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Burro velho não aprende línguas

por Pedro Silva, em 03.04.17

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O Ditado “Burro velho não aprende línguas” transporta em si a ideia de que a inteligência e a aprendizagem não são possíveis de acontecer a partir de determinada idade, ou seja que as faculdades cognitivas do ser humano deixam de existir ou que o Homem vai perdendo capacidades. Partindo da ideia de que o ser humano está em constante evolução ( Darwin), e de acordo com a perspectiva construtivista e interaccionista de inteligência, conhecimento e aprendizagem (Piaget), ao Homem é possível a formação ao longo da vida, através de uma constante adaptação e na interacção com os outros. In ÁGORAEDUCACAO

 

Este ditado popular português descreve na perfeição o actual estado de coisas na União Europeia (UE). Com o Brexit a ser hoje uma clara realidade e o crescimento, aqui e acolá, da extrema-direita seria expectável que a Europa procurasse reflectir sobre o seu futuro para evitar um – mais do que - possível colapso, mas não é bem isto que está a acontecer.

 

De um lado temos a Alemanha e os seus aliados a desejar o pior possível para o Reino Unido para, desta forma, amedrontar e ameaçar os – possíveis - futuros dissidentes europeus. Não que a saída do Reino Unido implique cedência alguma da parte da UE à ideia de Theresa May de que se vão embora mas as relações económicas e financeiras entre ambos ficam na mesma. Pelo contrário. O Reino Unido optou pela saída da UE, e agora tem de se “sentar à mesa para se fazer contas”. Mas daí até se chegar ao que os alemães e aliados desejam vai uma longa distância… E no meio desta distância está a extrema-direita que ameaça, cada vez mais, os valores europeus.

 

Da Holanda vieram os primeiros sinais de perigo. Isto, colocando de parte a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos da América, pois claro. Felizmente o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, resolveu levar a cabo meia dúzia de acusações patéticos na altura das eleições holandesas e tal obrigou a que o reeleito Primeiro-ministro dos Países Baixos tivesse de tomar a postura rígida e radical que é do agrado os apoiantes da extrema-direita, mas em França vamos ter eleições para a Presidência da República, e na linha da frente está a Sra. Le Pen que já declarou publicamente que não descansará enquanto o projecto Europa Unida deixar de ser uma realidade. E não me parece que o maluquinho que preside à Turquia salve – mais uma vez - a europa de tão tenebrosa eleição.

 

Nuvens muito negras aproximam-se cada vez mais da Europa e o que fazem os líderes europeus? Uns a pretexto do Brexit estão - repito - muito mais interessados em aterrorizar os seus colegas europeus e outros (François Hollande) preferem uma Europa a duas velocidades que alargue o fosso Norte/Sul que está, aos poucos, a destruir por completo a União Europeia.

 

A solução de grande parte dos actuais problemas da Europa passa pela extinção da moeda única. Isto porque é muito por causa do euro que os cidadãos europeus são fustigados por uma austeridade bruta e cega, mas para tal era preciso que a Europa deixasse - de vez - de ser burra velha e aprendesse línguas.

 

Uma nota final. Sair do euro não é o mesmo que sair da União Europeia. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Para mais hoje em dia temos países europeus que não fazem parte do euro mas que são membros da UE. Este recado é dirigido aos “engraçadinhos” que resolveram comparar Catarina Martins a Marine Le Pen.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (03/04/2017)

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publicado às 16:00

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Desde que Donald Trump venceu as eleições presidenciais no Estados Unidos da América que a Europa e o mundo se tem desdobrado em criticas à política tresloucada que tem sido seguida pela Administração Trump. Algo de perfeitamente normal tendo em consideração que Donald Trump já demonstrou - por mais do que uma vez - que não sabe o que é comportar-se como uma pessoa civilizada. Contudo não se pode dizer que a Europa tenha hoje em dia moral para apontar o dedo aos desvaneios de Trump.

 

Ainda há não muito tempo a Áustria escapou à tangente da eleição de um Presidente da República oriundo da extrema-direita (um “Trumpista”).

 

Na Holanda e França o maior receio é que a extrema-direita alcance o poder nas próximas eleições.

 

Em Inglaterra o Brexit é uma dura realidade, e no comando provisório dos destinos do país está um Executivo liderado por Theresa May que age e pensa como Donald Trump.

 

Na Alemanha tudo indicia que no próximo acto eleitoral Angela Merkel seja eleita para continuar a lenta e progressiva destruição do projecto europeu.

 

Hungria e Polónia têm hoje Governos que foram os percussores das políticas de Donald Trump. E não existem notícias de que as suas populações estejam descontentes com tal. Muito pelo contrário! Na Hungria até existe uma facção apelidada de “camisas negras” (cada vez com mais simpatizantes) que apoia a forma “Trumpista” de estar do Governo liderado por Viktor Orbán.

 

A União Europeia adoptou, adopta e vai procurar sempre adoptar uma postura agressiva e pouco democrática em todas as questões (sensíveis ou não) que lhe surgiram, surgem e surgirão.

