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PS_agoravamosveroquefaraaeuropadopartidopopulareur 

Quando se olha para o recente incidente diplomático que ocorreu entre Portugal e Espanha por causa da central nuclear de Almaraz salta à vista de todos que o que está realmente por detrás de tudo isto é política. Não estou com isto a passar para segundo plano as preocupações de segurança e ambientais (elas existem e devem ser levadas a sério), mas eu “aposto as fichas todas” em como nunca nada disto teria sucedido se porventura o actual Governo português fosse da mesma cor política do actual Governo espanhol.

 

Efectivamente nós - Sociedade civil e política - perdemos demasiado tempo a debater o óbvio e desviamo-nos daquilo que realmente interessa. Por esta altura já há quem se contradiga e lá com isto e o problema mantem-se.

 

O problema Almaraz começou por Espanha ter dado uma de “eu quero, posso e mando”- Portugal respondeu e solicitou esclarecimentos à sua única vizinha. Os ditos esclarecimentos foram surgindo na nossa Comunicação Social a conta-gotas e rapidamente se desviou o foco central da questão. Neste momento já temos ambientalistas e partidos políticos a dizer que o problema até nem é o aterro nuclear que Espanha pretende construir em Almaraz, mas sim a manutenção em funcionamento de uma central nuclear completamente caduca que ainda não arrebentou porque não calhou.

 

Repito, o cerne da questão Almaraz é político.

 

Muito pouca gente conhece a história da dita central nuclear e do seu futuro aterro, mas o encerramento da dita já anda a ser falado desde 2010. O encerramento da dita central ia ser mesmo levado a cabo pelas autoridades espanholas e o projecto do aterro tinha sido arquivado. Contudo em Portugal deu-se uma reviravolta política inesperada e Pedro Passos Coelho teve de ceder o seu lugar a António Costa que lidera hoje um Governo apoiado numa maioria parlamentar de esquerda. Em Espanha, depois de várias eleições e após um golpe palaciano levado a cabo pelos barões do PSOE, Mariano Rajoy conseguiu formar um Governo de Direita ultra conservador. É neste cenário que o assunto Almaraz volta à agenda em Espanha com o Executivo de Rajoy a reforçar a manutenção da obsoleta central nuclear de Almaraz e retoma da intenção de construção de um aterro nuclear.

 

Ora se o exposto em cima não é sinónimo de guerra política então não sei o que será. E era sobre isto que todos nós – portugueses e espanhóis – nos deveríamos preocupar não descurando nunca a bomba relógio que é Almaraz. Mais importante do que o conflito ideológico é o bem-estar de duas nações que partilham uma Península. Só Rajoy é que parece ter uma certa dificuldade em ver isto e é aqui que chegamos segundo ponto da questão.

 

Não me parece que Rajoy iniciasse esta “guerra” com Portugal sem ter a certeza de que haverá alguém a proteger os seus interesses políticos. Dito de outra forma; não creio que a actual Espanha ultra conservadora enveredasse pelo caminho da provocação do seu vizinho mais pequeno sem ter a certeza de ter quem a apoie nesta sua demanda.

 

Agora vamos ver o que fará a Europa do Partido Popular Europeu (PPE). Convêm recordar que em Bruxelas há muita gente desejosa de se vingar da vergonha que António Costa os fez passar num passado muito recente por causa de umas supostas sanções.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (16/01/2017)

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publicado às 21:24


Diálogo (da falta dele)

por Pedro Silva, em 16.08.16

PS_dialogodafaltadele_destaque.jpg 

As férias de verão são uma altura excelente para se levar a cabo a tão necessária reflexão política que a União Europeia (UE) necessita de fazer. Espanha enfrenta hoje uma grave crise política que impede o país de ter um Governo e, muito em breve, este será um problema que se irá generalizar um pouco por toda a UE devido ao crescente descrédito do dito “centrão” e crescimento das forças extremistas.

 

E porque razão tenho esta visão pessimista do futuro europeu pergunta – e bem – o leitor(a)?

 

Porque nos últimos anos a UE (mais concretamente a zona euro) tem seguido uma linha de orientação política que mais faz recordar o famoso politburo da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

 

A única grande diferença entre a URRSS e a actual UE está na forma como um e outro impõem a sua lógica. A URSS recorria à força das armas sempre que algum dos seus “Estados-membros” seguia um caminho diferente do pensamento único de Moscovo. Já a UE dos nossos dias (dominada pelo Partido Popular Europeu – aka Direita europeia) recorre às famosas sanções, manipulação grosseira da opinião pública e mercados financeiros sempre que um dos seus Estados-membros periféricos não segue o pensamento único de Bruxelas.

