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Tema fantasma

por Pedro Silva, em 06.02.14

Já que o pessoal está numa de defesa dos direitos de cada um tendo como pano de fundo um ataque cerrado à Praxe, eis que vou trazer à colação um assunto para o qual ninguém está interessado em analisar e debater.

 

Como é sabido a maior parte das Ordens Profissionais (para não dizer todas) exigem a quem se inscreve que frequente uma formação teórica e um estágio numa qualquer entidade/empresa. A coisa basicamente funciona desta forma; pagam-se os emolumentos da inscrição, durante um período de tempo frequenta-se uma formação e depois inicia-se a parte prática onde supostamente se deveria aplicar o que se aprende/recorda na formação.

 

Digo supostamente porque por norma os Estagiários fazem de tudo menos algo que tenha a ver com a sua actividade profissional. Tirar fotocópias, comprar envelopes, ir para os Correios entregar cartas, ir para as Conservatórias e Repartições de Finanças sozinhos sem saber o que lá vão fazer são apenas alguns exemplos.

 

Vale tudo nestes estágios e se tu ralhas, barafustas e te opões estás bem lixado porque o Patrono/Orientador não assina o que a Ordem Profissional exige para dar por terminado o dito estágio. E se te queixas a quem de direito a emenda é pior que o soneto porque ou te mandam ir chatear outro ou então és alvo de um Procedimento Disciplinar.

 

Não serão todos estes exemplos de situações humilhantes, atentatórias da dignidade da pessoa e elucidativos de uma forçada subserviência? Se sim onde está aquela malta que grita por respeito e cita ordens de Reis da nossa extinta Monarquia sempre que vêm à baila o “Papão” que se chama Praxe?

 

Não aparecem. Não falam. Não se indignam. Não criam Movimentos. Não se fazem audiências nos Ministérios. Não se ouvem as partes. Não se criam reportagens. Em resumo, não se faz absolutamente nada porque isto dos Estágios é um tema fantasma que não merece debate na Praça Pública.

 

Para mais os Estagiários não são pessoas. São objectos que se usa e se deita fora.

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publicado às 15:42


Já que não se calam com as Praxes

por Pedro Silva, em 04.02.14

Mariana Mortágua, BE
27 anos, Economia (ISCTE)

 

"Nem apareci lá nessas semanas"

 

1. Sou absolutamente contra as praxes. Não fui praxada e recordo-me que nem apareci na faculdade nas primeiras semanas, exactamente por causa das praxes.

 

2. Tem que existir legislação que impeça as praxes no interior das universidades. A universidade não deve nem pode formar cidadãos disponíveis para a humilhação.

 

Rita Rato, PCP

31 anos, Ciência Política e Relações Internacionais (U. Nova de Lisboa) 

 

"Tive uma aula com 'professor fantasma"

 

1. A única praxe que tive foi uma primeira aula com um 'professor fantasma', que nos deu como leitura obrigatória bibliografia em alemão - ficámos aterrorizados. Não havia grande tradição de praxe no meu curso e na minha faculdade, de uma forma geral.

 

2. Não sou favorável à extinção das praxes. Actos que fogem do âmbito das praxes são ilícitos criminais e devem ser tratados como tal, no quadro do Código Penal. O que é ilícito deve ser tratado como tal. Outra coisa é a livre vontade dos estudantes.

 

Michael Seufert, CDS

31 anos, Eng. Electrotécnica e de Computadores (U. Porto) 

 

"Aderi por curiosidade"

 

1. Sim. Aderi por curiosidade e foi muito engraçado: ninguém pintou a cara de ninguém, não houve ovos nem farinha. Nada me levava a não participar.

 

2. Não vejo como se pode proibir algo que acontece de uma forma voluntária. O meu irmão, dois anos mais novo, na mesma universidade, decidiu não aderir à praxe e foi respeitado. A análise neste momento tem que passar pelos casos em que há coacção e violência, não pela proibição das praxes.

 

Simão Ribeiro, PSD

27 anos, Direito (U. Porto) 

 

"Fui praxado e sou praxista"

 

1. Sou a favor das praxes. Fui praxado e praxista. Só adere à praxe quem quer. Acaba por facilitar a integração no meio universitário.