 

E por aí adiante…

 

Nós, europeus, sabemos quais os problemas que temos em mãos. Mas não os resolvemos! Andarmos antes dia sim, dia sim a dar notícias e a demonstrar o nosso desprezo sobre as palermices absolutistas de Donald Trump.

 

A União Europeia mantem a mesma postura rígida, xenófoba e estereotipada política que tem arrasado todo um projecto europeu. Com que objectivo?

 

A União Europeia retira algo de positivo com esta sua forma “Trumpista” de estar com os seus e com aqueles que optaram por sair da União?

 

Uma nota final para todos vermos o ponto a que isto chegou. O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou recentemente que Donald Trump e a sua política são um factor positivo para a economia. A mim não me surpreende tal declaração dado que falamos de uma instituição cujo comportamento se assemelha ao de um agiota mafioso, mas tal não deixa de ser um tremendo murro no estômago de quem vê no FMI (e nos “Mercados”) uma espécie de Deus Supremo ao qual se deve obedecer cegamente.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (13/02/2017)

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publicado às 15:00

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2016 está a terminar mas este ficará para todo o sempre na história da humanidade como o ano em que a Democracia mais se fez sentir nos países ocidentais. E tal foi assim para o bem e para o mal. Em alguns países a Democracia permitiu a criação de governos onde o diálogo e cooperação se colocou à frente de tudo e todos, mas em outros os extremismos tomaram o seu lugar no Poder (ou estiveram muito perto de o conseguir).

 

Felizmente Portugal foi um dos parcos exemplos do ocidente onde a Democracia fez nascer um Governo saudável e, sobretudo, aberto ao diálogo com todas as forças políticas. Se cá pelo nosso Burgo a Direita insiste em ser extremista não é por culpa da famosa “Geringonça” mas sim porque esta insiste numa estratégia de radicalização tal que, mais cedo do que tarde, a vai condenar ao fracasso político por muitos e longos anos.

 

Contudo Portugal é, infelizmente, o único exemplo daquilo que a Democracia tem de bom numa era que se adivinha perigosa e extremista. A tal se deve a “fabulosa” postura da União Europeia e das enormes falhas do sistema capitalista nos últimos tempos, mas isto é assunto para outras conversas.

 

Marcelo Rebelo de Sousa rapidamente percebeu o quão preciosa é a “Geringonça” nos tempos que correm. Marcelo tem procurado pautar a sua actuação enquanto Presidente da República pela manutenção de uma estabilidade. Este tem procurado evitar que o famoso “Centrão” regresse ao Poder e ainda bem que o faz pois o problema dos extremismos nas Democracias ocidentais está precisamente no “Centrão”.

 

Não se tenha a mais pequena dúvida de que a rotatividade entre Esquerda e Direita no “Cadeirão do Poder” que o “Centrão” patrocina criou espaço para que recentemente a Áustria tenha estado muito próxima de eleger um Presidente oriundo da extrema-direita. O mesmo tipo de lógica se aplica ao famigerado “Brexit. E, bem vistas as coisas, é muito por culpa do “Centrão” que uma personagem obscura como Donald Trump pôde ser eleita Presidente dos Estados Unidos da América.

 

O ano de 2016 marca o fim de um sistema saturadíssimo que já não consegue dar resposta às necessidades do presente e do futuro do ocidente. O “Centrão” colapsou de tal forma que 2017 poderá vir a ser o ano em que o Mundo ocidental se radicalizará de tal forma que voltaremos a sentir os ventos que assolaram toda a Humanidade no século XX.

 

2016 foi o ano da “Geringonça” vs “Centrão”. Em Portugal a “Geringonça” travou uma árdua batalha mas ganhou a guerra ao “Centrão", mas no resto do Mundo Ocidental tal não sucedeu e 2017 pode muito bem vir a ser o ano em que o “Frankenstein” que o “Centrão” criou irá andar à solta… Isto, claro, se nada for feito para se evitar que tal venha a ser uma triste realidade. As próximas eleições no centro e norte da Europa dar-nos-ão a ansiosa resposta.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (26/12/2016)

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publicado às 19:59


Alea jacta est

por Pedro Silva, em 27.06.16

Imagem Crónica RS.jpe 

Alea jacta est (grafia em latim: alea iacta est) significa, em português, "O dado está lançado", mas traduzido comumente como "A sorte está lançada". Na linguagem popular, é uma expressão utilizada quando os factores determinantes de um resultado já foram realizados, restando apenas revelá-los ou descobri-los. Foi a frase em latim supostamente proferida por Júlio César ao tomar a decisão de cruzar com as suas legiões o rio Rubicão, que delimitava a divisa entre a Gália Cisalpina (Gália ao sul dos Alpes, que atualmente corresponde ao território do norte da península Itálica) e o território da Itália. In Wikipédia

 

E pronto. Eis que o Brexit se tornou realidade. O Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) iniciou o processo de saída da União Europeia. E este é, sem sombra de qualquer dúvida, o momento ideal para que toda a Europa inicie - de imediato - uma profunda reflexão. O Brexit não é um grito de revolta pelo que está a suceder na Europa em si. É antes a manifestação corpórea de uma extrema-direita que está cada vez mais próxima dos corredores do Poder em muitos países europeus e tal irá – mais cedo do que tarde – colocar em xeque a paz no Velho Continente.

