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Celebremos a precariedade

por Pedro Silva, em 15.05.17

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Ao contrário do que muito dizem, os números - por si - só não são frios e infalíveis. Sempre que analisamos um qualquer número é deveras importante perceber a sua razão sob pena de acabarmos por retirar uma interpretação que em nada tem a ver com a realidade. E, acredite-se ou não, viver e governar sob uma verdade distorcida pelos números é péssimo. E de nada serve recorrer-se ao brocado “uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade” porque a “verdade é como azeite, vem sempre ao de cima”.

 

Ora isto tudo a respeito da taxa de desemprego em Portugal, taxa esta que tem vindo a descer nos últimos anos e que tanta felicidade parece provocar no anterior e actual elenco governativo.

 

Facto; os números não mentem e como tal é uma verdade absoluta que o desemprego em Portugal tem vindo a diminuir. Mas esta diminuição é feita à custa de quê? Da criação de emprego, obviamente. Mas de que emprego estamos falar? Do emprego precário, algo que os números não mostram porque a sua natureza, por si só, não o permite. Dito de outra forma; os Governos portugueses e União Europeia tem-se mostrado deveras satisfeitos com a descida da taxa de desemprego em Portugal, descida esta que é feita à custa da precariedade.

 

Penso eu, provavelmente na minha clara inocência, que um qualquer Governo (o da União Europeia inclusive) deveria procurar sempre o melhor para os seus cidadãos. Se não o fizer estará, aos poucos, a destruir a sua própria existência. Tal é válido para as Democracias como um qualquer outro modo de governação.

 

Temos, portanto, que a precariedade é uma séria ameaça para qualquer Governo. E de nada serve virem para a Praça Pública alguns dos ditos “experts” da economia defender a precariedade porque não existirá país algum no nosso planeta que esteja bem graças à precariedade. Que eu saiba o Bangladesh (por exemplo) não é uma nação próspera não obstante a precariedade marcar uma invariável presença em toda a sua Sociedade. E que eu saiba, nem Portugal nem um qualquer outro Estado-membro da União Europeia deseja algum dia vir a ser igual ao Bangladesh. Inclusive até já tivemos a adesão à União Europeia de países como a Croácia que quer combater o flagelo do desemprego através da progressão económica que esta adesão provoca nos anos seguintes à sua efectivação.

 

Ora não se percebe, então, a enorme felicidade dos nossos políticos sempre que o Instituto Nacional de Estatística e o EUROSTAT revelam os números de uma Taxa de Desemprego que tem estado em clara baixa nos últimos anos. Isto a não ser que tanto a União Europeia como os Governos portugueses vivam numa espécie de “matrix” onde a precariedade é algo que faz parte do sistema.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (15/05/2017)

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publicado às 16:00


Desemprego não se combate com precariedade

por Pedro Silva, em 23.01.17

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Muito se tem escrito e dito sobre a intenção – forçada – da redução da Taxa Social única (TSU) para as empresas que o actual Governo de António Costa pretende levar a cabo como moeda de troca no que ao aumento do valor do ordenado mínimo diz respeito. Esquecem-se Vieira da Silva, actual Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social do Governo de António costa, os Patrões e a União Geral de Trabalhadores (UGT) e quem muito disse e escreveu sobre a já aqui referida temática que o desemprego não se combate com precariedade.

 

Não tenhamos a mais pequena das ilusões. A tal medida de descida da TSU para as empresas tem somente em vista a descida da taxa de desemprego através da precariedade senão de outra forma como se pode explicar as inúmeras restrições que a tal de “medida” exige para que uma empresa possa ver reduzida sua Taxa Social Única?

 

Lamento mas esta de que a descida da TSU para as empresas tem em vista a melhoria da economia do nosso pequeno país “não cola”. O problema da nossa fraca economia está relacionado com um patronato muito à portuguesa que pensa no curto prazo e que acha que a solução dos seus problemas passa sempre pela redução dos direitos dos trabalhadores. Dito de outra forma; temos um tecido empresarial cujos patrões - ainda - “pensam à mexicana”.

 

Voltando então à “vaca fria” (que é como quem diz, regressar à temática), como é que se pode sequer pensar em combater o desemprego promovendo a precariedade?

 

É verdade que o salário mínimo é um direito que assiste (ou que deveria assistir) a todos os trabalhadores. Assim como é um direito mais do que adquirido a actualização anual do salário mínimo. Mas o receber o ordenado mínimo é precário tendo em consideração que em Portugal cada vez mais temos trabalhadores qualificados. O trabalhador português é desejado no estrangeiro por ser altamente qualificado e relativamente barato. Porquê carga de água o trabalhador português não é devidamente valorizado, estimado e respeitado no nosso país?

 

Para mais desde quando o Estado tem a extrema necessidade de ter de negociar uma obrigação (TSU) para poder exercer um direito (aumento do salário mínimo)? Não faz sentido algum…

 

Não existirão outras áreas fiscais (e não só) onde o Estado português pode – e deve – procurar negociar em Concertação Social com o patronato tendo em vista (finalmente) a real melhoria da economia do nosso país sem ter de “atropelar” o trabalhador?

