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Gente hipócrita

por Pedro Silva, em 23.08.15

Graças ao Windows 10 dei de caras com este artigo do Jornal i que a nossa nada parcial Comunicação Social resolveu fazer de conta que não existe. Trago o dito até vós para verem o tipo de gente que “lidera” a Europa:

 

Nas negociações para o novo resgate à economia grega ficou claro que o governo alemão liderou a frente mais agressiva contra Atenas, impondo um maior nível de austeridade ao país. Wolfgang Schäuble liderou as negociações, tendo saído da sua pena muitas das medidas mais pesadas do novo resgate.

 

Mas será que esta insistência de Berlim para que a Grécia e demais resgatados apliquem tais reformas vem de a Alemanha as ter implementado com sucesso? Longe disso. “E se a troika viesse a Berlim?”, foi a questão a que a “Der Spiegel” decidiu responder, concluindo que, entre as exigências feitas a Atenas ou Lisboa, algumas das reformas mais emblemáticas não são postas em prática na Alemanha.

 

Liberalizar farmácias? Nein É uma medida muito contestada em Atenas. Os credores obrigaram o governo a aprovar legislação que acaba com a regulação da abertura de farmácias no país – permitindo a venda de medicamentos sem receita noutras lojas e a abertura de farmácias em espaços comerciais. E como está o sector farmacêutico na Alemanha? Segundo a “Der Spiegel”, há vários anos que o poder político não toca na regulação das farmácias por pressão dos farmacêuticos, pelo que Berlim não avançou com a desregulação que exige à Grécia.

 

Liberalizar profissões? Nein A lógica é a mesma. “A Alemanha defende o sistema medieval das profissões’ seria o título nos jornais europeus”, sentencia a “Der Spiegel” neste ponto, numa referência à espécie de corporações de ofícios que regulam a entrada em alguns mesteres alemães. Carpinteiros, canalizadores ou electricistas são alguns exemplos de profissões de acesso regulado no país, regulação que serve também para restringir a entrada de trabalhadores da UE nesses sectores.

 

Comércio ao domingo? Nein Outra imposição polémica a Atenas foi a obrigatoriedade de liberalizar os horários do comércio ao domingo – também já em vigor em Portugal. Na Alemanha, diz o “Der Spiegel”, idêntica medida desencadearia seguramente várias manifestações dado o forte lóbi existente (e bem sucedido) contra o avanço de medida semelhante no país. “Fora com os novos ocupantes”, diriam os cartazes nessas manifestações, imagina mesmo a revista.

 

Cortar apoios sociais? Nein A existência de 14 meses de licença de parto paga ou o valor das reformas dos pensionistas públicos  em comparação com as dos privados são exemplos de medidas em vigor na Alemanha que seriam questionadas pela troika logo à chegada. O corte dos apoios sociais tem sido uma das medidas mais exigidas pela troika nos países resgatados.

 

Privatizações? Ja, mas... Na década de 1990, a Alemanha procedeu a várias privatizações. Contudo, e ao contrário da prática agora vigente, tratou-se de vendas parciais, tendo o Estado ainda hoje participações decisivas em várias gigantes alemãs. Veja-se o exemplo da Deutsche Telekom, em que 14% do capital é detido directamente pelo Estado e outros 17,4% pelo banco de desenvolvimento do Estado, o KfW, que detém ainda 21% da Deutsche Post – tanto numa como noutra empresa as participações do Estado são as mais elevadas.

 

Aproveitando a recente venda de 14 aeroportos gregos à alemã Fraport, a “Der Spiegel” recorda que a Alemanha “conta com dezenas de aeroportos regionais ruinosos”, que “deixariam o mundo escandalizado com o que foi feito ao dinheiro dos contribuintes”. A troika ordenaria o fecho destes aeroportos, diz a revista.

