Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sacudindo a água do capote

por Pedro Silva, em 27.11.18

Imagem crónica RS.jpg

Face às recentes notícias, o «Brexit» parece ser cada vez mais um facto. É verdade que poderão ainda existir meios legais e políticos que possam atrasar ou, inclusive, até mesmo impedir que a saída do Reino Unido da União Europeia seja uma realidade, mas estou em crer que o «Brexit» vá mesmo ser uma realidade com a qual todos nós teremos de lidar. Isto, repito, face ao que tem sido amplamente noticiado nos últimos tempos.

 

Tudo isto é, sem sombra de dúvida, uma péssima noticia para todas as partes envolvidas no processo. É uma má notícia para Inglaterra/Escócia/Gales/Irlanda do Norte porque se vão aventurar num profundo desconhecido comercial e económico-financeiro (de nada servem os recentes apelos de Theresa May para que as “colónias” australiana e indiana “salvem a honra do convento”) e é também uma terrível noticia para os europeus que terão de lidar com a saída de uma dos maiores contribuintes da União Europeia onde, por mero acaso, se localizam muitos dos grandes interesses financeiros do Velho Continente.

 

Ora face a tal penso ser pertinente uma profunda reflexão sobre o que colocou a Europa e o Reino Unido nesta situação. E esta reflexão não pode passar nem deve passar – nunca – pelo famoso sacudir a água do capote que muitos agentes políticos levaram a cabo. Espacialmente em Portugal dado que o PSD de Rui Rio assume publicamente que problemática é a consequência de uma decisão soberana dos britânicos deixando de lado (se calhar por conveniência, digo eu) tudo o resto.

 

Não estou com isto a dizer que a forma como o PSD (e outros partidos da direita europeia) olham para o problema está completamente errada. Em parte até que tem a sua razão. Mas não convêm descurar o resto. E aqui por “resto” não se entenda as famosas «fake news» e outras coisas tais que servem de desculpa para tudo o que de mau a Democracia produz. O tal “resto” a que me refiro é a política autoritária de austeridade cega que a Europa seguiu nos últimos anos. Foi esta mesma política que colocou os Povos do Norte da Europa contra os Povos do Sul da Europa e que fez renascer os famosos estereótipos que “rasgam” a Europa- Tal aliado às consequências da desastrosa “Primavera Árabe” criou a “tempestade perfeita” que fez com que o «Brexit» viesse a ser uma realidade.

 

È por tudo isto - e pelos tremendos desafios que o «Brexit» vai colocar a ambos os lados – que este sacudir a água do capote por parte de alguns agentes políticos com responsabilidades acrescidas pode vir a ser tremendamente perigoso. Convêm recordar os mais “distraídos” que as “feridas” abertas pela postura tresloucada dos últimos tempos do Eurogrupo ainda estão bem abertas e não faltam por esta Europa fora movimentos populistas que se vão aproveitar de tal para, desta forma, poderem chegar ao Poder e colocar – ainda mais – em xeque todo o projecto europeu.

 

Hoje, mais do que nunca, é necessário fazer-se uma profunda reflexão sobre a Europa e não sacudir a água do capote como se tem feito nos últimos tempos numa Europa onde o “Centrão” tem procurado destruir uma harmonia que foi tão difícil de conquistar após duas grandes guerras-

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (27/11/2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:30


Em Roma sê romano?

por Pedro Silva, em 30.10.18

imagem crónica RS.jpg 

Numa altura em que no mundo da política – quase – todos os debates se centram na elaboração, analise e discussão dos orçamentos dos Estados-membros da União Europeia para o próximo ano, eis que em Itália assistimos a um filme (estilo drama) já antes visto. Quase que se me atrevo a dizer que é uma espécie de «Déjà vu», mas não o faço porque a Itália está longe (muito longe) de ser a Grécia.

 

Acredito que com tanto alarido (e justificado, diga-se desde já) em torno da eleição do político fascista jair Bolsonaro, já ninguém sem recorde que a Europa tem hoje em mãos um tremendo problema. O governo italiano resolveu afrontar a Europa dos burocratas dizendo publicamente, e por mais do que uma vez, que quem manda na elaboração do seu orçamento é a Itália e os italianos. E fê-lo de uma forma aberta, agressiva e sem pudor algum.

