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Manobras de diversão

por Pedro Silva, em 06.03.17

PS_manobrasdediversao_destaque.jpg 

Manobras de diversão é uma táctica militar que é utilizada para distrair o inimigo do verdadeiro ataque. Ora em política tal táctica é também muitas vezes utilizada. Só neste caso tal serve antes para distrair o eleitorado e não para o combate político próprio de uma qualquer Democracia. Ainda recentemente se assistir in loco a uma demonstração de tal técnica. Refiro-me, pois claro, ao caso dos 10.000 milhões de euros que saíram de Portugal para offshore.

 

Vamos antes ao cerne da questão antes de partirmos para a manobra de dive4rsão propiamente dita. Na problemática dos tais 10.000 milhões de euros o que é que está realmente em causa?

 

A resposta é óbvia. Tratamento desigual dos contribuintes por parte de uma máquina tributária que tem a obrigação de tratar todos os contribuintes por igual. Dito de outra forma; a Autoridade Tributária e Aduaneira (Finanças) no processo dos 10.000 milhões de euros que seguiram para a offshore deveria ter seguido todos os apertados requisitos que normalmente segue quando tributa um qualquer contribuinte.

 

Tudo indicia que as Finanças não o fizeram, e é aqui que reside o cerne da questão. Se as Finanças não fizeram o que deveriam ter feito em tempo útil, então há que apurar responsabilidades junto de quem deveria ter agido de determinada forma e não o fez. Ora, se a questão é assim tão simples no que a este caso diz respeito, então porquê razão se tem falado de tanta coisa no que a este caso diz respeito? A resposta é - também ela - muito simples: manobras de diversão!

 

Toda esta cena teatral de Paulo Núncio (anterior Secretário de Estado das Finanças do Governo Passos/Portas do qual Assunção Cristas fez parte) e demais comentadores políticos afectos à direita é uma manobra de diversão que visa desviar a atenção de todos nós do centro fulcral de toda a questão.

 

E isto porque o Governo de Passos e companhia tudo fez para que a máquina fiscal fosse impiedosa na hora de cobrar o que lhe é devido. Foi no tempo de Passos e companhia que começaram a surgir paletes e paletes de Processos de Execução por dívidas ao Fisco. Dito de outra forma; é um tremendo embaraço para a Direita que no passado tantos sacrifícios impôs ao portugueses ter agora de vir explicar à Praça Pública o que não aconteceu no caso dos tais 10.000 milhões de euros.

 

Para mais não será com este triste e lamentável teatro e com os malabarismos dialécticos (com muitos termos técnicos à mistura) dos comentadores da Direita que Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas vão recuperar alguma - da parca -credibilidade que possuem junto do eleitorado.

 

Em jeito de conclusão, gostaria de desafiar os comentadores do matutino “Observador” a explicar onde é que está o “populismo” quando se diz que as offshore são a pior criação do capitalismo.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/03/2017)

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publicado às 16:00


O fatalismo da Direita

por Pedro Silva, em 26.04.16

Imagem Crónica RS.jpg 

Obviamente que tenho o dever de respeitar a opinião de cada um. E faço-o porque sei que não sou, nem nunca serei, o dono da verdade absoluta e porque é na troca de ideias e de opiniões que poderei evoluir como cidadão pertencente a um mundo cada vez mais globalizado. Contudo não posso aceitar tudo e mais alguma coisa que se vai dizendo sobre o actual estado do nosso mundo porque, tal como tudo na Vida, ou aquilo que dizemos/escrevemos faz algum sentido ou então entramos numa espécie de guerra do disparate onde toda a gente se insulta.

 

Ora sendo esta a minha forma de estar acaba por ser tremendamente complicado aceitar aquilo que apelido de fatalismo da Direita. E quando falo aqui de “fatalismo da Direita” refiro-me aquelas teses da Direita que nos dizem que isto é irremediavelmente assim porque tem naturalmente de ser.

 

Dito de outra forma; para esta ala política as offshore existem porque sem elas alguns Países não teriam capacidade de sobreviver como Estados soberanos que são, Portugal (e outros) são pobres e como tal tem de ser pobres para todo o sempre sob pena de se endividarem até ao fim dos tempos.

 

Meus amigos e amigas afectos da Direita, lamento mas acreditem que estão a disparatar quando optam pela via do fatalismo para defesa da nossa visão do mundo.

 

Sim. Estão a disparatar porque quando dizem que ou o Panamá opta pela offshore porque de outra forma colapsará como País estão a legitimar as offshore europeias que tem contribuem, e muito, para o vosso outro fatalismo: o de que Portugal é um País pobre e que terá de ser pobre para todo o sempre.

 

Ou será que me vão dizer que Holanda, Áustria, Luxemburgo, Inglaterra e França só poderão sobreviver como Países se forem e/ou promoverem offshore?

 

As offshore são a maior “porcaria” que o mundo alguma vez poderia ter produzido. Um mal que é aproveitado pelo lado obscuro das nossas Sociedades para se manter no comando dos destinos do mundo. Em suma estas “aplicações financeiras” sevem somente para que os mesmos de sempre se mantenham nos lugares de topo. O exemplo disto mesmo tem sido bem visível naquilo que hoje denominamos de zona euro onde o Norte da Europa tem “esmagado” o Sul da Europa em todos os sentidos.

 

Ou será que os meus amigos e amigas afectos da Direita acham que é legítimo, por exemplo, a Holanda poder ser uma offshore e Portugal não? Mas porquê razão? Porque Portugal é fatalmente pobre e a Holanda fatalmente rica?

 

Mas pensem bem na resposta que irão dar a esta minha pergunta e se porventura tiverem resposta pronta para a dita sugiro que percam um pouco do vosso tempo e assistam ao filme “A Queda de Wall Street” ("The Big Short") do Realizador Adam McKay e vejam onde a teoria do fatalismo da Direita colocou o mundo.

 

p.s. Offshore e Paraíso fiscal na prática são a mesma coisa. É só para não me virem dizer que a Holanda, Áustria e Luxemburgo não são offshore. Estes Países têm um regime fiscal muito “apetecível” (o Grupo Jerónimo Martins – aka Pingo Doce - que o diga!).

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 20:43


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