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E a Escócia?

por Pedro Silva, em 13.10.20

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Com a mais do que provável saída do Reino Unido da União Europeia e tendo em consideração as especificidades  muito peculiares do Reino Unido e da sua história (que de pacifico tem muito pouco, diga-se desde já), apetece-me levantar aqui uma questão que ainda ninguém quis ou ousou levantar de tão entretidos que andam com o regresso de uma suposta fonteira física na República da Irlanda sempre que o assunto “Brexit” vem ao de cima.

Não estou com tal, de forma alguma, a querer desvalorizar ou secundarizar a questão da fronteira entre as duas Irlandas. Tal é um dos pertinentes assuntos do “Brexit” que merece uma reflexão bastante grande, ponderada e racional q.b. para que a resposta ao problema seja, no mínimo do possível, a mais adequada possível à problemática.

Contudo, face ao que a história recente nos demonstrou, estou deveras curioso para saber qual a reacção daqueles que batem no peito sempre que se fala de Europa quando a Escócia reclamar a sua independência no pós “Brexit”.

Esses mesmos que batem com orgulho no peito e “falam grosso” com o Executivo de Londres são os mesmos que dantes tudo fizeram e de toda a retórica se serviram para fazer da independência escocesa uma espécie de pesadelo. Chegaram mesmo, inclusive, a condenar a Escócia ao isolamento económico e civilizacional porque esses sabem que na sua casa também existem povos que merecem decidir por si, e por si só, o seu destino e futuro enquanto povos soberanos.

Não se tenha a mais pequena dúvida de que a Escócia irá mesmo avançar para a sua independência. Isto porque tudo indicia que o chamado “Hard Brexit” vai ser uma realidade. De quem vai ser a culpa de tal não importa nem interessa porque ambas as partes só têm a perder com tal. Só mesmo o irracional irá fazer com que os escoceses permaneçam no Reino Unido.

É uma certeza a candidatura da Escócia à União Europeia quando estiver terminada a saída à força do Reino Unido da Europa. E aí é que vamos todos ver aquilo de que é feita essa mesma União Europeia. Isso porque não se pode, nem se deve, querer ser uma potência internacional e não se saber tirar proveito de uma situação que irá, com toda a certeza, colocar Londres em muito maus lençóis.

A Europa de Von der Leyen terá na questão escocesa – mais – uma oportunidade de mostrar ao Mundo que não é a tal manta de retalhos onde ninguém se entende.

A ver vamos como tudo se vai desenrolar, mas, não querendo ser acusado de pessimismo irritante, não creio que a figura da manta de retalhos onde toda a gente ralha e só se entende depois de muita exposição mediática vá desparecer. Pelo contrário! Quando chegar a hora H, quem se vai ficar a rir será Londres e a sua bacoca e desajustada visão imperialista do Mundo. Já a União Europeia vai continuar a ser o motivo de risota a nível diplomático (e não só).

E já que falamos de Europa…

António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa e líderes partidários tem lançado os foguetes e feito a festa em torno dos fundos europeus que, pelo que se ouve e lê, vêm salvar a nossa pátria.

Há que dizer o que não se diz ou pouco se fala e escreve.

O processo dos tais fundos milagrosos ainda está no início. A concessão dos mesmos tem ainda de passar pelo crivo dos Parlamentos de cada Estado-membro e algo me diz que quando os ditos chegarem ao Parlamento da Holanda, Áustria, Alemanha, Finlândia, Suécia, Polónia e Hungria a coisa vai travar a fundo…

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/10/2020)

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publicado às 21:30


Avante! O resto é paisagem

por Pedro Silva, em 01.09.20

Imagem Crónica RS.jpg

Já aqui o disse por mais do que uma vez, mas creio não ser demais repetir. Tenho pouca – nenhuma até – paciência para opinar, ouvir e, inclusive, procurar entender a politiquice do nosso pequeno burgo que dá pelo nome de Portugal. Especialmente quando temos outros assuntos, esses bem mais graves como a rebaldaria e exploração sem vergonha nos Lares em Portugal que a crise provocada pela Covid-19 acabou, mesmo que indirectamente, por expor.

Olhando lá para fora, no Médio Oriente a Turquia de Erdogan faz tábua rasa da aliança que dá corpo e forma à NATO em nome da expansão bélica turca. A Grécia, inimiga de estimação da Turquia, é o principal alvo dos turcos. Nem a França, símbolo da União Europeia, consegue intimidar a conquista de recursos naturais (entenda-se gás natural) um governante que se eternizou no Poder com omq87al o Ocidente pactua e tolera.