 

Resta-nos perceber a razão para tal comportamento. Algo que cá pelo nosso país ainda não se fez. Tal será assim talvez pelo facto de Mário Centeno ter sido “apanhado” com sucesso na ratoeira que o eurogrupo lhe montou há uns tempos atrás. E é claro que a natureza política do actual elenco governativo transalpino de extrema-direita incita a que quem opine procure a justificar o problema com a natureza política do tal elenco. Pessoalmente - como apreciador de um bom desfaio dado é que isto que nos faz evoluir enquanto seres pensantes – prefiro ver o problema de outra forma. Prefiro ir pelo caminho mais difícil e não pelo atalho que muitos escolheram seguir colocando-se, sem apelo nem agravo, do lado dos burocratas de Bruxelas.

 

Quando olho para a problemática do Orçamento italiano de 2019 e para a forma como o governo de extrema-direita sediado em Roma reagiu à “nega” que Bruxelas deu ao dito, vem-me rapidamente à memória as sucessivas violações dos tratados orçamentais que tanto a França como a Alemanha levaram a cabo nos últimos anos. Especialmente nos tais anos do “ajustamento” levado a cabo nos países da Europa do Sul.

 

Claro que quem defende os burocratas de Bruxelas e os seus “Tratados” se escuda no argumento de que o actual governo de Itália é populista e radical. E até que são argumentos válidos. Contudo não se pode apelar a uma parte do problema quando que devemos é antes procurar resolver o dito como um todo.

 

Isto porque a Itália é – tão-somente – a terceira maior economia da Europa. À sua frente estão a França e a Alemanha, países que, repito, no passado violaram sem apelo nem agravo os tais de “Tratados Orçamentais”. E não, o argumento de que tanto a França como a Alemanha não tiveram a postura agressiva da Itália de hoje não singra. E não singra porque está mais do que provado que na Europa dos tempos que correm o velho brocado de “em Roma, sê romano” não se aplica. Basta que para tal se seja dono de uma das maiores economias da Europa. A Grécia de Tsipras é a prova viva de tão enfadonha realidade.

 

Ora face a tal, concluindo, depois há quem fique muito admirado e olhe com uma natural cumplicidade para todo este retrocesso político europeu que está aos poucos a “abrir” as portas ao regresso em força da extrema-direita e das ideias fascistas.

 

Artigo publicado no site Repórter Soimbra (30/10/2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:30


É a Alemanha estúpidos!

por Pedro Silva, em 19.07.15

Eu sei que está toda a gente farta da Grécia, de ouvir notícias sobre a Grécia, de falar da Grécia. O sistema mediático tem este efeito de rápido cansaço e gera também a vontade de passar para outra coisa ou outra causa. Para além disso, tudo parece já estar decidido e não vale a pena chover no molhado. Vale, vale.

 

Depois há a sensação de derrota dos filo-helenos, seja dos políticos pró-Syriza, seja dos admiradores mais dos gregos do que do Syriza. Todos partilham uma sensação incómoda porque mistura sentimentos de traição, humilhação, derrotismo, impotência, tudo coisas pouco amáveis para a auto-estima.

 

Ainda pior é ver a alegria dos que, ao lado de personagens como Dijsselbloem, gozam a sua vingança contra Varoufakis que, de todo não respeitava o holandês pedestre, e contra os gregos que tiveram o arrojo de votar “não”. Digamos que é o clube português dos fans de Dijsselbloem, que festeja a vitória em artigos nos locais certos, nas redes sociais e nos comentários, numa espécie de jogo de futebol contra o clube português dos fans de Varoufakis, no qual, imagine-se a brilhante inteligência, incluem… António Costa.

 

Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem. O problema é que sabem: querem manter-se no poder e prosseguir um programa de revanche social e política contra os que desde o 25 de Abril lhes roubaram o direito natural de mandar.