 

2. Seria lamentável proibir as praxes, até porque o Código Penal já prevê penalizações para as ofensas físicas e verbais. O caso do Meco é um caso de Polícia e não de praxes. Respeitemos as praxes.

 

Jorge Rodrigues Pereira, PS 

28 anos, Eng. Zootécnica (Inst. Politécnico Castelo Branco)

 

"Foi o melhor período que vivi"

 

1. Fui praxado e posso dizer que aquele período foi o melhor que vivi na universidade.

 

2. Não faz sentido proibir uma prática que existe para integrar o aluno. A única coisa que se pode exigir é moderação e respeito por quem adere à praxe e por quem se recusa aderir.

 

In: SOL

 

Como sempre o Bloco de Esquerda marca a diferença pela sua fabulosa Democracia. É isto e o combate ao piropo.

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publicado às 20:00


Mundo cão este em que vivemos

por Pedro Silva, em 31.01.14

Publicado hoje na página da TVI:

MAIS UM EPÍSÓDIO DA “PRAXE”, OU NÃO… 

O episódio que a seguir vou relatar ocorreu recentemente, perante os meus olhos incrédulos, sem que eu pudesse fazer alguma coisa para o contrariar:

Era Inverno. Lá fora, próximo da meia-noite, o frio era óbvio, sendo que as temperaturas deviam rondar os 9ºC. Já tinha, inclusive, chovido bastante.

Dentro de casa, três indivíduos (1 rapaz e 2 raparigas), expectantes e nervosos, estavam perante o dilema de saber que aquela poderia ser a sua última noite naquele local.

De súbito, imperiosa, ouve-se uma voz que, sem apelo, nem agravo, lhes coloca o seguinte desafio: Mergulhar numa piscina e retirar todas as bolas que se encontravam no seu fundo, tudo num curto espaço de tempo. Aquele que encontrasse a bola premiada seria contemplado com a possibilidade de continuar e, quiçá, ser o grande vencedor, os outros dois seriam castigados com a sua expulsão.

Sem hesitar, os três indivíduos levantam-se, despem todas as suas roupas, ficando apenas de soutien e cuecas e saem para o exterior, alinhando junto à borda duma piscina.

A tremer, de frio e de nervosismo, uma das candidatas resolve desistir. Não tem coragem, não se quer atirar para dentro da água gelada. Recua e, em lágrimas, veste um roupão. 

Rapidamente e autoritariamente, a tal voz volta a surgir e, sem mostrar a cara, insiste para que a candidata continue na prova.

A candidata chora, mas face às insistências e com o nervoso do desconhecido, volta a despir-se e a alinhar junto à piscina.

À contagem daquela voz, os três candidatos lançam-se em mergulho na piscina para cumprirem a prova. Passado cerca de um longo e gélido minuto, os candidatos saem da água enregelados, sendo que um deles (uma das raparigas) não tinha ainda completado a prova. Face a essa evidência a voz volta a ordenar que se atire novamente para aquela água e que complete a sua prova.

A tremer de frio e de olhar vago e perdido, a candidata volta a mergulhar e a muito custo consegue terminar a prova, sendo retirada da água com a ajuda dos seus colegas.

A prova termina. Uma candidata vence. Os outros dois são expulsos naquela mesma noite.

Não, isto não se passou numa sessão de Praxe.
Isto ocorreu na terça-feira à noite, em direto, num programa do canal aberto TVI, perante cerca de um milhão de telespetadores. Os candidatos eram concorrentes de um programa chamado “Casa dos Segredos – Desafio Final 2”.

Contaram-me que recentemente, nesse mesmo programa, os concorrentes foram sujeitos a, de olhos vendados, colocarem a mão num recipiente cheio de baratas, bem como, a comerem um prato cheio de grilos/gafanhotos fritos. Tudo sob pena de serem expulsos de um programa de televisão e em troca de mais uns minutos de fama.

Infelizmente, sobre isto a TVI não perdeu um único minuto do seu jornal da noite a comentar as atrocidades destas práticas televisivas, nem submeteu a debate juízes, professores e dirigentes associativos.

Como é que se pode compreender que um canal de televisão tenha a audácia de, em menos de 30 minutos, discorrer tudo sobre os “males” e “violências” da Praxe e, ao mesmo tempo, seja ela própria capaz de, nos seus programas, sujeitar os seus concorrentes a práticas que nem o mais vil dos praxistas seria capaz de se lembrar.