Mas há mais.

No Velho Continente cada vez mais dominado e aterrorizado pelo avanço de movimentos extremistas onde o apelo ao racismo e intolerância tem tido como resposta a intolerância e violência, continua o jogo de forças cokm a Federação Russa.

Tal mais não é do que uma tentativa quase que desesperada dos cada vez mais autoritários e autocráticos polacos e húngaros de se vingarem dos tempos de terror da “Cortina de Ferro”. Democracia é coisa que fica em segundo plano para estes dois dos maiores representantes do avanço da extrema-direita em solo europeu. Nem o facto de o respeito e manutenção da Democracia e a necessária separação de poderes ser condição fundamental para se permanecer na União Europeia e, dessa forma, poder continuar a usufruir dos sempre apetecíveis fundos comunitários. Importante mesmo é deitar por terra uma Bielorrússia que autoritária ou não, mantêm a paz na Europa.

Ma lá está, Problema mesmo é essa coisa do “Avante!”. É sobre isso que a nossa classe política, vulgos analistas, comentadores e pensadores políticos se devem debruçar. Rui Rio, presidente do Partido Social Democrata (PSD) tinha de arranjar algo que mantivesse o pessoal entretido e a lés do avanço eleitoral do partido de André Ventura que, com o seu discurso errático e xenófobo, lá vai puxando a brasa à sua sardinah que é como quem diz, a ganhar cada vez mais força e credibilidade junto de um eleitorado farto (para não dizer fartinho) da politização de não assuntos como esta coisa do “Avante!”.

Para que conste, não vá aparecer por aí o vazio discurso da praxis, não sou simpatizante com a dita festa do “Avante!”.

Primeiro porque isto dos festivais de Verão nunca me disseram nada e muito menos me dizem, disseram ou dirão festas de partidos que mais parecem concentrações de focas amestradas que batem palmas em troca de um qualquer peixe ou peixinho.

Segundo, estou longe de perceber a razão de uma festa como o “Avante!” (que celebra a ideologia comunista e o ser-se comunista) ser o expoente máximo do capitalismo selvático que essa mesma ideologia comunista tanto critica e repudia violentamente.

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publicado às 21:30


E agora não falam?

por Pedro Silva, em 05.05.20

imagem crónica rs.jpg

Enquanto que cá pelo nosso Portugal perdemos tempo a debater o que não tem interesse algum como é o caso de os peregrinos não poderem participar nas celebrações de Fátima, por este Mundo fora vão acontecendo coisas graves. Gravíssimas que tem por base a pandemia que devastou por completo o nosso modo de estar na Vida e que, em certos países, aumentou o crasso e problemático fosso social.

O maior exemplo de tal é o Brasil. Na República Federativa do Brasil a desigualdade social não é uma novidade. É algo que se tem vindo a agravar nas últimas décadas. A governação de Lula da Silva e Dilma Roussef, juntamente com um conjunto favorável de factores económicos, pode ter atenuado um pouco o problema, mas a verdade é que este nunca deixou de existir. A crise da Covid-19, aliada à forma caricata e – porque não dizê-lo? -apalermada como Jair Bolsonaro tem gerido a problemática para desta tirar proveito e (quem sabe?) arranjar forma de se eternizar no poder, apenas tem exposto ainda mais o quão desigual é o país das chuteiras.

Ainda esta semana o famoso jornal Folha de São Paulo publicava um estudo em que ficava bem patente o quão desigual é o Brasil. Segundo este matutino, a ordem de confinamento era acatada pelas classes mais abastadas enquanto que as que oferecem mais resistência são as mais pobres (entenda-se favelas). Tal tem sido bem patente na forma como a pandemia se tem espalhado pelos vários Estados brasileiros com Manaus, o parente mais pobre de todos, mergulhado num caos sem precedentes.

Como se não bastasse, no meio de tudo isto Jair Bolsonaro, Presidente eleito da República Federativa do Brasil apoia publicamente manifestações que pretendem impor uma ditadura militar, atenta contra os órgãos de soberania sempre que estes não acatam os seus desejos e ensejos, demite ministros que não pactuam com o seu tremendo desleixo perante a mortalidade provocada pelo coronavírus, apoia e incita actos de violência contra órgãos da comunicação social que o criticam e apela à violência física e verbal contra quem acha que a pandemia se deve combater da mesma forma que a maioria dos países (isolamento social, confinamento, paragem da actividade económica, etc).

Jair Bolsonaro acha que a Constituição lhe deve lealdade e respeito. Quando em democracia deveria ser o oposto. E, salvo prova em contrário, o Brasil é um país onde impera a democracia. Recorde-se que Bolsonaro foi eleito. Não tomou o poder de assalto pela força das armas.