 

É por isso que me é inaceitável o argumento salomónico que muitos socialistas usam para se justificar, atribuindo “culpas” ao governo grego e à “Europa”, umas concretas e com alvo, as outras abstractas e genéricas, como se o resultado final se devesse ao modo como os gregos se comportaram nas negociações e não à recusa sempre sistemática dos alemães e do Eurogrupo em negociar fosse o que fosse, com o apoio dedicado dos socialistas. Os gregos podem ter feito todas as asneiras possíveis, que isso não justifica o que se passou. Mesmo os meses que durou isto tudo, não foram os meses necessários para negociar qualquer coisa, mas os meses necessários a colocá-los entre a espada e a parede e por fim vergá-los. Nunca, jamais, em tempo algum, poderia ter sido de outra maneira, porque nunca quem manda desejou que fosse de outra maneira.

 

Muitas das propostas gregas logo de início eram bastante moderadas (recordam-se de como os fans de Dijsselbloem disseram que os gregos tinham vergado como Hollande…), mas a perigosidade evidente de um governo como o do Syriza obter qualquer ganho de causa era inaceitável para governos como o português e o espanhol, e era uma bofetada para os socialistas colaboracionistas. A questão nunca foi conduzir bem ou mal as negociações, mas o facto de, por imposição da Alemanha, se ter sempre decidido que não havia acordo com os esquerdistas do Syriza.

 

Os alemães e os seus acólitos tinham um programa de humilhação, com um acordo que foi afinal escrito pelo Syriza a branco, para eles o reescreverem a preto. O acordo com a Grécia, na realidade um diktat, só tem uma lógica: obrigar os gregos a engolir tudo o disseram que não desejavam. Não tem lógica económica, nem financeira, tem apenas uma lógica política de humilhação. Querias isto? Pois levas com um não-isto. Foi assim que foi feito o chamado acordo.

 

E não me venham com o argumento de “confiança”, por parte de governantes como Merkel, Rajoy e Passos Coelho que apoiaram Samaras e a Nova Democracia até ao fim, sabendo que apoiavam um governo corrupto e oligárquico, coisa que o Syriza nunca foi acusado de ser. Esse governo “confiável” literalmente evaporou centenas de milhares de milhões de euros e permitiu que a Grécia, endividando-se até ao limite, funcionasse como tapete rolante para reciclar a dívida dos bancos franceses e alemães para os contribuintes europeus. E não me falem de “confiança” face a um acordo-diktat em que ninguém acredita, em que ninguém “confia” e que assenta no poder e no cinismo.

 

É uma exibição brutal de poder, que coloca a Grécia a ser governada de Bruxelas e Berlim, por gente que vai decidir os horários das lojas ao domingo, quem pode ter uma farmácia, como funcionam as leitarias e as padarias, e quem pode conduzir ferrys para as ilhas. Mas há mais: são revertidas decisões constitucionais de tribunais gregos e, como em Portugal se fez, mudanças legais para acelerar despejos, expropriações, falências e para retirar aos trabalhadores direitos sindicais e de negociação.

 

Texto de opinião de José Pacheco Pereira publicado no Jornal Público

 

O negrito e o sublinhado que vemos no texto de Pacheco Pereira são da nminha autoria. São extractos da realidade que os "pró Alemanha fora do €" e que acham que a Alemanha é a "Dona disto tudo" pretendem ignorar.

 

Já agora se vos aprouver leiam também o que um antigo Dirigente do FMI disse sobre o último "acordo" Bruxelas/Atenas. Quando um tipo destes mostra ser mais Europeísta que os Europeístas é sinal de que algo está mal... Muito mal!

 

Amanhã voltamos a falar sobre a Grécia/UE.

TOM_germany-decline.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:38


O estado a que chegamos

por Pedro Silva, em 13.07.15

AngelaMerkeleasreformasnaGrecia.gif 

Depois de ter visto o vídeo que o Eurodeputado Belga, o Sr. Guy Verhofstadt, publicou no seu mural do Facebook veio-me logo à cabeça a famosa e emblemática declaração do Capitão Salgueiro Maia que resolvi colocar no topo deste meu texto de opinião.

O actual momento é de acção e não de “politiquices“ e outras “baboseiras” próprias da política. E perdoem-me, desde já, o recurso ao calão Brasileiro mas não sei que outra forma utilizar para descrever o quão estúpido estão a ser alguns membros de órgãos decisórios Europeus que fazem lembrar o discurso de quem governou a Alemanha durante a 2.ª Guerra Mundial.

