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Alerta amarelo

por Pedro Silva, em 08.01.19

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Deixando de lado a questão nacional no que aos – já – famosos coletes amarelos diz respeito (para se perceber a razão de tal basta ler o último artigo de opinião da Angelina Lima que foi aqui publicado recentemente), penso que começa a ser preocupante a forma como um movimento com ideias simples e, muitas delas, justas e realistas se está, aos poucos, a transformar em algo muito parecido com o movimento que nos anos 30 do século passado fez com que Hitler e os seus pares (entre outros) chegassem ao poder. Convêm não esquecer que historicamente a França sempre simpatizou com movimentos fascistas e ideias fascizantes até porque, quer se goste ou não, não tivesse havido a intervenção aliada na Segunda Guerra Mundial e a França continuaria, alegremente, a ser uma amiga fiel e leal da Alemanha nazi.

 

Ao contrário da nossa Comunicação Social que parece achar divertido q.b. as peripécias do movimento “coletes amarelos”, sou da opinião de que devemos olhar para tal com muita cautela e, sobretudo, algum receio. Isto porque o “cerco” de Governos radicais que incompreensivelmente – ainda - fazem parte do projecto europeu e que estão, aos poucos, a alimentar a crispação que conduziu a Europa ao estado lastimoso em que se encontra são factores que, aliados e devidamente explorados pelos “coletes amarelos”, podem, no médio e longo prazo, transformar a França no poderoso baluarte que ditará o fim de uma União que demorou tantas décadas a ser construída. E não se espere que a Alemanha e os seus “satélites” impeçam tal coisa até porque estes também começam, aos poucos, a sentir a pressão da escalada tenebrosa da extrema-direita que colocou o Velho Continente – e o Mundo – a ferro e fogo no século XX.

 

Claro que se pode, e deve, apontar o dedo a Emmanuel Macron e o seu Governo pelo actual de estado de coisas. Mas ao faze-lo estamos a ser redutores na analise cabal do problema. Isto porque Macron pode ter sido o catalisador da implosão da extrema-direita no solo gaulês, mas não é, nem nunca será, o principal responsável por tal. O problema vem de trás. Muito de trás. Advêm antes do facto de o centro da política europeia estar completamente degastado ao ponto de já não se saber quem é quem numa Europa onde a resposta a uma gravíssima crise financeira passou, exclusivamente pela punição severa de quem sofreu na pele a vilania de um Mundo financeiro que ainda hoje contínua imune a qualquer tipo de julgamento e, inclusive, de cabal controlo.

 

Por isto, em vez de andarmos a achar piada aos “coletes amarelos” e a procurar dar uma de “copy cat mal-amanhado”, procuremos antes olhar de frente para a problemática antes que seja tarde demais. È que este assunto é bem mais grave do que a entrevista de Mário Machado e do que as intervenções públicas sem nexo do “Professor Marcelo”.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (08/01/2019)

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publicado às 21:30


Porque está mal o SNS?

por Pedro Silva, em 23.07.18

Imagem Crónica RS.jpg 

Tal como qualquer outro cidadão português tenho o prazer de ter um país que, para o mal e para o bem, consegue – ainda – ter um Serviço Nacional de Saúde (SNS). Não são todos os que têm esta sorte: Assim de cabeça recordo-me dos norte-americanos, cidadãos de um país rico onde o comum dos cidadãos que não tenha um seguro de saúde não tem acesso aos cuidados de que qualquer um de nós necessita (ou venha a necessitar). Portanto, repito, para o nem e o para mal temos a felicidade de ter um SNS.

 

Agora se este é eficaz e o mais abrangente possível, a conversa é outra. E aqui que se centra a minha reflexão. Nas razões pela qual o nosso SNS cada vez se degrada mais e tem cada vez mais dificuldade em encontrar soluções para dar uma resposta cabal e mais eficiente possível a um Portugal cuja população idosa tem vindo a aumentar juntamente com o aumento da esperança média de Vida.

 

Ora a primeira grande questão que me vêm á cabeça acerca desta matéria tem forçosamente a ver com as políticas seguidas nos últimos anos no que à gestão dos nossos recursos financeiros dizem respeito. E aqui tanto a ala esquerda como a ala direita e o centro tem o seu enorme quinhão de culpabilidade. Por irresponsabilidade ou por mera falta de jeito, os sucessivos Governos e, há bem pouco tempo a política “troikana” da União Europeia colocaram o nosso SNS no estado em que está. Por exemplo, falta pessoal no SNS é um facto, mas a culpa não é da reposição da jornada de trabalho de 35H na Função Pública. É antes de quem durante os anos anteriores apostou no aumento da carga horária para, de uma forma encapotada, puder reduzir pessoal. Claro que a juntar a tal tivemos os incentivos europeus e extra europeus que viram nos nossos formandos em saúde uma fonte de trabalho altamente qualificada e - muito! - barata, dai o enorme êxodo de enfermeiros e médicos a que assistimos há não muitos anos atrás. E tudo isto com o alto patrocínio da actual política económico-financeira da União Europeia, ora pois.

 

A juntar a tudo isto (como se fosse pouco), temos ainda a forma atabalhoada como presentemente se pretende resolver os variadíssimos e (alguns muito antigos) problemas do nosso SNS. Não é com salários baixos que vamos atrair mais profissionais para o SNS. Não é a obrigar os jovens licenciados em Medicina a ter de trabalhar no SNS que vamos resolver o problema da falta de pessoal médico. E, pior ainda, não é a não se cumprir os devidos e necessários prazos e cuidados de limpeza dos nossos Hospitais e Centros de Saúde que vamos resolver a questão (percebem agora a razão de tantas e tantas infecções hospitalares?) porque tal é dispendioso.

 

O SNS, tal como muitos outros sectores que são da competência do Estado e fundamentais para que a nossa Sociedade funcione da melhor forma possível, deve ter as suas contas em ordem e equilibradas, é um facto, mas tal não pode, de forma alguma, ser feito de qualquer forma e muito menos seguindo políticas neo liberais que, no fundo e no cabo, visam tão simplesmente a implosão a médio e longo prazo do nosso SNS para que o já aqui falado sistema norte-americano de saúde venha a ser uma triste e medonha realidade.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (23/07/2018)

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publicado às 22:34


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