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Sobre o novo estado de emergência

por Pedro Silva, em 06.11.20

"Novembro é mais um teste à nossa contenção, à nossa serenidade, à nossa resistência" - Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República de Portugal

Embora não simpatize com Marcelo Rebelo de Sousa, reconheço a sabedoria desta sua frase e vejo com bons olhos o apelo ao bom senso que esse fez no seu discurso à Nação.

Creio ser importante que nessa altura conturbada que todos estamos a atravessar que a Vida, como bem precioso que é, não sirva – nunca! -  de pretexto para o atropelo dos direitos das  minorias.

Apesar de tudo, com pandemia ou sem pandemia, Portugal é um Estado de Direitos. Para mais, no estado de emergência a linha que separa a Democracia da Ditadura é muito ténue.

Daí ter ficado bem mais sossegado após ter ouvido o que disse hoje o Sr. Presidente da República.

A ver vamos se isto se mantém assim embora me pareça que a nossa Comunicação Social pretendesse outro tipo de “estado de emergência”.

E a verdade seja dita que anda para aí muita gente que acha que estado de emergência é o mesmo que linchamento na Praça Pública.

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publicado às 23:10


E a Escócia?

por Pedro Silva, em 13.10.20

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Com a mais do que provável saída do Reino Unido da União Europeia e tendo em consideração as especificidades  muito peculiares do Reino Unido e da sua história (que de pacifico tem muito pouco, diga-se desde já), apetece-me levantar aqui uma questão que ainda ninguém quis ou ousou levantar de tão entretidos que andam com o regresso de uma suposta fonteira física na República da Irlanda sempre que o assunto “Brexit” vem ao de cima.

Não estou com tal, de forma alguma, a querer desvalorizar ou secundarizar a questão da fronteira entre as duas Irlandas. Tal é um dos pertinentes assuntos do “Brexit” que merece uma reflexão bastante grande, ponderada e racional q.b. para que a resposta ao problema seja, no mínimo do possível, a mais adequada possível à problemática.

Contudo, face ao que a história recente nos demonstrou, estou deveras curioso para saber qual a reacção daqueles que batem no peito sempre que se fala de Europa quando a Escócia reclamar a sua independência no pós “Brexit”.

Esses mesmos que batem com orgulho no peito e “falam grosso” com o Executivo de Londres são os mesmos que dantes tudo fizeram e de toda a retórica se serviram para fazer da independência escocesa uma espécie de pesadelo. Chegaram mesmo, inclusive, a condenar a Escócia ao isolamento económico e civilizacional porque esses sabem que na sua casa também existem povos que merecem decidir por si, e por si só, o seu destino e futuro enquanto povos soberanos.

Não se tenha a mais pequena dúvida de que a Escócia irá mesmo avançar para a sua independência. Isto porque tudo indicia que o chamado “Hard Brexit” vai ser uma realidade. De quem vai ser a culpa de tal não importa nem interessa porque ambas as partes só têm a perder com tal. Só mesmo o irracional irá fazer com que os escoceses permaneçam no Reino Unido.

É uma certeza a candidatura da Escócia à União Europeia quando estiver terminada a saída à força do Reino Unido da Europa. E aí é que vamos todos ver aquilo de que é feita essa mesma União Europeia. Isso porque não se pode, nem se deve, querer ser uma potência internacional e não se saber tirar proveito de uma situação que irá, com toda a certeza, colocar Londres em muito maus lençóis.

A Europa de Von der Leyen terá na questão escocesa – mais – uma oportunidade de mostrar ao Mundo que não é a tal manta de retalhos onde ninguém se entende.

A ver vamos como tudo se vai desenrolar, mas, não querendo ser acusado de pessimismo irritante, não creio que a figura da manta de retalhos onde toda a gente ralha e só se entende depois de muita exposição mediática vá desparecer. Pelo contrário! Quando chegar a hora H, quem se vai ficar a rir será Londres e a sua bacoca e desajustada visão imperialista do Mundo. Já a União Europeia vai continuar a ser o motivo de risota a nível diplomático (e não só).