 

Alias, bem vistas as coisas a URSS e a UE dos nossos tempos não são muito diferentes tanto na forma como na orgânica. E será muito por isto que a UE irá – mais cedo do que se pensa – cair com o mesmo estrondo que caiu a URSS. Mas isto é tema para outras tertúlias.

 

Face ao exposto até aqui não será nada difícil ao leitor(a) perceber qual a razão para ter aqui dito que o impasse político espanhol se irá generalizar um pouco por toda a Europa. Isto a não ser que o “politburo” de Bruxelas resolva fazer uma profunda reflexão que retire da União Europeia a política dos burocratas do excel, da ditadura dos mercados financeiros e do secretismo negocial.

 

Não será assim tão complicado à Europa Unida sair deste tortuoso caminho que culminará na sua implosão. Basta que Bruxelas regresse aos tempos do diálogo que esclarecia o cidadão e nos fazia sentir primeiro Europeus e somente depois nacionais dos nossos países.

 

Mas para isto é preciso que a ortodoxia do Partido Popular Europeu e seus acólitos (os Direitolas como Pedro Passos Coelho e Assunção Cristas por exemplo) percebam de uma vez por todas que não é a através da imposição de políticas de austeridade - sob o estapafúrdio -pretexto fatalista de que quem nasce pobre será pobre para todo o sempre - não é o caminho que temos de traçar para que o problema espanhol não venha a ser uma triste e perigosa realidade em toda a Europa.

 

Texto publicado no site Repórter Sombra

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publicado às 23:03


Podemos estar sossegados?

por Pedro Silva, em 01.02.16

Imagem Crónica RS.jpg

1 – Findas as eleições presidenciais eis que Marcelo Rebelo de Sousa sucede a Cavaco Silva na presidência da nossa 3.º República.

 

E se o Povo disse está dito. Democracia é isto mesmo e como tal não se pode agradar, nunca, a Gregos e Troianos. Haverá sempre uma margem da população Lusa que não ficou contente com a vitória de Marcelo, mas como disse atrás, este é um dos “males” da Democracia e temos todos de saber conviver com eles.

 

E é sobre este mal que lanço aqui a minha grande dúvida sobre o Presidente Marcelo.

 

O Professor tem por hábito querer agradar a todos, contudo já todos vimos que tal é impossível em Democracia. Daí que me pergunte como irá Marcelo lidar com as questões fracturantes da nossa Sociedade.

 

Cavaco Silva ao ter vetado a adopção de crianças por casais do mesmo sexo e as alterações à Lei do Aborto deixou a Marcelo duas destas questões… Vamos a ver como o Professor se irá comportar. Até lá mantenho a minha postura de esperar para ver, mas vou desde já dizendo que se calhar não vamos ter, ainda, o desejado sossego que ambicionamos desde que José Sócrates colocou a Troika a “entroikar-nps”.

 

2 – Ainda sobre a eleição de Marcelo apraz-me dizer que não tenho assim tanta certeza de que vamos voltar a ter um centro na nossa Política e que a Direita e Esquerda ficaram órfãs.

 

E tenho tal ideia muito por causa do que escrevi no ponto anterior. O que irá Marcelo irá fazer quando estiver diante de uma postura mais radical da parte de Passos Coelho e da sucessora de Paulo Portas? Irá procurar apelar ao bom senso da parte de quem já o apelidou, indirectamente, de cata-vento? Ou irá este dar razão e aceitação incondicional à sua família política como fez Cavaco Silva nos anos em que foi Presidente da República?

 

Desenganem-se aqueles que pensam que pensam que a Esquerda e Direita estão órfãs. Aliás não sei de onde se retira tal conclusão porque do que se sabe do Marcelo comentador é que numa semana diz uma coisa sobre um determinado tema e na semana seguinte diz outra bem diferente sobre o mesmo tema.

 

Portanto vamos aguardar. Não nos deixemos iludir pela postura tímida de Passos e Portas até porque estes já nos mostraram, num passado não muito distante, que são capazes de tudo.

 

3 - "Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista" ... "São opções e não quero critica-las" .... "Não somos capazes de mudar. Fazemos sempre a mesma opção por uma forma séria de fazer política".

 

Estas foram algumas das declarações de Jerónimo de Sousa ao péssimo resultado alcançado pelo Partido Comunista Português nas presidenciais.

