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Isto vai acabar mal

por Pedro Silva, em 07.04.20

Imagem Crónica RS.jpgHá quem me acuse de ser pessimista. E confesso que talvez o seja. Ou melhor, como qualquer Ser Humano tenho momentos para tudo. Começo primeiro por reagir às adversidades, depois  acabo por me adaptar às mesmas e, com o tempo, acabo por saber conviver com as tais adversidades. Talvez tudo isso possa ser apelidado de pessimismo, contudo é assim que vivo e tenho pautado uma grande parte da minha vivência. Ora algo que tenho sempre presente nesta minha forma de estar é a de procurar estar sempre um passo à frente sem nunca deixar de olhar para trás porque, ao contrário do que muitos pensam, a história ensina-nos muita coisa. E talvez isto explique o muito do meu “pessimismo”.

Isto para aqui dizer que a crise do novo coronavírus (Covid-19) não só não vai ensinar absolutamente nada à Humanidade como me faz crer, cada vez mais, que isto tudo vai acabar mal. Muito mal. Especialmente no nosso ocidente que se orgulha de ser tão civilizado e solidário. Tão humanitário e solidário que começa a ser notícia recorrente o roubo à descarada de material médico uns dos outros… Que o digam França, Alemanha e Espanha que já viram os seus grandes aliados Estados Unidos da América e Turquia a tomarem de assalto material médico que se encontrava a caminho dos respectivos países.

E que dizer dos Estados Unidos da América? Nação que é para nós ocidentais o maior símbolo de democracia, igualdade, compreensão e desenvolvimento? Na terra das oportunidades, liderada por um louco que é cada vez mais idolatrado pelos seus, a saúde de milhões está em risco porque simplesmente não tem dinheiro para poderem subscrever um seguro de saúde que lhes possibilite ter acesso a ajuda hospitalar quando dela precisam. Que rico exemplo de solidariedade e de humanismo esse da maior democracia do Mundo.

Mas deixem-se estar que por cá no Velho Continente o cenário não é muito melhor.

Para os que pensavam que a Europa tinha aprendido alguma coisa com o Brexit, eis que o tal de coronavírus veio demonstrar – mais uma vez - que “burros velhos, não aprendem línguas”. E não só não aprendem como ainda insitem em chavões muito populares na extrema direita europeia que dizem que os países da europa do sul são preguiçosos e desleixados e como tal são os culpados de tudo o que está a acontecer.

Mutualização de dívidas na União Europeia? Mas por acaso a Alemanha, Áustria e Holanda tem de “sustentar burros à argola”? Mas nem pensar! Vamos antes para mais um programa de créditos (entenda-se Troika) que esta malta do sul da europa lá se arranja para reembolsar - com juros - o investimento da nobre classe trabalhadora do norte da europa.

Ainda acha que estou a ser pessimista quando digo que isto vai acabar mal?

Artigo publicado no site Repórter Sombra (

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publicado às 21:30


Deixemo-nos de chauvinismo

por Pedro Silva, em 06.12.18

Imagem crónica RS.JPG

Com o cenário político tão agitado em Londres e uma tão aparente acalmia e ambiente de total cooperação no seio da União Europeia, confesso a minha clara e manifesta preocupação. Especialmente quando olho para a nossa vizinha Espanha e constato que um partido fascista de nome «Vox» - admirador de Franco e defensor de que a violência de género não deve ser alvo de legislação e muito menos punida penalmente (entre outras atrocidades) – está muito próximo de alcançar o poder na Assembleia Regional da Andaluzia. Em França o movimento coletes amarelos, não obstante a triste e enfadonha onda de violência, coloca cada vez mais em xeque um sistema democrático de representação que padece de uma grave crise de representação.

 

Em suma, na Europa dos nossos dias é cada vez mais notório o distanciamento entre os partidos/classe política e eleitorado/cidadão, daí o crescimento de movimentos radicais e o renascimento, em força, de partidos de ideologia fascista, xenófobos e ultra nacionalistas. O cenário é hoje muito parecido com aquele que se viveu antes da Segunda Guerra Mundial. A crassa (e feliz) diferença é que o belicismo que vigorava na mente de todos na época das Grandes Guerras já não se aplica hoje. Pelo menos na Europa onde se acredita, cada vez mais, que é muito mais eficaz atacar-se a soberania de um país pela via económica dado que são muitas - e tremendamente eficazes - as “armas” disponíveis para tal. E quando tal não é possível basta aos países beligerantes optar por uma postura “à moda da” Guerra Fria como sucedeu recentemente no conflito Russo-Ucraniano no Mar de Azov.