E já que falamos de Europa…

António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa e líderes partidários tem lançado os foguetes e feito a festa em torno dos fundos europeus que, pelo que se ouve e lê, vêm salvar a nossa pátria.

Há que dizer o que não se diz ou pouco se fala e escreve.

O processo dos tais fundos milagrosos ainda está no início. A concessão dos mesmos tem ainda de passar pelo crivo dos Parlamentos de cada Estado-membro e algo me diz que quando os ditos chegarem ao Parlamento da Holanda, Áustria, Alemanha, Finlândia, Suécia, Polónia e Hungria a coisa vai travar a fundo…

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/10/2020)

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publicado às 21:30


Doença dos tempos modernos

por Pedro Silva, em 08.03.20

Se o Covid-19 desperta alguma preocupação e exige de todos nós cautelas é um facto que não nego e que, inclusive, até que subscrevo e aconselho.

Agora usar tal problemática para se fazer o circo circense mediático ao qual não podia faltar a triste figura de quem não passa sem um microfone ou a modernice que dá pelo nome de selfie, já é algo que se me apetece dizer que roça o ridículo porque a fronteira do caricato esta já há muito que foi ultrapassada.

Doença dos tempos modernos… Ou dito de outra forma, estupidez em saldo. Quem agradece é uma tal de economia paralela. Mas isto são outros quinhentos.

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publicado às 23:32


Caminhando orgulhosamente para o abismo

por Pedro Silva, em 09.07.18

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Em Portugal perde-se tempo precioso a discutir o vazio em vez de olhar para o essencial. Dito de outra forma; estar a debater se porventura a plataforma de apoio ao governo de António Costa é a mais pura perda de tempo. Bem sei que existem muitos jornalistas e analistas políticos da nossa Praça que querem espalhar o pânico porque sabem que assim “vendem mais” e fazem-se ouvir, mas fora do nosso pequeno país estão a acontecer coisas terríveis. E a uma velocidade incrivelmente medonha. Tão incrível que custa a crer que tal não seja objecto da mais profunda análise por parte de quem se debruça sobre política em Portugal.

 

O Orçamento de Estado de 2019 vai ser aprovado. Ponto final! Se vai haver um certo e necessário teatro durante a sua discussão? Vai. Mas que interesse tem isto para nós enquanto cidadãos? Zero! Já o que se está a passar no espaço europeu é gravíssimo e deveria merecer muito mais da nossa atenção. Nunca a União Europeia esteve tão próximo do fim. Mas quem lê as notícias e as opiniões dos comentadores políticos fica coma clara e errada ideia de que «no passa nada». Passa-se algo e o que vou vendo é toda uma Europa a caminhar orgulhosamente para o abismo.

 

As recentes revindicações e imposições italianas no que á política europeia de acolhimento de refugiados, a perseguição criminosa que a Hungria promove a todos os refugiados e a quem os ajuda mesmo que tal ajuda seja, tão-somente, no preenchimento de um qualquer impresso, a crise democrática que se vive na Polónia, o avanço das forças de extrema-direita na Europa Central/Norte que aos poucos está a ocupar o vazio político que os últimos anos de governação europeia franco-germânica criou, as recentes convulsões políticas na Alemanha e, inclusive, o já famoso «Brexit» são sintomas de que algo não está mesmo nada bem na Europa. Raras são as vezes em que concordo com Marcelo Rebelo de Sousa, mas recentemente este afirmou que quem olha hoje para a Europa vê muito da Europa antes do eclodir da 2.ª Guerra Mundial.