 

Pobres pagam mais Outro ponto a que a troika teria de dar atenção prende-se com as desigualdades do fardo fiscal entre ricos e pobres, diz a “Der Spiegel”. Com as contribuições para a Segurança Social limitadas a um valor máximo, as classes com os rendimentos mais baixos estão sobrecarregadas com impostos, para compensar. “O fardo que pesa sobre os mais pobres é mais elevado que em qualquer outro país industrializado”, refere a revista alemã. Dada a vontade expressa pelos credores noutros países, a “Der Spiegel” conclui que “a troika obrigaria a aumentar os impostos sobre a propriedade, cortando nos impostos sobre o trabalho”.

 

IVA: subam que eu baixo Uma das medidas que mais dividiram Alexis Tsipras e os credores ao longo das recentes negociações foi o IVA cobrado pelos hotéis e pelos restaurantes gregos, com a troika a insistir na subida da taxa para os 23%. Ora em 2010 o governo alemão baixou o IVA dos hotéis de 19% para 7%, de forma a “encorajar mais turistas a vir à Alemanha e para estes prolongarem a estada”, lê-se na página do turismo da Alemanha. Em 2013 chegou a discutir-se o aumento deste imposto, mas o governo acabaria por ignorar as recomendações da OCDE para nivelar o IVA para a média.

 

Agora que cada um retire as suas conclusões. Eu já retirei as minhas há já muito tempo e continuo a dizer que se isto não der uma volta radical a União Europeia vai acabar mal…

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publicado às 23:24


Contrariando o conveniente esquecimento

por Pedro Silva, em 26.07.15

A União Europeia, cada vez menos democrática no topo e na base, forneceu a esta conjuntura um instrumento quer de unificação e ampliação de políticas, quer de controlo político sobre os recalcitrantes. O “europeísmo” ideológico, em refluxo de caução democrática nacional e sobrepondo-se, muito para além dos Tratados, aos parlamentos e à soberania, teve um papel fundamental em conseguir a subordinação dos socialistas a essa direita. Esta subjugação foi materializada, entre outras coisas, pelo Tratado Orçamental que lhes impõe uma visão da economia, da sociedade e do estado que historicamente nunca foi sua. A isto somou-se uma interpretação retrospectiva da história, encontrando um nexo causal que demoniza certas políticas e legitima outras. Viveu-se e vive-se um momento áureo de um historicismo vulgar associado à perda de memória acentuada no universo mediático e das redes sociais.

 

Com a proibição de qualquer veleidade keynesiana pelo Tratado, os socialistas perderam autonomia e sofreram derrotas sobre derrotas, mesmo quando “ganharam” como Hollande, porque entre uma imitação e a “real thing” os eleitores preferem a “realidade”. O preço desta quebra da “alternativa” foi a crise preocupante de representação nas democracias europeias, o crescimento da abstenção, o afastamento dos partidos no poder da população, e o crescimento à esquerda e à direita de partidos e movimentos anti-europeus e anti-sistema. Na “realidade” paga-se sempre o preço da realidade.

 

Em segundo lugar, existe uma enorme confusão entre a “realidade” do “fim da história” e o poder. Aquilo que os gregos encontraram à sua frente não foi o muro da “realidade”, foi o muro do poder. O poder no sentido weberiano, a possibilidade de alguém obrigar outrem a proceder contra a sua vontade. Uma das grandes aquisições da crise grega para a consciência europeia, foi a revelação às claras, sem ambiguidade, sem disfarces, da brutalidade do exercício de um poder. Nos nossos dias isto não é desejado pelos poderosos, que gostam de disfarçar o seu poder na discrição e no segredo, onde ele é sempre maior. Ao revelar o poder, enfraqueceu-o. Dos alemães aos parceiros menores como Passos Coelho, saber-se o que fizeram, saber-se o que impediram e vetaram, saber-se o que disseram, nas portas fechadas do Eurogrupo, e perceber-se que o resultado foi uma imposição punitiva de uma política em que ninguém acredita a um governo e a um povo, cria uma situação sem retorno.