 

Jerónimo é o menos culpado de todos neste triste filme. Isto porque quem realmente manda no PCP é o Comité Central, um órgão secular cujos membros só são substituídos quando falecem (ao estilo da antiga União Soviética e o seu famoso politburo). Daí que seja natural este tipo de discurso quando o Partido “leva uma banhada” de alguém mais jovem e cuja forma de estar na política se adaptou aos tempos modernos.

 

Os Partidos Comunistas estão em vias de extinção por esta Europa fora e pelos vistos o PCP quer seguir o mesmo caminho. E estas declarações são bem elucidativas no que ao futuro do PCP diz respeito.

 

O problema do Partido Comunista Português é precisamente o de não ser capaz, nunca, de mudar e de teimar em fazer sempre o mesmo seja onde for e em que contexto for. Em suma, estão orgulhosamente sós até ao fim e depois a culpa é das “engraçadinhas” e dos “populistas”.

 

4 – Já que aqui falei de coisas que nunca mudam na nossa Imprensa também existem coisas que nunca mudam.

 

Até que compreendo que se queira manter o nível das vendas porque sem lucro não há órgão da Comunicação Social que resista não obstante TODOS serem subsidiados pelo Estado Português, mas tenham lá santa paciência e parem com o berreiro caótico da semana passada…

 

Se a Europa dialoga com Portugal é o fim do mundo. Se a Europa impõe medidas a Portugal é o fim do mundo. Se a Europa tem dúvidas sobre o Orçamento de Estado do corrente ano cível e procura vê-las esclarecidas é o fim do mundo. Se o Governo Português dialoga com as Instituições Europeias e Credores é o fim do mundo.

 

Sinceramente. Decidam-se Srs. e Sras. Jornalistas. Bem sei que o vosso brio profissional foi pelo ralo abaixo há muito tempo e que o vosso Código Deontológico serve somente para pisa papéis ou para equilibrar uma mesa cuja perna esteja torta, mas existem limites. Somos um Povo de brandos costumes mas tudo tem um limite!

 

5 – Para o final deixei duas breves notas que, quando tiver oportunidade, serão mais desenvolvidas.

 

A primeira prende-se com a forma vergonhosa como a Europa tem tratado o problema dos Refugiados.

 

Expulsões, maus tratos, pulseiras coloridas, apreensão de bens, etc, etc. Tudo actos que nos fazem recordar o período negro da Alemanha nazi que são praticados por Paises ditos desenvolvidos como a Suécia, Dinamarca, País de Gales, Hungria e Áustria obrigam-nos a reflectir se, realmente, aprendemos alguma cosia com o Holocausto.

 

Bem sei que o Sr. Martin Schulz não quer que se toque no problema de se tratar os Refugiados como os nacionais dos Países referidos em cima (um Ministro Dinamarquês disse isto mesmo: é tudo uma questão de se tratar os Refugiados da mesma forma como se trata um Dinamarquês na Dinamarca), asm isto tem mesmo de ser denatido, dissecado e devidamente analisado… Sob pena de a Europa se tornar numa espécie de IV Reich.

 

O outro ponto prende-se com a candidatura de António Guterres ao cargo de Secretário-geral da ONU.

 

Anda para aí muita malta animada com o tema mas por acaso a malta sabe que isto da ONU é uma tremenda fantochada não sabe?

 

Primeiro que tudo quem realmente manda na ONU é o Conselho de Segurança. O Secretário-geral não é mais do que um simples fantoche do Conselho de Segurança.

 

Segundo, depois que os Estados Unidos da América e Inglaterra lançaram a moda das invasões unilaterais de Países à revelia do Direito Internacional porquê carga de água nós Portugueses e Cidadãos do Mundo temos de ficar orgulhosos com a candidatura do Engenheiro Guterres?

 

Artigo publicado no Repórter Sombra.

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publicado às 19:00


A caminho da Paz?

por Pedro Silva, em 05.10.15

Imagem Crónica Repórter Sombra.gif

1- Surgiram novos desenvolvimentos no conflito Sírio. Moscovo passou das palavras aos actos e levou a cabo uma série de ataques aéreos contra posições do Estado Islâmico/Rebeldes. E fê-lo com aviso prévio a Washington de apenas uma hora, dando assim a Rússia uma clara demonstração de força ao Ocidente. Para além disto, segundo o que tem vindo a público, estes ataques servirão para que as tropas de Bashar al-Assad recuperem terreno entretanto conquistado pelo Estado Islâmico.

