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Prisões políticas em plena União Europeia

por Pedro Silva, em 06.11.17

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Volto mais uma vez à questão catalã porque reparo que continua a ser muito complicado a uma enorme facção da população portuguesa perceber o que está realmente em cima da mas no que a esta problemática diz respeito.

 

Ao contrário do que já li num jornal nacional de grande tiragem, a independência da Catalunha não depende de estarmos ou não num Mundo ideal. Depende, isto sim, da actuação de líderes políticos que sejam responsáveis e procurem fazer as coisas como deve ser. E isto é válido tanto para o lado espanhol como para o lado catalão, ou não tivessem Mariano Rajoy e Carles Puigdemont feito o impossível para que o actual processo de independência da Catalunha tenha corrido muito mal.

 

Já aqui o disse em artigos anteriores (e repito) que a solução do problema catalão passa, exclusivamente, pela realização de um referendo oficial sendo que Madrid e Barcelona se vinculariam ao resultado do dito fosse este qual fosse. E não, não é preciso um Mundo ideal para que tal seja uma realidade. Basta que os políticos ajam com responsabilidade até porque não é com o adiar da questão (eleições de 21 de Dezembro na Catalunha) e internacionalização do problema catalão que se resolve a contenda.

 

Contudo nada disto me impede de criticar a postura da União Europeia em todo este processo.

 

No passado dia 1 de Outubro do corrente ano cível o Governo central de Espanha ordena cargas policiais arbitrárias e brutais sobre cidadãos que fizeram aquilo que é usual em democracia (votar). No dia seguinte as televisões europeias mostraram as forças policiais espanholas colocadas na Catalunha a provocarem os manifestantes pró independência com atitudes típicas de uma qualquer claque violenta de futebol. Na altura a União Europeia nada disse sobre o assunto.

 

A 2 de Novembro de 2017 a justiça espanhola prende e emite mandatos de captura dos actuais dirigentes da Generalitat (governo catalão) sob o pretexto de perigo de fuga quando todos sabemos que tal não passa, tão-somente, de um manifesto e cruel acto de vingança por estes terem ousado desafiar a “pax espanhola” e uma Constituição que tem mais de 39 anos de idade. Perante tal a União Europeia, mais uma vez, diz não ter nada a ver com aquilo que se pode muito bem apelidar de prisões políticas dado que é um assunto do foro interno de um seu Estado-membro.

 

Mas afinal para que serve a União Europeia enquanto agente internacional?

 

Como pode a União Europeia tomar posições muito críticas face às constantes violações dos Direitos Humanos, purgas internas e prisões políticas levadas a cabo em países como a Venezuela e Coreia do Norte (por exemplo) e quando tal sucede num seu Estado-membro assobia para o lado porque no entender dos burocratas da Comissão Europeia nada disto diz respeito à União?

 

Prisões políticas e violência arbitrária das autoridades sobre os cidadãos europeus em plena União Europeia era algo que nunca tinha imaginado que pudesse alguma vez acontecer. Já na antiga União Soviética cujo modelo a actual União Europeia está, nitidamente, a copiar a conversa é outra. Depois venham-me cá com a história do mundo ideal e por aí adiante.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/11/2017)

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publicado às 12:00


Não somos o México

por Pedro Silva, em 08.02.16

Imagem Crónica RS.jpg 

1 - Após ter seguido o “bate boca” entre Comissão Europeia e Governo Português por causa do rascunho do Orçamento de Estado de 2016 eis que retiro uma conclusão: lá para o Norte acham mesmo que somos o México.

 

Aos olhos dos Comissários Europeus -  e dos Técnicos do FMI já agora – somos um Povo que pode e deve ser explorado de todas as formas e feitios. Não podemos ser iguais a eles. Nem pensar! Temos de ser inferiores porque somos naturalmente preguiçosos e altamente descuidados com as nossas Finanças Públicas. E de pouco, ou nada, lhes interessa que Portugal tenha abdicado ao longo de várias décadas da sua capacidade produtiva em nome de uma Europa da qual os do Norte se dizem Donos e Senhores.

 

E como senão bastassem os rótulos do estrangeiro eis que temos cá pelo nosso pequeno rectângulo à beira mar plantado quem acene com a cabeça a tudo o que venha de fora. Seja mau, ou até mesmo péssimo, para Portugal o que venha de fora é inquestionavelmente bom. E de nada interessa o facto de o que importamos nos últimos quatro anos tenha transformado o nosso País numa espécie de exportador de mão-de-obra barata e altamente qualificada. Isto porque - tal como no México - é assim porque tem de ser e ponto.