 

Sim. Este é um momento que exige reflexão ao invés de estarmos todos a jogar o pachorrento e infinito jogo da culpa. No Brexit todos nós tivemos culpa. Todos sem execpção. É verdade que David Cameron teve mais pujança do que razão quando se lembrou de jogar um jogo político que acabou mal para ele e para os seus. Mas não façam de Cameron o único vilão desta triste história. E deixem o povo britânico de fora deste jogo estapafúrdio das culpas.

 

Se querem apontar o dedo a alguém apontem-no - com força e plena convicção - a todos nós que entregamos a condução do projecto europeu a burocratas em Bruxelas que não sabem ver mais nada senão uma folha de excel e uma série de teorias bacocas neoliberais que não passam de meros pensamentos criados numa qualquer esplanada de café acompanhados de uma boa chávena da mais pura cafeína.

 

Contudo se há pessoa que está perfeitamente à vontade nisto das culpas sou eu. Já há muito que venho dizendo que o caminho que a Europa unida vem segundo há já uns bons anos a esta parte é mau. Péssimo. Terrível. Uma Europa que “mói” Democracias, que “esvazia” Parlamentos, que impõe a sua política pela força da finança, que coloca Norte contra o Sul, que maltrata os Estados-membros periféricos, que financia guerras, que apoia e financia movimentos obscuros e – sobretudo – que se esquece da Democracia, do Estado Social, de igualdade, liberdade e fraternidade em detrimento da alta finança e do grande capital (mercados) não tem futuro.

 

É esta a nossa triste realidade. Uma Europa onde o Brexit está a ser encarado por todos os actores europeus como algo de perfeitamente normal até porque – segundo os burocratas não eleitos de Bruxelas - quem fica verdadeiramente a perder são os britânicos (em último casos os Ingleses).

 

Como é óbvio a extrema-direita afia as facas e agradece de sorriso aberto tal comportamento. A Europa insiste na via-sacra da austeridade nua e crua (algo reprovado pelo FMI) porque os bacocos, ultrapassados e completamente desfasados da realidade Tratados Europeus assim o determinam.

 

Não se tenha a mais pequena dúvida de que a caixa de pandora está aberta e de que os ventos de 33 do século passado voltaram a soprar.

 

Alea jacta est.

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 22:09

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Hoje teve lugar em Paris uma gigantesca manifestação em defesa da liberdade de expressão.

 

Politiquices e politiqueiros à parte que, como oportunistas descarados que são, surgem sempre nestas alturas para dela retirarem o seu proveito há que dizer que a manifestação é legítima e bem-vinda.

 

Agora não creio que a dita venha a ter efeitos por aí além. Isto porque a causa é justa mas não se está a debater um ponto fulcral. A França sofreu vários ataques terroristas antes do atentado ao Jornal Charlie Hebdo (inclusive o dito Jornal já tinha sido alvo de varias ameaças) de terroristas) e, aparentemente, nada se fez.

 

Porquê razão esta gente conseguiu, e consegue, levar a cabo com uma eficácia tremenda os seus ataques terroristas.

 

Sabendo que o dito Jornal era um alvo dos extremistas islâmicos porquê razão as Autoridades Francesas colocaram somente dois Polícias a fazer a vigilância do dito? E ainda por cima dois Agentes sem preparação alguma para enfrentar terroristas como todos vimos! Convêm recordar que a França é um País que conta com unidades anti terrorismo.

 

E já agora, como é que com tanta vigilância, cooperação policial e militar internacional a nível europeu uma das terroristas de Paris conseguiu fugir para a Síria?

 

O Sr. Ministro da Administração Interna Francês que não me venha com a letra de que não tem Policia que chegue para vigiar todos os indivíduos perigosos que se passeiam por solo Gaulês. Isto porque quando o Sr. François Hollande quer encontrar-se com a amante na mansão de um mafioso em França o que não faltam são Agentes de Segurança a trabalhar para que o encontro decorra dentro da maior das normalidades. E isto fora as intervenções militares cirúrgicas que a França tem levado a cabo em Países estrangeiros com uma taxa de sucesso a rondar os 100%.

 

p.s. Nada tenho contra as manifestações de Paris (até as acho salutares e importantes), mas gostava mesmo muito de perceber como é que as ditas se dizem defensoras intransigentes da liberdade de expressão e ao mesmo tempo proíbem a Extrema Direita Gaulesa de participar na dita manif. Eu também sou contra os ideais e ideias da Sra. Le Pen, mas a liberdade de Expressão é para todos.

 

p.s.2 Este tipo de patetices mostram mesmo que não aprendemos nada de nada. Já o Governo Italiano se vinha queixando há meses da permeabilidade das fronteiras europeias mas só agora, depois de várias desgraças em França, é que se lembram de debater o assunto e de sugerir as medidas mais estupidas que existem. Efectivamente o terrorismo está a ganhar a Guerra.

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publicado às 18:04


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