 

Haver até que há. O que não há é vontade política para tal. Especialmente nestes últimos anos onde se tornou numa religião combater o desemprego através da precariedade.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (23/01/2017)

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publicado às 16:00


A vitória da América sobre a América

por Pedro Silva, em 14.11.16

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Contra tudo e contra todos Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América (USA). Confesso que fiquei um tudo ou nada surpreso quando soube de tal, mas após uma breve reflexão acabei a concluir que tal é perfeitamente normal dado que falamos de um povo que, para além de racista, paranoico e narcisista é profundamente idiota. Só assim se explica que um racista, paranoico, narcisista e profundamente idiota como Donald Trump tenha sido eleito Presidente dos USA. Somente quem acorda todos os dias a cantar star and stripes forever é que pode discordar de tal.

 

Mas apesar de tudo há que fazer aqui uma importante distinção. É que nem toda a América é a América de Trump. Passo a explicar.

 

Vamos imaginar que os USA da seguinte forma. De um lado temos a costa oeste e a costa leste. No meio temos a centro dos USA. As costas representam – simbolicamente falando – 10% da população norte-americana (cada uma). A do centro representa 80% da aqui referida população.

 

Agora tenhamos em atenção um importante pormenor; em ambas as costas dos USA temos uma população diversificada em termos de raça e cor e que, por força da sua história, sofreu influências europeias. Tal faz com que estas populações vejam e sintam o mundo quase da mesma forma que nós (europeus). Já a população que reside na parte central dos USA – e que constitui a maior fatia populacional do país - é egocêntrica, fechada em si mesmo, orgulhosa, belicista e ignorante. È nesta parcela populacional que ainda residem as “feridas” (racismo e outras coisas tais) antigas dos Estados Unidos da América.

 

Feito este simples e realístico exercício, passemos então a uma segunda fase. Vamos agora acrescentar os seguintes factos: crise imobiliária, colapso da banca e desemprego galopante. São três “coisinhas” que correram – tal como nas costas oeste e leste - toda a parte central dos USA e, inclusive, devastaram cidades inteiras. Nos últimos 8 anos a administração Obama tentou resolver todos os problemas provocados pela crise imobiliária/colapso da banca/desemprego galopante, mas sempre com relativo sucesso pois o problema maior não reside – somente - nos Estados Unidos mas sim em todo um Mundo que está completamente entregue a um sistema capitalista que está muito próximo do colapso.

 

Ora é neste cenário que fomos montando até aqui que Donald Trump concorreu às primárias do seu partido. E não lhe foi nada complicado vencer as ditas dado que este se limitou a explorar o que tinha em seu redor dizendo aquilo que a América queria ouvir. O mesmo acabou por suceder na eleição para Presidente dos Estados Unidos da América com a agravante de que a sua opositora – Hillary Clinton - esteve envolvida numa série de escândalos. Não admira, repito, que a eleição de Donald Trump tenha sido perfeitamente normal.

 

O que podemos - e devemos afirmar - é que esta eleição de Trump acabou, no fundo e no cabo, por ser uma vitória da América sobre a América. Colocando isto de outra forma, a América dos idiotas derrotou a América com a qual muitos de nós (europeus) nos identificamos e respeitamos.

 

Uma nota final sobre as manifestações daquela América que não se identifica com Trump. Todos têm o direito de manifestar o seu desagrado. Convêm é que haja alguma coerência senão acabam por ser tomados por idiotas. Vem isto a respeito da razão das manifestações contra o sistema eleitoral norte-americano. Quer dizer, primeiro aceitam as regras do jogo e depois contestam as ditas porque o resultado final não é do seu agrado? Citando um excerto da canção "American Idiot" da banda norte-americana Green Day:

 

Don't wanna be an American idiot.
Don't want a nation under the new mania
And can you hear the sound of hysteria?
The subliminal mind fuck America.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (14/11/2016)

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publicado às 16:45


Falemos do desemprego

por Pedro Silva, em 10.08.15

Crónica Repórter Sombra.jpg 

O desemprego esteve, e estará, sempre presente em todo e qualquer País. Alguns apresentam uma taca de desemprego elevada para o tamanho populacional que apresentam e outros conseguem apresentar esta mesma taxa bastante reduzida. Ou seja; o desemprego é uma questão de números. Só que são uns números muito especiais pois por detrás destes está uma pessoa que, por alguma razão, não consegue arranjar um emprego e desta forma ter uma Vida normal.

 

Posso então concluir que falar, opinar e analisar a questão do desemprego é uma tarefa complicada, séria e que não pode nunca ser tratada de forma leviana.

E por mero acaso foi isto que o actual Governo Passos/Portas fez nos últimos quatros anos? È desta forma que a Coligação PSD/CDS trata do assunto no seu programa eleitoral? Tem havido esta seriedade da parte do maior Partido da Oposição (Partido Socialista)? Acho que todos sabemos qual a resposta a esta questão que se cifra num tremendo e rotundo não!

 

Excerto da minha última Crónica de opinião publicada no Repórter Sombra.

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publicado às 16:34


Pois, pois

por Pedro Silva, em 14.03.15

Passos quer políticas de emprego à medida das profissões com dificuldade de retoma

 

Quer dizer, primeiro Passos Coelho e a sua equipa fizeram o possível e o impossível para destruir tudo quanto seja emprego, criaram estágios profissionais que são o nome moderno de escravatura e agora vêm-me com a “lengalenga” de que, em ano de eleições, vão criar postos de trabalho nos sectores que andaram a “desancar” nos últimos quatro anos?

 

Ó Passos vai ver se chove!

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publicado às 23:55


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