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Não me tomem por parvo

por Pedro Silva, em 26.03.18

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A recente polémica em torno da “fuga de dados” dos utilizadores da rede social facebook deve alarmar qualquer um. Tal situação é preocupante e é – mais um – sinal de que isto do “big brother” é algo com o qual nós, cidadãos, não devemos pactuar. Já diz o ditado que “cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, daí que nunca são demais os maciços alertas aos utilizadores das redes sociais (facebook inclusive) de que devem ter muita ponderação naquilo que publicam.

 

Algo de completamente diferente de tudo o que expus anteriormente, é políticos e comentadores (públicos e anónimos) se servirem da problemática das redes sociais para tentarem justificar o injustificável de que a culpa morre sempre solteira. Uma árvore por si só não faz uma floresta. O mesmo tipo de raciocínio se aplica ao facebook e afins. Por muito que se diga e escreva, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos da América, o avanço do populismo a nível mundial, a falência do centro nas Democracias europeias (e não só) e o aumento preocupante de facções extremistas não se deve, em exclusivo, ao facebook.

 

Claro que o facebook pode ajudar - e ter ajudado - a que muito daquilo que classificamos de negativo seja uma realidade, mas este está longe de ser a única razão de tudo o que está mal no Mundo. Tomemos como exemplo as últimas eleições presidenciais norte-americanas. Quem era a oposição a Donald Trump? Um vazio! Num país abalado por um fortíssima crise financeira que destruiu lares e empregos, Hillary Clinton era a opositora ao discurso populista de Trump. É bom que todos nos recordemos de que Hillary fez uma campanha eleitoral medonha que se baseava, quase em exclusivo, na “resposta torta” às provocações infantis de Trump. Para mais Hillary fez parte da administração Obama onde teve a oportunidade de nada ter feito. E durante o período eleitoral o que não faltou no facebook foi campanha suja e contra informação a favor da candidatura de Hillary!

 

Ora face a tudo isto, será que foi somente o facebook (e as ainda por provar intromissões da Rússia de Putin, já agora) que influenciou o resultado eleitoral dos “States” que fez de Donald Trump o seu actual Presidente?

 

Na Europa (e não só) a lógica é exactamente a mesma. Procurar servir-se do facebook para justificar o crescimento dos movimentos populistas, a tremenda barafunda política que alguns países europeus estão a enfrentar na feitura dos seus Governos e – não podia deixar de ser - o Brexit é de uma desonestidade intelectual sem precedentes. Seguir tal linha de pensamento é o mesmo que se utilizar uma borracha de má qualidade para se apagar o que de tão mau se fez nos últimos penosos quatros anos.

 

É certo e sabido que como resposta à grave crise financeira que assolou todo um planeta, a Europa seguiu uma cega e brutal política de austeridade cuja principal (e única) consequência foi a de se fazer vingar o pensamento - populista - de que os Povos do Norte sustentam os Povos preguiçosos e adoradores do Deus Baco do Sul! O Brexit, por exemplo, é uma consequência directa de tudo isto e não somente do facebook. O mesmo se pode dizer da falência do centro na política europeia e do crescimento, deveras preocupante, de movimentos e partidos extremistas.

 

Por tudo isto (e mais alguma coisa), não me tomem por parvo. O facebook é, por si só, responsável por muita coisa que está mal no Mundo, mas não venham fazer crer que este é como a culpa que morre solteira.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra

 

NOTA: Foi-me de todo impossível ver o Portugal x Holanda de hoje, pelo que me será - também - de todo impossível fazer o comentário da dita partida. Agradeço a vossa compreensão.

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publicado às 21:30


O Mundo está contra os taxistas

por Pedro Silva, em 10.10.16

imagem crónica RS.png 

Começa a ser cada vez mais um facto incontornável que já ninguém ousa questionar. O Mundo está contra os taxistas portugueses!

 

O leitora(a) discorda? Pois então que outra justificação encontra para as violentas declarações dos representantes do sector que sempre que são contrariados dão uma de Pilatos e lavam – sempre – as suas mãos do pior que possa acontecer?