 

2 – Obviamente que não estou aqui a querer alimentar a guerra entre Portugal e um órgão cujas competências não estão previstas em algum Tratado. Estou antes a tentar retratar, da forma mais fiel possível, o que se passa neste momento.

 

E o que se passa neste momento é que para muitos Europeus existem Países Europeus que estão condenados a ser pobres porque nasceram para o ser. Basicamente é esta a forma como Donald Trump e muitos Norte-americanos olham para o seu vizinho México.

 

E é precisamente esta forma de ver as coisas que temos de fazer força para que mude sob pena de todo um projecto cair por terá. Portugal não foi abdicando da sua soberania e da sua capacidade produtiva em nome de um projecto europeu que o condena agora à pobreza eterna porque tem de ser.

 

Se a Europa se uniu em nome da solidariedade e respeito mútuo entre os Povos, então que se siga esta trave mestra. Nenhum País é gerido através de uma folha de excel.

 

É de todo impossível que a União Europeia venha algum dia a ser um enorme Estado Federado se no seu interior existe quem pense que as pessoas são números descartáveis. Assim como nunca poderemos ter um País onde no Norte se trabalham pouco e se ganha bem e no Sul se trabalha muito e se ganha muito mal.

 

3 – Não estou com isto a dizer que não se deva exigir um certo rigor nas contas públicas. Muito pelo contrário! Contudo faça-se a dita exigência tendo em consideração a real capacidade de cada Estado-membro e não segundo as variadíssimas e incertas teoria economicistas.

 

4 – Como não somos o México, nem queremos algum dia vir a sê-lo, é perfeitamente natural que o actual Governo tente seguir um rumo diferente daquele que foi seguido por Passos Coelho e Paulo Portas nos últimos quatro anos.

 

Não aceitar tal facto é digno de uma qualquer consulta psicológica pois já diz o povo português que “contra factos” não há argumentos.

 

Para mais ainda estou para perceber por que razão a Europa muda s regras do jogo quando os Ingleses assim o desejam e impõe os seus obtusos e ultrapassados ditames aos outros. Sim, os Tratados -argumento dos defensores do empobrecimento eterno do nosso País para que nada se mude – estão desactualizados e necessitam de ser urgentemente revistos. A Europa continua presa na crise que nos entrou pela cada dentro em 2008 e não sabe como sair dela porque insiste nuns quantos Tratados que não dispõem de mecanismos que a ajudem a sair do imbróglio em que está metida.

 

5 – Quanto à questão do Orçamento de Estado do corrente ano cível tenho que dizer que acho uma piada imensa à malta da Direita.

 

Tanta desgraça, ventos e tempestades europeus se irão abater sobre o nosso Portugal e por aí adiante.

 

Tudo isto me dá vontade de rir. E sabem porquê? Porque o que tem sido utilizado pela Direita para desejar o pior é somente um rascunho do Orçamento…

 

O documento propriamente dito ainda vai ser apresentado na nossa Assembleia da República, debatido e alterado onde tiver de ser alterado.

 

Quando o dito Orçamento vir a luz do dia voltamos a conversar. Até lá façam-me rir.

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 23:55


Ainda a Europa dos nossos dias

por Pedro Silva, em 12.07.15

Temos Juncker, presidente da Comissão Europeia, que enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo assinou acordos secretos de fuga fiscal com todas as multinacionais. Temos a senhora Lagarde, que em França perdoou as dívidas fiscais a Bernard Tapie, talvez o maior trânsfuga a norte dos Pirenéus. Temos o ministro Schäuble, cabecilha do mega-escândalo do financiamento ilegal da CDU alemã. Temos o espanhol Rajoy, que durante anos recebeu todos os meses milhares de euros numa caixa de sapatos. Temos o Coelho Imperfeito, em Portugal, que optava deliberadamente por não pagar a Segurança Social porque “não sabia”. E agora temos um Jeroen Dijsselbloem (em linguagem fonética, lê-se Jeroen Dijsselbloem...) que inventou um mestrado em Economia e Negócios na Universidade de Cork na Irlanda quando afinal só lá andou uns meses a estudar a Indústria dos Lacticínios e não terminou nada, nem sequer há mestrado sobre esse assunto, ai que o leite já se entornou.

 

Bem-vindo ao clube dos cumpridores das regras europeias, senhor Jeroen Dijsselbloem (lerJeroen Dijsselbloem)!

