao ameaçar com demissão caso o Reino Unido deixe a União Europeia sem acordo…

 

Já diz Obelix – famosa personagem da banda desenhada – que, passo a citar, “os romanos são loucos”. Meu caro Obelix, eu diria antes que loucos são os Bretões. A prova está à vista de todos!

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (30/01/2019)

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publicado às 17:36


Xeque-mate?

por Pedro Silva, em 16.01.19

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Chegou o dia em que a Europa e o Mundo assistem a uma transformação que, para o bem e para o mal, poderá vir a acabar mal para todos os envolvidos na dita. Com o «Brexit» a ter aquilo que me apraz apelidar de “drama shakespeariano”, eis que temos a Europa dos burocratas a dar o dito por não dito ao passar a ideia de que irá permitir o alargamento do prazo da saída do Reino Unido do espaço europeu. Tal forma de estar por parte desta Europa em ano de eleições europeias (bem sei que valem o que valem) pode vir a ter um elevado custo. Especialmente se tivermos em linha de conta que irão concorrer ao Parlamento Europeu forças anti europeias que se vão apoiar no mais do que provável dito por não dito para fazerem valer os seus argumentos.

 

Sempre o disse e mantenho, o «Brexit» é uma faca de dois gumes. É uma faca que vai, com toda a certeza, provocar um golpe profundo no Reino Unido e na Europa dos burocratas que, quer goste ou não, vai ter de novo o “monstro” das regiões separatistas a rondar e a ameaçar a sua “união” dado que não estou em crer que tanto a Escócia como a Irlanda do Norte partilhem do famoso espirito inglês do “Keep Calm and Carry On”.

 

Tudo isto explica – e muito! – a razão pela qual os burocratas de Bruxelas começam a fomentar a possível (e mais do que provável) ideia do alargamento do prazo do «Brexit». Especialmente se tiver em linha de conta que a oposição a May é favorável à feitura de um novo Referendo cujo referendo volte a ditar uma mais do que provável colocação do Reino Unido na União Europeia. Isto se deixarmos de lado, ora pois, as melindrosas e nada transparentes questões financeiras sobre as quais ninguém se atreve a falar, analisar e opinar.

 

Vamos a ver o que isto dará até porque por esta altura em que escrevo este texto os deputados britânicos preparam (espero eu) a saída forçada de uma personagem que nunca deveria ter assumido o papel de Primeira-Ministra. Especialmente sabendo que a sua governação iria ter de lidar com um problema cobardemente criado pelo seu antecessor e alimentado por uma fé imaginária e fantasiosa num “Império” que já não existe.

 

Do outro lado do atlântico…

 

Do outro lado do atlântico - no dito Mundo novo – Donald Trump continua a sua demanda na defesa de uma birra eleitoral que custa a qualquer um de nós (europeus) entender. Já aos norte-americanos acredito que não seja assim tão complicado até porque Trump é o espelho perfeito do norte-americano da classe média/alta.

 

Como vai a birra terminar não sei. O que sei é que cada Povo tem os governantes que merece. Daí não ter assim muita pena dos Funcionários Públicos que devido à birra de Trump não recebem o que lhes é justamente devido pelo seu trabalho.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra  (15/01/2019)

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publicado às 17:07


Sacudindo a água do capote

por Pedro Silva, em 27.11.18

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Face às recentes notícias, o «Brexit» parece ser cada vez mais um facto. É verdade que poderão ainda existir meios legais e políticos que possam atrasar ou, inclusive, até mesmo impedir que a saída do Reino Unido da União Europeia seja uma realidade, mas estou em crer que o «Brexit» vá mesmo ser uma realidade com a qual todos nós teremos de lidar. Isto, repito, face ao que tem sido amplamente noticiado nos últimos tempos.

 

Tudo isto é, sem sombra de dúvida, uma péssima noticia para todas as partes envolvidas no processo. É uma má notícia para Inglaterra/Escócia/Gales/Irlanda do Norte porque se vão aventurar num profundo desconhecido comercial e económico-financeiro (de nada servem os recentes apelos de Theresa May para que as “colónias” australiana e indiana “salvem a honra do convento”) e é também uma terrível noticia para os europeus que terão de lidar com a saída de uma dos maiores contribuintes da União Europeia onde, por mero acaso, se localizam muitos dos grandes interesses financeiros do Velho Continente.