 

Confesso que tal estado de coisas me assusta. Especialmente o ar normal que muitos de nós fazemos quando olhamos para este cenário e acabamos a debater se a Alemanha está, ou não, a mandar mais ou menos na nossa Europa. Como se o cerne da questão não fosse precisamente o de se ter retirado a Democracia do espaço europeu para no seu lugar se implementar – mesmo que à força dos ditos “mercados e afins” – uma espécie de dictat germânico.

 

È precisamente este mesmo dictat que fez com que tudo esteja como está- A Sra. Merkel deve mandar no seu país. Tal como cada governante de cada Estado-membro da União deve mandar no seu país. Querer seguir outra via que não a do diálogo e busca de soluções adequadas aos tempos que correm é, repito, caminhar orgulhosamente para o abismo.

 

E em jeito de remate final gostaria de fazer notar que o «Brexit» não será péssimo somente para os britânicos. Tendo em consideração a forma como a Europa está e o sectarismo que a Alemanha da Sra. Merkel protegeu durante anos (tal foi do seu agrado e conveniência), vai acabar por ser mais um prego no caixão do projecto europeu.

 

Por isto continuemos a debater o folclore do próximo Orçamento numa de vingança para como o Governo de Costa. Não despertemos para o que realmente interessa antes que seja tarde demais. Continuemos assim que estamos bem.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (09/07/2018)

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publicado às 21:30


E discutir o essencial?

por Pedro Silva, em 02.07.18

Imagem crónica RS.jpg 

Confesso que compreendo perfeitamente a tremenda antipatia (vamos colocar a questão nestes termos mais “simpáticos”) que o Mundo tem para com Donald Trump. Efectivamente a atitude arrogante, belicista, irracional, tresloucada e autoritária - tão do agrado do cidadão norte-americano e do emigrante português radicado nos USA! – faz com que o europeu (especialmente este e só este) tenha uma certa raiva para com Trump. Daí que seja perfeitamente natural o recente regozijo de muitos quando um Chefe de Estado (no caso Marcelo Rebelo de Sousa) de um pequeno país europeu chega à Casa Branca e dá uma de grande líder perante Trump- Especialmente se tivermos em linha de conta que tanto Merkel como Macron foram, há não muito tempo, publicamente menosprezados (e muito mal tratados) pela Administração Trump.

 

O problema é que tudo isto é muito giro, mas está longe (muito longe) de ser o essencial. Dito de outra forma para que todos me percebam, as recentes cenas tristes do Sr. Presidente Marcelo na Casa Branca podem ter sido motivo de satisfação para quem se contenta com a temática “enche chouriço” muito própria da dita “imprensa cor-de-rosa”. A mim, espectador e eleitor muito mais exigente do que a crassa maioria dos portugueses, para além de me ter parecido que Donald Trump estava nitidamente a gozar com o nosso Chefe de Estado (algo que vindo de Trump não é para admirar) ficou a nítida e amarga sensação de que Marcelo aproveitou uma cimeira para nada de relevante para ambos os Estados se discutir.

 

Tendo em consideração o que veio a público, nada se discutiu na dita Cimeira. Neste momento em cima da mesa da chamada geopolítica estão interesses comuns a Portugal e Estados Unidos da América que importam clarificar em vez de se ver quem é o “Professor e o Bronco”. Um destes interesses até que é bem conhecido de todos nós. Refiro-me à questão da Base das Lajes cujo futuro permanece ainda muito incerto. Refiro-me, também, à posição dos USA perante a NATO e à nova Ordem Mundial que a guerra na Síria está, aos poucos, a modificar radicalmente. Estes temas, entre muitos outros do foro comercial (e não só), é que deveriam ter sido alvo de debate de uma forte e acérrima defesa dos interesses de Portugal e da Europa por parte do Presidente Marcelo. Só que em vez disto tivemos uma espécie de competição de virar microfones in loco em que (segundo os festejos de muito boa gente) Marcelo parece ter dado uma tremenda “tareia” pública a Trump.

 

E para terminar, volto a perguntar: E discutir o essencial?

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (02/07/2018)

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publicado às 21:30


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