Em suma, Jair Bolsonaro actua, pensa, age e participam e patrocina actos públicos que assentam no autoritarismo. Uma postura idêntica em muitos aspectos ao de Nicolás Maduro, conhecido líder da Venezuela.

Ê aqui que reside o cerne da questão… Maduro é – muito bem – fortemente criticado e isolado por algumas nações europeias, sul americanas e Estados Unidos da América. Já Jair Bolsonaro parece ser apontado como um maluquinho que tem piada porque no Brasil tudo se compra, tudo se tolera e tudo se faz porque tudo tem um certo e determinado preço.

Bem sei que estamos todos a passar por uma crise a todos os níveis sem precedentes e que vai deixar marcas profundas, para todo o sempre, nas nossas vidas, mas apetece-me perguntar que a história não nos ensina mada?

Bolsonaro não está a fazer nada de novo. Nada que anteriormente não tenha sido feito na américa latina com o alto patrocínio dos Estados Unidos e de muitas nações europeias que fizeram com que ditaduras sanguinárias prosperassem durante décadas.

É caso para se dizer, e agora não falam? Ou só falam quando o maluco que se apossa do poder é oriundo da esquerda radical?

Artigo publicado no site Repórter Sombra

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publicado às 21:30


Os três patetas

por Pedro Silva, em 27.03.20
Os três patetas (da direita para a esquerda na foto: Alemanha, Áustria e Holanda) que vão destruir um projecto europeu que durante décadas manteve a paz no Velho Continente.

the-three-stooges.jpg

E tudo isto em nome das ideias pré concebidas.

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publicado às 22:41


Acabou-se o excel

por Pedro Silva, em 24.03.20

imagem crónica RS.jpg

Todo o que nasce, morre ou se esgota no tempo. Esta é uma verdade infalível e à qual não podemos, de forma alguma, escapar. Outro facto universal que tem uma aplicação prática perfeita mente implacável é a de que todas as acções tem consequências. A actual crise pandémica provocada pela Covid-19 (SARS-COV-2 para os entendidos) que está, lentamente, a tomar conta do nosso planeta é um bom exemplo das duas verdades universais a que fiz referência.

O dito sistema capitalista que se apoia na tese de que dinheiro gera dinheiro mesmo que tal seja na base da especulação, compadrio e destruição de quem se atrever a contrariar o sistema está a ver o seu fim a aproximar-se. O “Deus dinheiro” tem os dias contados. Tal como o comunismo que se exterminou a si próprio porque se recusou teimosamente a adaptar, o orgulhoso capitalismo tem o seu destino traçado. Isto a não ser, obviamente, que se perceba de vez que a folha de excel – tal como o papel higiénico que andou tão em voga nos últimos tempos - se acabou de vez.

Goste-se ou não, para além da clara e manifesta displicência com que a Europa tratou do problema coronavírus (é sempre a mania da superioridade que nos trama), a verdade é que estramos no estado caótico em que estamos por força dos cortes à cega em sectores cruciais como a saúde, higiene e administração das nossas cidades e países.

Repare a leitora e leitor que foi preciso uma crise sanitária sem precedentes que está, literalmente, a varrer a vida humana de Itália, Espanha, França e por aí adiante para que na Europa rica e desenvolvida surgisse, de vez, a fabulosa ideia de que os espaços e transportes públicos devem estar devidamente higienizados e que nas fronteiras e aeroportos deve haver, sempre, um claro e rigoroso controlo sanitário para, desta forma, se poder, na pior ads hipóteses, amenizar situações como a que estamos a viver hoje em dia. Situações que agora nos obrigam a ter de estar fechados em casa em nome da nossa sobrevivência.

E porquê razão não se fez o que se deveria ter feito para além da mania da superioridade que tão bem caracteriza o europeu e demais ocidentais? A resposta é simples. A folha do excel não o permitiu porque é muito melhor ter-se um belo excedente orçamental à custa de poupanças na saúde e outras coisas tais. Que o digam Itália, agora Espanha e daqui a nada a França, países onde a crise do Covid-19 está a arrasar as saus sociedades.

E agora que se acabou o excel na Europa será que se pode olhar para o futuro com esperança? Não sei até porque agora a ordem é para se gastar o que for necessário para se travar a actual crise a todo o custo. Daqui a dois anos voltamos ao mesmo… Pessimismo? Nem por isto. Basta ter memória.

Artigo publicado no site Repórter Sombra (24(03/2020)

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