 

Excertos de texto de opinião de Pacheco Pereira

 

Como agora tudo parece ter entrado num conveniente silêncio eis que volto a bater na tecla Grega e do actual estado a que a nossa pobre, muito pobre, Europa chegou. Nunca imaginei que após a 2.ª Grande Guerra/queda dos Regimes Fascistas a Direita extremista voltasse a marchar e a ter a força que tem hoje em dia. Hitler, Mussolini, Salazar e Franco devem andar às voltas nos seus túmulos…

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Um aparte, depois de ter visto isto pergunto-me se na Coligação não haverá quem necessite de consultar, e com carácter de urgência, um Psiquiatra e/ou Psicólogo. É que tanta alucinação e mentira são de uma gravidade tal que faz inveja a muitos dos doentes internados no Magalhães Lemos/Júlio de Matos!

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publicado às 21:17


Da auspiciosa vitória Europeia

por Pedro Silva, em 20.07.15

Já no seu tempo Adolf Hitler dizia que o problema da Europa eram os Judeus. Daí à “Solução Final” foi um saltinho de pardal e não faltou quem alinhasse neste pensamento e fizesse desta “Solução” a única saída para o problema. Foi este o papel de Joseph Goebbels e, pelos vistos, é também este o papel de Michael no que ao problema da Zona euro diz respeito.

 

É que muitas crónicas volvidas e muitas trocas de opiniões com quem defende esta forma de agir da Europa dos Credores e dos Devedores ainda não consegui perceber porquê razão somente a solução do Sr. Wolfgang Schäuble é a única e genuína para a resolução do problema. Porquê carga de água tem a austeridade de ser uma necessidade?

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Excerto do meu último artigo de opinião publicado no Repórter Sombra

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publicado às 16:12


É a Alemanha estúpidos!

por Pedro Silva, em 19.07.15

Eu sei que está toda a gente farta da Grécia, de ouvir notícias sobre a Grécia, de falar da Grécia. O sistema mediático tem este efeito de rápido cansaço e gera também a vontade de passar para outra coisa ou outra causa. Para além disso, tudo parece já estar decidido e não vale a pena chover no molhado. Vale, vale.

 

Depois há a sensação de derrota dos filo-helenos, seja dos políticos pró-Syriza, seja dos admiradores mais dos gregos do que do Syriza. Todos partilham uma sensação incómoda porque mistura sentimentos de traição, humilhação, derrotismo, impotência, tudo coisas pouco amáveis para a auto-estima.

 

Ainda pior é ver a alegria dos que, ao lado de personagens como Dijsselbloem, gozam a sua vingança contra Varoufakis que, de todo não respeitava o holandês pedestre, e contra os gregos que tiveram o arrojo de votar “não”. Digamos que é o clube português dos fans de Dijsselbloem, que festeja a vitória em artigos nos locais certos, nas redes sociais e nos comentários, numa espécie de jogo de futebol contra o clube português dos fans de Varoufakis, no qual, imagine-se a brilhante inteligência, incluem… António Costa.

 

Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem. O problema é que sabem: querem manter-se no poder e prosseguir um programa de revanche social e política contra os que desde o 25 de Abril lhes roubaram o direito natural de mandar.

 

É por isso que me é inaceitável o argumento salomónico que muitos socialistas usam para se justificar, atribuindo “culpas” ao governo grego e à “Europa”, umas concretas e com alvo, as outras abstractas e genéricas, como se o resultado final se devesse ao modo como os gregos se comportaram nas negociações e não à recusa sempre sistemática dos alemães e do Eurogrupo em negociar fosse o que fosse, com o apoio dedicado dos socialistas. Os gregos podem ter feito todas as asneiras possíveis, que isso não justifica o que se passou. Mesmo os meses que durou isto tudo, não foram os meses necessários para negociar qualquer coisa, mas os meses necessários a colocá-los entre a espada e a parede e por fim vergá-los. Nunca, jamais, em tempo algum, poderia ter sido de outra maneira, porque nunca quem manda desejou que fosse de outra maneira.

