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Da desresponsabilização do Estado

por Pedro Silva, em 05.12.16

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Estão, com toda a certeza, recordados da frase que aqui escrevi sobre a falta de visão da nossa classe política no que à exploração do sector do turismo diz respeito. Na altura disse que os nossos governantes (tanto a nível local como nacional) pensam a curto prazo. E também aqui disse que tal postura irá custar-nos (a nós meros cidadãos) bem caro pois os governantes passam, mas os problemas ficam.

 

Não querendo voltar á temática do turismo porque sobre esta já aqui disse tudo o que tinha a dizer. Vou antes focar-me na nova estratégia do Estado português para - mais uma vez - tentar entregar aos privados uma função que deveria ser sua e só sua. Se nos tempos da governação de Pedro Passos Coelho o ditame do “Estado minimalista” se aplicou a vários sectores de actividade como o fornecimento de água, luz e transportes públicos (entre outros), já o de António Costa resolve aplicar o dito cujo na gestão dos monumentos e edifícios históricos do nosso pequeno país.

 

E tudo isto porque recentemente o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas resolveu iniciar um processo de concessão da Estação ferroviária de São Bento a privados para fins comerciais. A ideia, no geral, é a de que os privados reabilitem por sua conta e risco um espaço que mais tarde será transformado num mercado da Time Out, com um Hostel e um Starbucks. Dito de outra forma; o Estado português quer, desta forma, entregar aos privados aquela que deveria ser a sua responsabilidade de manutenção, viabilização e exploração de um espaço histórico que faz parte da história e vivência de uma cidade (no caso a cidade do Porto).

 

Podemos dar as voltas que quisermos dar mas contra factos não existem argumentos. E o facto é que - quer se goste ou não – nós portugueses somos forçosamente contribuintes e como tal temos o direito de exigir da parte do Estado o cabal e integral cumprimento dos seus deveres- Ora a manutenção, gestão e conservação de monumentos e edifícios históricos são da exclusiva responsabilidade do Estado.

 

Se existem edifícios históricos que se encontram degradados é porque quem deveria ter tratado da sua manutenção não o quis fazer no seu devido tempo. Como tal a solução passa por se arranjar o que tiver de ser arranjado e por procurar responsabilizar quem não o quis fazer mesmo sabendo que era esta a sua obrigação. O problema da (falta de) manutenção de edifícios históricos e monumentos não pode ter como solução a via mais fácil que consiste, tão simplesmente, na entrega da responsabilidade dos restauros e gestão dos ditos ficarem na mão de privados que apenas buscam o lucro.

 

Tenhamos em especial atenção que os edifícios históricos (como a Estação de São Bento no Porto) são muito mais do que simples estorvos que só dão despesa. A Estação de São Bento é uma espécie de “bilhete de identidade” de um Povo. Não podemos deixar que esta nossa identidade caia nas mãos de quem não quer saber do país para nada sob pena de a determinada altura deixarmos de saber quem somos, o que fomos e para onde vamos.

 

Mas pior do que o querer “sacudir a água do capote” é o nosso Estado querer fazer as coisas à revelia de tudo e todos. Passa-se por ciam de tudo e de todos (inclusive da Assembleia da República e Autarquias). Tudo em nome da exploração tresloucada e irracional de um fenómeno que, mais cedo do que tarde, vai acabar por passar. Neste campo tanto a Câmara Municipal do Porto liderada pelo “independente” Rui Moreira e o Bloco de Esquerda actuaram da melhor maneira possível bloqueando a possibilidade de se levar por diante a completa desfiguração da Estação de São Bento fazendo finca-pé perante um Estado que se diz prestador de serviços e inteiramente contra o neo liberalismo.

 

Espero muito sinceramente que a Câmara Municipal do Porto não se deixe levar pela satisfação da sua burocracia e acabe por aceitar a desfiguração de um edifício que é – muito - mais do que uma estação de comboios. São Bento é, acima de tudo, uma das partes mais importantes da história da cidade Invicta, e como tal esta deve ser protegida da tremenda selvajaria que nos últimos tempos se apossou da cidade.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (05/12/2016)

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publicado às 12:50


Nem no Portugal dos pequeninos

por Pedro Silva, em 27.12.14

Eu cá gostaria mesmo muito de saber de que cabecinha pensadora, com a qual o actual Executivo Passos/Portas contratou, saiu a brilhantíssima e fabulosa ideia de mandar encerrar TODOS os Centros de Saíde a partir das 18H.