Esta é a televisão que temos e é bom que, neste e noutros temas, sejamos capazes de saber separar o trigo do joio, a informação da charlatice e a seriedade da ignorância.

Nuno Amen

 

Este texto foi publicado nesta página do facebook. Não creio que seja preciso acrescentar seja o que for.

 

Será a última vez que falarei neste espaço sobre Praxes.

 

Apenas recordo que em todos os casos de Policia que foram altamente mediatizados a "montanha pariu um rato". Como exemplos temos o Caso dos desaparecimentos de Rui Pedro e Maddie, Processo Apito Dourado, Caso BPN, etc., etc., etc.

 

Termino respondendo ao desafio da follow friday que me foi colocado pela equipa dos Blogs do SAPO. Recomendo então a visita e leitura do Blog E AGORA ?? do lovenox.

 

Trata-se de um espaço onde o seu autor analisa algumas noticias de uma forma simplista para que todos percebam que muitas vezes o lucro se coloca à frente do dever de informar. Recomendo a sua visita até porque faz bem à malta usar a massa critica de quando em vez.

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publicado às 16:21


Já chega deste disco riscado

por Pedro Silva, em 30.01.14

Desculpem lá mas não posso ficar calado perante mais um dia em que a nossa Comunicação Social em peso resolve voltar a bater na mesma tecla das Praxes Académicas.

 

Acho bem que se debata o assunto, que se penalize severamente quem incita às Praxes violentas, assim como sou totalmente a favor que as Autoridades Competentes (entenda-se Autoridades Competentes por Policia Judiciária e Ministério Público e não “detectives de algibeira” que criam contas de e-mail para investigar por conta própria) descubram o que realmente aconteceu na Praia do Meco.

 

Agora acho mal e revoltante que a nossa Comunicação Social tome partido pela facção Anti Praxe e opte pela generalização de todas as Praxes em detrimento do seu claro e estrito dever de informar. Isto porque nem tudo é igual em todo o lado. Existem Praxes boas, Praxes más, Praxistas bons e Praxistas maus. Generalizar é perigoso.

 

Custará assim tanto às nossas Televisões, Jornais e Rádios darem voz e corpo a ambos os lados da Praxe? Porquê razão insistem na Tese de que tudo o que tenha uma Capa e Batina é mau, bêbado, irresponsável e masoquista ao ponto de adorar humilhar o próximo? Uma moeda não tem sempre duas faces?

 

Para mais existem temas bem mais interessantes sobre os quais a nossa Sociedade deveria debruçar-se. O Blog 365 forte traz a lume algo muito mais importante que esta discussão de surdos, mudos e cegos que a Comunicação Social Portuguesa teima em dar força e visibilidade.

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publicado às 12:38


Que Democracia é esta?

por Pedro Silva, em 27.01.14

Lamento ter de voltar a comentar um assunto sobre o qual já expus aqui a minha opinião, mas este fim-de-semana foi penoso ser “bombardeado” por notícias e textos de opinião contra a Praxe. O Jornal Público passou o Sábado inteiro a publicar noticias e opiniões ante Praxe.

 

Li de tudo e fui insultado de todas as formas e feitios por aqueles que se dizem defensores da integridade humana.

 

As crónicas de opinião do Jornal Público apelidaram de mafiosos, bêbados, irresponsáveis, intolerantes, Salazaristas, Fascistas, etc. quem frequenta e frequentou a Praxe. E isto para não fazer aqui referência a espaços onde se insultou a Mãe dos Praxistas.

 

Mas que raio de Democracia é esta?

 

Mas agora temos de estar todos contra a Praxe porque faleceram 6 jovens na Praia do Meco sob condições que ainda estão por apurar?

 

E se porventura os jovens não fossem filhos de Pais com poder financeiro e com influência nos media teríamos este mesmo “circo”?

 

E já agora, se porventura o Ministério Público chegar á conclusão de que o sucedido na Praia do Meco em nada teve a ver com uma suposta actividade Praxística, em que ponto ficamos? Vamos afirmar que a Justiça em Portugal não funciona?

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publicado às 11:21


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