 

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lisboa acha que a manifestação dos taxistas que decorre hoje em Lisboa deve seguir um determinado formato e trajecto para que não se repitam as cenas de violência que todos vimos numa manifestação anterior, logo temos as Associações do sector a afirmar publicamente que a PSP está contra os taxistas.

 

A Assembleia da República (AR) recebe os representantes dos taxistas para aferir da sua opinião sobre a possibilidade de se regulamentar a actividade da Uber/Cabify e estes vão para a dita lançar ameaças de violência - e outras coisas do género - caso não se decida dentro dos moldes que estes entendem serem “justos”.

 

A Comunicação Social traz a terreiro relatos de problemas diversos com os taxistas e faz eco das declarações polémicas dos seus representantes, e logo é acusada de estar a atentar contra o bom nome do sector.

 

O Facebook tem inúmeros relatos de situações caricatas de profissionais do ramo dos táxis que cometem as maiores atrocidades contra motoristas/clientes (sejam homens ou mulheres) da Uber/Cabify mas as Redes Sociais estão, obviamente, contra os táxis.

 

Até os pequenos Tuk-Tuk estão a boicotar o sector dos táxis em Portugal!

 

Em suma; o Mundo está contra os taxistas portugueses.

 

Já os taxistas portugueses estarem contra o Mundo é algo de impensável (segundo os próprios e seus representantes, pois claro).

 

Tal forma de estar da parte de um sector que está nitidamente mal habituado e muito mal preparado para lidar com tudo o que o rodeia é, a meu ver, profundamente disparatada e reveladora de má-fé. Uma má-fé tal que temos cada vez menos cidadãos a simpatizar com a causa dos táxis.

 

Obviamente que sou inteiramente a favor da regulamentação da actividade das plataformas Uber/Cabify.

 

Penso ser de bom-tom - e até mesmo razoável - que o Governo português tome uma posição nesta matéria para se evitarem os naturais abusos que são cometidos pelas multinacionais. Alias, é por isto que tanto o Bloco de Esquerda (BE) como o Partido Comunista Português (PCP) tem manifestado o seu desagrado na AR e feito alguma pressão para que tanto a Uber como a Cabify vejam a sua activdade devidamente regulamentada.

 

E face ao que tem vindo a público estou em crer que a proposta de regulamentação que foi apresentada pelo Governo à AR sobre o assunto é bastante razoável. O Diploma - tal como foi apresentado, repito – é elucidativo de uma clara equidade no que aos benefícios/prejuízos para as plataformas/taxistas dizem respeito. Somente a Federação Portuguesa dos Táxis (FPT) e a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) é que não conseguem ver o óbvio porque comungam (teimosa e violentamente) da tese de que o Mundo está contra os seus representados.

 

Tal forma de estar da parte da FPT e ANTRAL têm como principal resultado a morte lenta do sector que dizem querer defender. Mas nada há a fazer pois o Mundo está seriamente empenhando em estar irredutivelmente contra os taxistas.

 

Uma pequena nota final.

 

Já aqui opinei sobre esta (ridícula) batalha contra os moinhos de vento que as Associações de Táxis insistem em travar, pelo que já sei que a certa altura irei ler comentários dizendo que se o caso se passasse no meu ramo de actividade (Direito) eu não teria a mesma visão da problemática.

 

Informo, desde já, a quem pensar desta forma que se há coisa que mais existe na minha regulamentada profissão é concorrência e diversidade na oferta dos mais variados serviços. Para os Solicitadores, Advogados, Agentes de Execução e Notários todos os dias são uma luta titânica para se chegar ao fim do mês e ter as contas em ordem. Eu, obviamente, não sou execpção à regra, pelo que escusam de recorrer ao argumento do “se fosse consigo”.

 

E já agora; tanto a Câmara Municipal do Porto (CMP) como a Câmara Municipal de Lisboa (CML) tem mostrado um enorme interesse em apoiar a insana luta dos taxistas contra o Mundo. Um dado revelador da forma como os nossos políticos só sabem pensar a curto prazo. Ou seja; os Autarcas que presidem às referidas Câmaras querem uma aposta forte no turismo nas suas cidades, mas não querem dotar as mesmas de meios para que tal aposta seja cada vez mais bem-sucedida. Fantástico!

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (10/10/2016)

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publicado às 13:52


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