 

Ora face a tudo isto é deveras impressionante para quem segue os serviços noticiosos portugueses e lê as opiniões de quem tem por hábito comentar o dia-a-dia da nossa política interna e externa. E mais impressionante é a forma descabida e pouco recomendável como o nosso Primeiro-ministro desprezou publicamente ao movimento dos coletes amarelos em França. E como ele muitos outros Ministros e Presidentes por esta Europa fora pensam e agem da mesma forma, como se o actual sistema de representação democrática não estivesse numa crise aguda.

 

Deixemo-nos de chauvinismos. Deixemos de olhar para o «Brexit» como algo de divertido que só os afecta a eles (ingleses). Paremos de nos comportar como se fossemos os Donos do Universo. O Mundo está hoje, mais do que nunca, muito perigoso e esta forma altiva (quase que cega) já abriu caminho até ao Poder de personagens obscuras como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Viktor Órban (entre outros) e tolera as atrocidades cometidas pelo príncipe herdeiro da Arabia Saudita e do Primeiro-ministro de Israel.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/12/2018)

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publicado às 21:30


Hoje é feriado nacional?

por Pedro Silva, em 01.12.18

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Não tivesse tal acontecido e se calhar hoje não era feriado nacional em Portugal.

 

Mas tendo em linha de conta a posição de muitos portugueses para com o actual estado de coisas na Catalunha, estou em crer que quase ninguém se ralava muito se hoje não fosse feriado nacional.

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publicado às 01:58


Os extremos que dão pelo nome de Brasil

por Pedro Silva, em 02.10.18

imagem crónica RS.jpg 

Há quem defenda a ideia de que a história não se repete. Tal teoria está muito em uso entre os historiadores. E, efectivamente, a história não se repete mas o Ser Humano comete erros (alguns por vontade própria outros por manifesta falta de tacto), daí que a meu ver se possa dizer que a História não se repete mas que faz cópias de má qualidade de si mesma. O que se está a passar actualmente no Brasil é um bom exemplo de tal.

 

O Brasil é actualmente um país cuja capacidade de produção de recursos próprios é extraordinariamente elevada. Tal é um facto que o maior país da América Latina não soube, nunca, aproveitar desde que se libertou das amarras da colonização portuguesa (e não só), contudo o Brasil, talvez por ser um país que tem ainda muitas cicatrizes e feridas bem abertas pelo processo de escravização que os portugueses (e não só) levaram a cabo durante décadas nas Terras de Vera Cruz a desigualdade em função do tom da cor da pele é ainda uma triste e enfadonha realidade…

 

Daí que se perceba muito daquilo que é hoje em dia o Brasil. Um país de extremos que tem de tudo para ser uma das maiores potências económicas mundiais. E está bem patente nas próximas eleições presidenciais cuja campanha eleitoral tem sido marcada pelo crasso extremismo entre as várias facções políticas. Aliás, bem vistas as coisas, hoje no Brasil desenrola-se uma luta titânica entre negros e brancos pela conquista do Poder. Já a histórica corrupção que é promovida tanto por negros como por brancos – e que impede este mesmo Brasil de seguir em frente e de se desenvolver - vai manter-se firme e será, sem sombra de dúvida, a grande vitoriosa desta luta dos extremos que dão pelo nome de Brasil.

 

Foi há um ano….

 

O tempo passa depressa. Depressa demais. Especialmente para quem ainda tinha a vã esperança de que Espanha se comportasse como o Estado democrático que diz ser.

 

Foi há um ano que a polícia espanhola, por ordens do entretanto demitido Governo de Mariano Rajoy, carregou violentamente sobre a população catalã que pacificamente procurou participar num referendo unilateral que determinaria uma simbólica separação da manta de retalhos que dá pelo nome de Espanha.

 

Foi há um ano que por Portugal e restante União Europeia se procurou passar a ideia de que os catalães são, na sua crassa maioria, um conjunto de terroristas que devem ser tratados da forma violenta e discriminatória como são tratados os políticos catalães presos e exilados no estrangeiro.