 

Ora face a tal penso ser pertinente uma profunda reflexão sobre o que colocou a Europa e o Reino Unido nesta situação. E esta reflexão não pode passar nem deve passar – nunca – pelo famoso sacudir a água do capote que muitos agentes políticos levaram a cabo. Espacialmente em Portugal dado que o PSD de Rui Rio assume publicamente que problemática é a consequência de uma decisão soberana dos britânicos deixando de lado (se calhar por conveniência, digo eu) tudo o resto.

 

Não estou com isto a dizer que a forma como o PSD (e outros partidos da direita europeia) olham para o problema está completamente errada. Em parte até que tem a sua razão. Mas não convêm descurar o resto. E aqui por “resto” não se entenda as famosas «fake news» e outras coisas tais que servem de desculpa para tudo o que de mau a Democracia produz. O tal “resto” a que me refiro é a política autoritária de austeridade cega que a Europa seguiu nos últimos anos. Foi esta mesma política que colocou os Povos do Norte da Europa contra os Povos do Sul da Europa e que fez renascer os famosos estereótipos que “rasgam” a Europa- Tal aliado às consequências da desastrosa “Primavera Árabe” criou a “tempestade perfeita” que fez com que o «Brexit» viesse a ser uma realidade.

 

È por tudo isto - e pelos tremendos desafios que o «Brexit» vai colocar a ambos os lados – que este sacudir a água do capote por parte de alguns agentes políticos com responsabilidades acrescidas pode vir a ser tremendamente perigoso. Convêm recordar os mais “distraídos” que as “feridas” abertas pela postura tresloucada dos últimos tempos do Eurogrupo ainda estão bem abertas e não faltam por esta Europa fora movimentos populistas que se vão aproveitar de tal para, desta forma, poderem chegar ao Poder e colocar – ainda mais – em xeque todo o projecto europeu.

 

Hoje, mais do que nunca, é necessário fazer-se uma profunda reflexão sobre a Europa e não sacudir a água do capote como se tem feito nos últimos tempos numa Europa onde o “Centrão” tem procurado destruir uma harmonia que foi tão difícil de conquistar após duas grandes guerras-

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (27/11/2018)

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publicado às 21:30


A história não se repete?

por Pedro Silva, em 16.04.18

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José Pacheco Pereira, conhecido historiador e comentador político da nossa Praça, disse publicamente que a história nunca se repete. Ora face ao que aconteceu recentemente na Síria, apetece-me perguntar a Pacheco Pereira se acredita mesmo que a história nunca se repete.

 

E coloco tal questão porque a forma como França. Estados Unidos da América e Inglaterra resolveram intervir numa questão grave (suposta utilização de armas químicas na Síria), cujos factos estão (e se calhar continuarão) por provar, faz recordar os sórdidos tempos em que um conjunto de aliados resolveu levar a cabo a invasão unilateral de um Estado soberano sob o pretexto de uma ameaça que o Mundo veio a saber - muito mais tarde - que não passava da criativa imaginação de um programador de simuladores de guerra.

 

A pequena grande diferença entre o sucedido no Iraque no passado e com a Síria no presente não é aquela ideia de que “só fomos ali dar umas bastonadas à malta para impor a ordem e nada mais”. Esta foi a mensagem que Emmanuel Macron, actual Presidente francês, fez passar e que a Comunicação Social e um vasto número de comentadores fizeram eco naquela de que “uma mentira contada muitas vezes se torna verdade”.

 

Macron deveria saber que tudo o que diz e faz se deve pautar pela extrema cautela e responsabilidade. Mas não o fez e, pelos vistos, este terá, inclusive, sido o orgulhoso autor moral de um ataque unilateral ao território sírio feito à revelia de toda e qualquer legislação internacional com base no famoso pretexto do “porque sim”.

 

Acredito que esta postura de Macron se tenha devido - talvez – ao facto de este ter faltado às aulas de História em que os alunos e alunas aprendem que a Síria já deixou de ser uma colónia francesa há umas largas décadas. Mas o Presidente francês está ainda a tempo de aprender que a França já não tem um vasto império colonial (tal como a Inglaterra) e que os Estados Unidos da América não são os “Donos disto Tudo”.

 

Voltando “à vaca fria”, bem vistas as coisas, o pretexto e Modus Operandi (MO) deste perigoso e populista “trio” de líderes ocidentais (Macron, May e Trump) é exactamente o mesmo dos aliados de 2003 até porque, salvo prova em contrário, ainda não se sabe quem foi que lançou o suposto ataque químico numa cidade e região que as tropas de Bashar al-Assad tinham acabado de libertar das mãos das forças rebeldes.