 

Reparem que aqui não faço menções aos tais de “Rebeldes” pois estes são o Estado Islâmico só que muitas vezes são anunciados ao Mundo nesta versão mais soft para que a opinião pública Ocidental não perceba que o Estado islâmico assenta o seu crescimento, treino e poderio na força militar dos Estados Unidos da América, Turquia e Israel. Se ainda duvida de tal veja o que fizeram as tropas Curdas que receberam armamento da Alemanha e para que lado passaram a combater.

 

Como vai tudo isto acabar? É difícil de se dizer porque nesta Guerra há muito em jogo, mas quer-me parecer que este maior envolvimento da Rússia no conflito Sírio poderá ser o primeiro passo para o seu final com a restauração de um Regime com o qual a maioria do Povo Sírio se identifica. Isto a não ser que o Ocidente liderado pelos Estados Unidos se lembre de fortalecer os seus “amigos da onça” da região.

 

2-Bruxelas acha que em Portugal há ainda há margem de manobra para um aumento de impostos. Este mesmo aumento deverá incidir no consumo e nos impostos verdes pois, segundo a Comissão Europeia, as famílias já estão saturadas e como tal é impossível aumentar-se o valor dos impostos sobre o trabalho.

 

Sinceramente gostava mesmo muito de saber de onde retiraram tal ideia os burocratas de Bruxelas… Mas não fico nada admirado que tal tenha vindo de uma qualquer folha de excel made in Ministério das Finanças. E não é para menos pois com esta “trama” das facturas – descontos no IRS o Estado Português passou a dar uma de Big Brother e tem depois estas brilhantes iniciativas.

 

Continue a ler o resto do artigo no Repórter Sombra

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publicado às 16:30


Síndrome Don Quixote

por Pedro Silva, em 07.10.14

Comissão Europeia ameaça rejeitar o Orçamento francês para 2015. Governo de Paris, longe de cumprir compromisso sobre metas do défice, responde: "Não faremos mais do que já fazemos".

 

Já há muito que venho dizendo que a actual União Europeia (UE) das duas uma; ou é ignorante ou foi tomada de assalto por ignorantes que retiram algum lucro da sua ignorância.

 

O Tratado Orçamental foi criado numa altura de euforia onde ninguém pensou no futuro senão numa coisa cor-de-rosa onde todos dávamos as mãos na construção de um projecto comum. Bastou uma Crise Internacional para que uma tremenda baldada de água fria tivesse acabado com o dito sonho. Qualquer Economista e Cidadão de boa-fé, com algum bom senso e um razoável conhecimento da realidade diz com clareza que o Tratado Orçamental que vigora na UE é uma utopia.

 

É impossível exigir a todos os Países Signatários do mesmo que tenham um Défice de determinado valor sob pena de sofrerem uma penalização. Isto porque, graças a uma Política Comum nos sectores da Pesca, Agricultura e Indústria, se exterminou (exterminar é o termo mais correcto) os sectores produtivos de muitos Países, acabando desta forma com os parcos recursos de que estes dispunham para gerar a riqueza que lhe possibilitasse combater, por si só, o seu Défice.

 

Um País não é uma empresa que declara a insolvência e cada um segue o seu caminho. Os Países perduram no tempo e tem de cumprir com as suas obrigações internas e externas seja de que maneira for. Como tal estes recorrem aos Mercados para se financiarem e aumentam, irremediavelmente, o valor da sua dívida. Tal resulta, obviamente, num aumento dos valores das Dívidas dos Países da UE e ao aumento do risco do não cumprimento do Tratado Orçamental Europeu. Ora, por determinação do mesmo, eis que Bruxelas impõe a aplicação de medidas de austeridade. Mas quanto mais medidas deste tipo se aplica, mais os Países sentem a necessidade de se endividar porque estas asfixiam a sua Economia de tal forma que os parcos recursos de que dispõem não chegam para cobrir um décimo da sua Dívida Pública que já era elevada antes da chegada da austeridade. Ora, perante este cenário de austeridade brutal que vai sendo reforçado por Bruxelas, os Países têm de aumentar o recurso ao crédito, aumentando desta forma ainda mais o valor do seu Défice. Sucede porém que tal conjugação de factores coloca em xeque o cumprimento do Tratado Orçamental. È isto que está a acontecer em França e Itália, duas das maiores Economias Europeias.

 

A este fenómeno que expus acima eu dou o nome de Síndrome Don Quixote. Isto porque neste momento temos uma UE que combate um inimigo ilusório e que, forçosamente, arrasta consigo Países como Portugal/Espanha/Grécia/Irlanda que são o Sanco Pança desta história que quando tiver um final vai ser o pior de sempre do Velho Continente.

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publicado às 16:29


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