 

Foi há um ano que muitos políticos catalães, outrora membros da «Generalitat» que foram forçados a fazer o papel de Copérnico sob a ameaça da tirania da monarquia espanhola que patrocinou e apoiou a violência policial a que já aqui fiz referência.

 

Efectivamente o tempo passa depressa. Depressa demais. Especialmente para quem ainda tinha a vã esperança de que Espanha se comportasse como o Estado democrático que diz ser.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (02/10/2018)

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publicado às 21:30


Vamos então falar dos comboios

por Pedro Silva, em 20.08.18

imagem crónica RS.jpg 

Nos últimos tempos tem sido muitas as notícias sobre os Caminhos de Portugal (CP). E não tem sido notícias positivas. São negativas. Muito negativas. Negativas demais na minha opinião. Tal até que faz lembrar a antiga estratégia do anterior Governo liderado por Pedro passos Coelho do qual Assunção Cristas, actual líder do CDS, fez parte. Quando o Governo tinha na mente a privatização de um qualquer seu sector, eis que primeiro se procurava “bombardear” o cidadão com todo o tipo de notícias negativas sobre a empresa que se pretende privatizar para, desta forma, se criar a ideia de que é uma fatalidade para todos manter-se a gestão pública de certa empresa e depois privatizava-se a dita. Este processo foi levado a cabo aquando da famosa privatização dos CTT. Agora é o que se vê e sabemos.

 

Não estou com isto a dizer que os nossos serviços ferroviários em Portugal não têm problemas. E também não estou aqui a procurar, de forma alguma, colocar num saco roto as muitas queixas legítimas do utente da CP. Não é por mero acaso que muitas vezes os maquinistas fazem greve. O problema é que quando o fazem estes mesmos utentes que se queixam da qualidade do serviço na CP, são os primeiros a criticar a greve dos maquinistas. Mas isto é somente um aparte. Um dia talvez volte a esta temática. O que interessa agora é perceber o que se passa naquilo que popularmente de “comboios”.

 

O real cerne da questão é que historicamente Portugal é um país que nunca deu real valor ao comboio. Na maioria dos países da Europa Central e do Leste – muito por força da 2.ª Guerra Mundial, diga-se de passagem – o comboio assume um papel essencial (diria até mesmo que vital) na vida de qualquer cidadão. No Oriente tal é também uma realidade. Já cá pelo nosso pequeno Burgo, o comboio é visto mais como algo que se utiliza para dar a malta rica dar um passeio aqui e acolá. Isto se não for possível ir de carro, ora pois, dado que o português usa o sagrado automóvel para ir comprar pão à padaria do lado.

 

A juntar ao exposto anteriormente há o – muito desconhecido – facto de Portugal e Espanha terem uma ferrovia única no Mundo no que ao seu formato diz respeito. A chamada Linha Ibérica é uma pesada e fastidiosa herança dos Salazarismo/Franquismo que obriga a que ambos os países tenham de ter cuidados muito especiais no que á sua ferrovia diz respeito. A manutenção da dita linha é feita, em exclusivo, por portugueses e espanhóis. O mesmo se pode dizer das locomotivas e carruagens cuja produção e manutenção é um exclusivo da Península Ibérica.

 

Ou seja, se juntarmos a tudo o que já aqui disse ao constante “apertar de cinto” patrocinado pela Europa (e não só) tudo se conjugou ao longo dos tempos para que o desleixo por parte do Governo central relativamente à CP fosse, cada vez mais, uma medonha realidade.

 

Cabe-nos agora a nós, cidadãos, exigir a cabal - e mais do que necessária – melhoria da nossa ferrovia. Especialmente nos tempos que correm em que há uma necessidade premente de nos deslocarmos de uma forma rápida e eficaz entre as nossas cidades dado que os desafios laborais que se colocam a todos nós são – por força dos tempos que correm -, naturalmente, cada vez maiores. E esta exigência não pode, nem deve passar pela “vingança” que António Lobo Xavier e outros neo liberais como ele tanto desejam. Esta tem de passar pela pressão sobre o actual e futuro(s) Governo(s) para que este aplique o dinheiro dos nossos impostos na  prestação de serviços que, por causa da sua natureza, tem de ser públicos. Privatizar somente porque se quer “despachar o embrulho” só traz problemas. Veja-se, mais uma vez a título de exemplo, a desgraça que são os CTT privatizados.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (20/08/2018)

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