 

É que isto de ter de ir ao Hospital por causa de uma Gripe tem a sua piada para quem não tenha mais nada que fazer e para quem goste de ver malta com uma dezena de mazelas a passar à sua frente para depois ser atendido, uma dúzia de horas depois de ter dado entrada nas Urgências do Hospital claro está, por um Médico(a) que vai simplesmente olhar para mim e receitar uns antibióticos… Ah, e no final deixa-se 20€ de Taxa Moderadora por ter estado horas a fio a ocupar uma cadeira na Sala de Espera.

 

Realmente assim se percebe porquê razão a malta do Privado (Saúde) anda tão caladinha e satisfeita. No tempo de Sócrates era manifestação dia sim, dia sim.

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publicado às 23:48


Já chega de propaganda, não?

por Pedro Silva, em 16.10.14

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Ontem e anteontem tem sido um fartote nos Telejornais com a história do IRS e das Famílias numerosas. Ao que parece daqui para a frente o IRS vai passar a ter em conta todo o agregado familiar. O número de filhos e, em alguns casos, dos próprios avós a cargo vai permitir reduzir o imposto a liquidar.

 

Tudo muito bonito não hajam dúvidas. Fica-se bem na fotografia com medidas destas e com uma Imprensa inteira a ajudar na propaganda ainda melhor se fica. É fácil, incrivel e terrivelmente fácil, desmontar este folclore todo, porque o problema das Famílias numerosas e da natalidade em Portugal não passa somente pela descida do Imposto a pagar em sede de Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS).

 

Ora vejamos as coisas como elas são; um casal antes de ter filhos tem de pensar em várias coisas fundamentais tais como: alimentação, roupa, electricidade, água, telefone, casa para poder albergar os filhos, acompanhamento médico (vacinas, medicação, farmácia e outras coisas tais), ensino (infantário, colégio, escola, propinas, material escolar e por aí adiante) e imprevistos que surgem na Vida de uma Criança. A tudo isto que aqui expus é sempre acrescido Impostos e Taxas cujos valores se mantêm em níveis elevadíssimos.

 

E quer esta gente da Imprensa e Governo fazer-nos crer que estão a fazer um grande favor a todos nós com esta medida? Como espera o Executivo de Passos/Portas combater a fraca natalidade Lusa com esta migalha que a Comunicação Social resolveu transformar em pão abundante? Tomam-nos a todos por lorpas? Só se for, porque de outra forma não existe justificação para tanta propaganda.

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publicado às 16:03


Até eles

por Pedro Silva, em 13.05.14

Este é um desenho de uma criança que está no 5.º ano da Escola Francisco Torrinha onde trabalha a minha Mãe.

 

Por ter achado piada ao trabalho do míldio, eis que resolvi publica-lo aqui para que todos possam ver o que o tal sucesso da austeridade cega, dura e crua que o actual Executivo promoveu nos últimos 3 anos com o patrocínio da União Europeia fez e faz na opinião de uma criança que não terá muito mais do que 10 anos de idade.

 

O Sr. Deputado Nuno Melo e Paulo Rangel que continuem a abrir garrafas de champanhe e o Sr. Ministro Polares Maduro que venha congratular os Portugueses por tudo o que passaram e não olhem para este caso.

 

Até eles, miúdos, já não os suportam. Imaginem agora os graúdos.

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publicado às 16:01


O recado de Portas

por Pedro Silva, em 24.11.13

Toda a gente viu o que passou na manifestação dos Polícias. E presumo que toda a gente percebeu a mensagem que estes fizeram passar, mensagem que convêm recordar que foi “assinada” por todas as Forças da Ordem.

 

Contudo duas personagens da nossa Sociedade não perceberam nada do que ali se passou. Melhor, não perceberam ou não querem dar a entender que perceberam.

 

Tanto o Governo como os Partidos do arco de governação resolveram passar para o público uma nota de repúdio pelo sucedido e inclusive o Executivo Passos/Portas forçou a demissão do Director Nacional da Policia. E como se não bastasse o Sr. Vice-primeiro Ministro veio para a Praça Pública com um discurso demagógico afirmando entre outras coisas que o Povo só pode mostrar a sua indignação através do voto e não desta forma.

 

Então se o Dr. Paulo Portas entende que a única forma legítima de o Povo mostrar a sua indignação é através do voto, este que se demita e force a realização de novas eleições em vez de mandar recados do alto.

 

Pelos vistos o crónico problema de falar com a boca cheia não é um exclusivo do Dr. Mário Soares.

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publicado às 18:00


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