 

Leia o artigo completo no Repórter Sombra

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:31

Reaccão da União Europeia ao Referendo Grego:

 

10h42 - Em declarações à rádio alemã Deutschlandfunk, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, disse que se o 'Não' sair vencedor, a Grécia terá de introduzir uma nova moeda "porque o euro deixa de estar disponível como meio de pagamento". "No momento em que alguém introduz uma nova moeda, sai da zona euro. São esses dados que me dão alguma esperança que as pessoas votem 'Não' hoje. Numa outra entrevista ao Die Welt am Sonntag, deixou no entanto a porta aberta a um eventual crédito adicional de emergência a Atenas para garantir o funcionamento de serviços públicos.

 

Reacção do Banco Central Europeu (BCE) ao Referendo Grego:

 

10h30 - O membro do comité executivo do BCE, Benoît Coeure, garantiu esta manhã à Reuters que o BCE está pronto a tomar medidas adicionais em relação à Grécia, se necessário. No final da semana passada o BCE deixou inalterado o tecto máximo da linha de liquidez de emergência para os bancos gregos, que encerraram na segunda-feira passada e deverão reabrir nesta terça.

 

Reacção do Eurogrupo ao Referendo Grego:

 

08h30 - Alexis Tsipras vota numa escola pública de Atenas, rodeado de apoiantes do 'Não'. À saída, disse aos jornalistas que "hoje a democracia vence o medo" e que a decisão de questionar os planos dos credores abre o caminho para que outros estados-membros façam o mesmo.

 

10h24 - Em declarações ao jornal Dimanche, o presidente francês François Hollande diz que o lugar da Grécia é no euro, independentemente do resultado do referendo. O primeiro-ministro Matteo Renzi já fez questão de salientar o mesmo: "Quando vemos um reformado a chorar em frente a um banco e filas para as caixas automáticas, percebe-se que um país tão importante para o mundo e para a cultura não pode continuar assim", disse ao jornal Il Messaggero. 

 

11h26 - O ministro da Economia francês, Emmanuel Macron, alertou para a necessidade de os parceiros europeus não ostracizarem Atenas seja qual for o resultado do referendo, para evitar uma situação semelhante à que aconteceu com a Alemanha depois da I Guerra Mundial."Qualquer que seja o resultado da votação, temos de reiniciar os contactos políticos amanhã [segunda-feira]. (...) Não vamos repetir o Tratado de Versalhes", disse, citado pela Reuters.

 

11h40 -  Também o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, já votou. Aos jornalistas disse que "o povo grego não tem culpa dos enormes fracassos do eurogrupo" e que o povo se pronuncia "perante o último ultimato" do eurogrupo e dos credores. "É um momento sagrado, um momento de esperança para a Europa", afirmou.

 

12h33 - Mariano Rajoy no twitter: "A Europa foi e continuará a ser solidária com a Grécia, mas não pode haver solidariedade sem a responsabilidade de todos". O primeiro-ministro falava num evento da fundação FAES, ligada ao Partido Popular. "Queremos o melhor para o povo grego. Esperemos que acertem e se mantenham no euro", acrescentou.

 

Reaccão da Direita Europeia ao Referendo Grego:

 

10h27 - "Hoje os gregos decidem o destino do nosso país. Votamos 'Sim' à Grécia, 'Sim' à Europa", disse o antecessor de Alexis Tsipras no governo de Atenas, Antoni Samaras, depois de votar.

 

Excertos retirados do site do Jornal Diário Económico

 

Resumindo e concluindo;

 

- Se retirarmos os Talibans do Eurogrupo a solução para o problema Grego já teria sido encontrada há muito tempo sem necessidade de tanto barulho e confusão;

 

- A Democracia está para a actual União Europeia como as casas de Alterne para os seus Clientes;

 

- Por último, tem a sua piada ver a Direita Europeia a insistir na sua fórmula de governação autoritária e austera mesmo quando os resultados se mostram desastrosos.

B8NeTawCEAA1JF-.jpg 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:24


Mais sobre mim

foto do autor


gatices


gatos no telhado


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Calendário

Dezembro 2018

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

Futebol Clube do Porto


9 de Março de 1916

<<Por cada soldado, uma papoila

No a l'opressió d'Espanya!


Catalunya lliure!


Portugal é uma Democracia

13769388_930276537084514_2206584325834026150_n

Publicidade




Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D