 

Dito de uma forma mais simplista, o que aconteceu na Síria em 2018 foi, sem tirar nem por, o mesmo que aconteceu no Iraque em 2003.

 

Portanto, ao contrário do que diz Pacheco Pereira, a história repete-se. O que não se repete são as consequências da sua repetição.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra

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publicado às 21:30


Cortinas de fumo

por Pedro Silva, em 03.04.18

imagem crónica RS.jpg 

Há um assunto que parece ter passado – muito – ao lado da Comunicação Social e demais comentadores. O Reino Unido e a União Europeia já chegaram a acordo sobre os variadíssimos pontos do Brexit. Agora resta ao Parlamento Europeu a análise do documento e votar a favor ou contra o dito. Este seria um tema que, na minha opinião, deveria ter merecido um largo e extenso debate por esta Europa fora. E não é necessário ser-se um licenciado em Ciência Política para se perceber porquê razão afirmo tal. Contudo o assunto que dominou os jornais e televisões de toda uma Europa foi o caso Skrypal. Um não assunto que, na minha modesta opinião, serviu para que não se falasse mais do Brexit nem daquilo que poderá ter sido (ou não) acordado entre as partes envolvidas na sua negociação.

 

E porque razão considero o caso Skrypal um não assunto? Simples. Para mim aquela tese de quem acusa, prova é uma regra de ouro para a qual não admito qualquer tipo de execpção. A verdade é que a Inglaterra da Sra. May acusa a Rússia de Putin de ter atentado contra a vida do ex-espião russo e a sua filha, mas até ao presente o Executivo de Theresa May ainda não apresentou uma única prova que fundamente esta sua acusação. Falamos de um caso que está ainda em investigação e que, inclusive, já sofreu uma esperada reviravolta porque o Kremlin afirmou ter sido de todo impossível que o seu cidadão tenha sido envenenado em plena praça pública sem que tal tenha afectado muitas outras pessoas. Tal acabou por ser confirmado pelas autoridades britânicas que investigam o caso. Alias, após este “pequeno” volte-face da investigação, o assunto Skrypal deixou de ter o peso mediático que tinha… Coincidências? Não acredito muitas nelas, mas que as há, há.

 

Para além de tudo o que expus até aqui existe ainda o triste teatro internacional onde coabitam actores e actrizes de duvidosa qualidade que pactuam com a cortina de fumo lançada pelo Executivo liderado pela Sra. May. Convém alertar os mais distraídos que a Europa Central e do Norte têm uma clara e manifesta dependência do gás proveniente da Rússia, pelo que não se deve esperar que países como a Alemanha, Bélgica, Holanda, França, Ucrânia e outros se entreguem de corpo e alma à tal de “Guerra Fria” da Sra. May. Lá para o Norte e Centro do Velho Continente o Inverno costuma ser um tudo ou nada complicado de se “digerir”. Estamos na primavera, pelo que se compreende esta “posição de força” que culminou na expulsão dos diplomatas russos dos seus territórios. Estivéssemos nós no outono e a coisa teria sido muito diferente. E já está a ser diferente! A Sra. Merkel assinou recentemente um documento onde dá autorização para a construção do gasoduto entre a Alemanha e a Rússia através do Báltico.

 

Ah, pois, resta ainda a posição de “força” dos Estados Unidos da América. Dirão alguns leitores e leitoras críticos desta minha opinião. Sucede porém que a posição de Donald Trump perante tudo isto acaba por ser a normal tendo em conta as polémicas que se tentam “fabricar” para justificar o amor inqualificável que uma crassa maioria dos norte-americanos sente pelo seu actual Presidente.

 

Por tudo isto, e mais alguma coisa, apenas me apetece sugerir à Sra. May que deixe de recorrer às cortinas de fumo e demonstre à Europa e Mundo que isto do «Keep Calm and Carry On» se aplica ao Brexit.

 

Uma nota final sobre o que se vai passando na Catalunha.

 

Não é nada que eu não estivesse à espera e que já não tivesse aqui feito referência. Sempre disse (e mantenho) que o problema sempre foi o de Madrid não reconhecer um acto eleitoral que não seja do seu agrado, mas cá por Portugal perdemos muito tempo e energias a discutir o supérfluo em vez de nos centrarmos naquilo que realmente interessa. Como tal não me vou alongar muito mais sobre a temática. Apenas desejo que os catalães não cheguem ao ponto terminal em que estando encostados à parede não tenham outra opção senão seguir violentamente em frente.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (02/04/2018)

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publicado às 16:00


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