 

Uma das características mais notáveis do senhor é pertencer nominalmente ao grupo socialista europeu e, ao mesmo tempo, achar que os mercados e os governos não têm nada de ideológico quando optam pela destruição do Estado social, pelo esmagamento dos mais pobres e pela privatização total de sectores estratégicos. O sistema da União Europeia, no fundo, limita-se a admitir que nada pode mudar na economia e que os governos só têm de cumprir o que pedem os mercados. Nem que implique afundar povos na miséria e no desemprego para pagar dívidas impagáveis (mais tarde ou mais cedo se reconhecerá a verdade, mas o mais tarde possível, chiu até lá). Jurar que uma opção destas não é ideológica é revelar-se a si próprio um empedernido ideólogo.

 

Pergunta Varoufakis no seu livro: “Angela Merkel tem um botão vermelho e outro amarelo. Um termina a crise. Em qual dos dois carrega?” Responde Varoufakis: “Mesmo que a chanceler quisesse optar pelo botão vermelho, ficaria aterrorizada com a reacção do eleitorado alemão caso o fizesse.”

 

Excertos da Crónica de Rui Cardoso Martins publicada hoje no site do Jornal Público que ajuda a perceber o porquê de a nossa Europa estar no estado em que está.

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publicado às 21:04


Falemos então das Europeias

por Pedro Silva, em 21.05.14

O prometido é devido e eis que vou então deixar aqui a minha opinião sobre as Eleições Europeias. Eleições que são tão importantes como qualquer outra pois votar é um Direito que conquistamos com a Revolução de Abril que implantou a Democracia em Portugal.

 

Tenho seguido com alguma atenção a campanha nacional para as Europeias. E o que constato é que:

 

- A Coligação Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) ataca o Partido Socialista e atira farpas ao anterior Governo Sócrates. O Partido Socialista responde aos ataques da Direita coligada e apela ao voto nos seus candidatos como forma de punir o Executivo Passos/Portas. A CDU (Coligação PCP e Os Verdes) cerra fileiras contra o Partido Socialista e apela ao voto como forma de punição do Governo. O Bloco de Esquerda ora ataca a União Europeia, ora manda umas biqueiradas ao Partido Socialista e apela também ao voto como forma de protesto para com as Políticas do actual Executivo.

 

Debate sobre a Europa, o seu futuro e a forma como se propõem combater a Crise e evitar que tal suceda no futuro é tema tabu para os Partidos que tem assento na Assembleia da Republica. Tal debate tem sido feito ainda que timidamente pelos Partidos que não tem assento na AR mas que se candidatam às Europeias.

 

No meio de tudo falta ainda saber o que pensam e o que se propõem a fazer os Candidatos à Presidência da Comissão Europeia. Lembre-se que a força política que vencer as Europeias terá direito a escolher o sucessor de Durão Barroso. Sobre este assunto o Jornalista Daniel Oliveira colocou na sua página do facebook uma questão que me parece de uma pertinência atroz.

Ora perante tamanha balburdia e autêntica corrida ao estatuto, luxo e ostentação que rodeia um Euro Deputado, ficam os analistas Políticos muito admirados e ofendidos com a mais que provável elevadíssima taxa de abstenção. Tal fenómeno indignou de tal forma um conhecido Comentador Político da nossa Praça que até sugeriu que o voto passe a ser obrigatório em vez de criticar a postura pouco honesta e nada ortodoxa como os Partidos na sua generalidade tem lidado com as Eleições para o Parlamento Europeu.

 

E como uma série de males nunca vêm só, eis que o Tratado de Lisboa criou uma tremenda confusão institucional tal que ainda ninguém conseguiu perceber o que realmente faz, pode e deve fazer a Comissão Europeia e o seu Presidente. Uns dizem que é o Homem com mais Poder na Europa, mas na prática o que temos é uma espécie de catavento que gira consoante os ventos sopram para o Norte ou Sul da Europa.

 

Contudo mantenho a minha opinião de que votar é fundamental. Não se servir de um Direito adquirido do Cidadão é abrir a porta á Extrema-Direita/Esquerda, Nacionalismos exacerbados/bacocos e ao Adepto do Partido X que vota neste mesmo quando o seu programa o afecta a si e aos outros que o rodeiam.

 

Ao contrário do que temos sido bombardeados, o voto em branco é também um voto útil. Muito mais útil do que deixar que um grupo de fanáticos decidam por nós para depois andarmos os anos seguintes a reclamar que tudo está mal por culpa de quem nos governa.

 

Agora que cada um meta a mão na sua consciência e reflicta com moderação se vale a pena lutar pela Europa ou se preferem entrega-la a gente que já demonstrou e demonstra por mais que uma vez que não tem aptidão e honestidade alguma para o cargo que pretendem ocupar.

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publicado às 11:00


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