 

Muitas das propostas gregas logo de início eram bastante moderadas (recordam-se de como os fans de Dijsselbloem disseram que os gregos tinham vergado como Hollande…), mas a perigosidade evidente de um governo como o do Syriza obter qualquer ganho de causa era inaceitável para governos como o português e o espanhol, e era uma bofetada para os socialistas colaboracionistas. A questão nunca foi conduzir bem ou mal as negociações, mas o facto de, por imposição da Alemanha, se ter sempre decidido que não havia acordo com os esquerdistas do Syriza.

 

Os alemães e os seus acólitos tinham um programa de humilhação, com um acordo que foi afinal escrito pelo Syriza a branco, para eles o reescreverem a preto. O acordo com a Grécia, na realidade um diktat, só tem uma lógica: obrigar os gregos a engolir tudo o disseram que não desejavam. Não tem lógica económica, nem financeira, tem apenas uma lógica política de humilhação. Querias isto? Pois levas com um não-isto. Foi assim que foi feito o chamado acordo.

 

E não me venham com o argumento de “confiança”, por parte de governantes como Merkel, Rajoy e Passos Coelho que apoiaram Samaras e a Nova Democracia até ao fim, sabendo que apoiavam um governo corrupto e oligárquico, coisa que o Syriza nunca foi acusado de ser. Esse governo “confiável” literalmente evaporou centenas de milhares de milhões de euros e permitiu que a Grécia, endividando-se até ao limite, funcionasse como tapete rolante para reciclar a dívida dos bancos franceses e alemães para os contribuintes europeus. E não me falem de “confiança” face a um acordo-diktat em que ninguém acredita, em que ninguém “confia” e que assenta no poder e no cinismo.

 

É uma exibição brutal de poder, que coloca a Grécia a ser governada de Bruxelas e Berlim, por gente que vai decidir os horários das lojas ao domingo, quem pode ter uma farmácia, como funcionam as leitarias e as padarias, e quem pode conduzir ferrys para as ilhas. Mas há mais: são revertidas decisões constitucionais de tribunais gregos e, como em Portugal se fez, mudanças legais para acelerar despejos, expropriações, falências e para retirar aos trabalhadores direitos sindicais e de negociação.

 

Texto de opinião de José Pacheco Pereira publicado no Jornal Público

 

O negrito e o sublinhado que vemos no texto de Pacheco Pereira são da nminha autoria. São extractos da realidade que os "pró Alemanha fora do €" e que acham que a Alemanha é a "Dona disto tudo" pretendem ignorar.

 

Já agora se vos aprouver leiam também o que um antigo Dirigente do FMI disse sobre o último "acordo" Bruxelas/Atenas. Quando um tipo destes mostra ser mais Europeísta que os Europeístas é sinal de que algo está mal... Muito mal!

 

Amanhã voltamos a falar sobre a Grécia/UE.

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publicado às 17:38


O estado a que chegamos

por Pedro Silva, em 13.07.15

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Depois de ter visto o vídeo que o Eurodeputado Belga, o Sr. Guy Verhofstadt, publicou no seu mural do Facebook veio-me logo à cabeça a famosa e emblemática declaração do Capitão Salgueiro Maia que resolvi colocar no topo deste meu texto de opinião.

O actual momento é de acção e não de “politiquices“ e outras “baboseiras” próprias da política. E perdoem-me, desde já, o recurso ao calão Brasileiro mas não sei que outra forma utilizar para descrever o quão estúpido estão a ser alguns membros de órgãos decisórios Europeus que fazem lembrar o discurso de quem governou a Alemanha durante a 2.ª Guerra Mundial.

 

Leia o artigo completo no Repórter Sombra

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publicado às 17:31


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