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Há o refundar e o refundar

por Pedro Silva, em 22.11.18

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Recentemente ouvi alguns trechos de um discurso de Emmanuel Macron, actual Presidente francês, feito no Parlamento alemão. Ficou-me no ouvido a palavra “refundar”. Segundo Macron, cabe à sua França e à Alemanha - ainda da Sra. Merkel – a árdua tarefa de “refundar” a Europa.

 

Ora face a tal declaração pública do mais alto governante gaulês, apraz-me colocar a seguinte questão: O que quer dizer Macron com isto do “refundar a Europa”? È que há o “refundar” e o “refundar”. Passo a explicar.

 

Durante séculos o Velho Continente sofreu imensas transformações nas suas fronteiras. Entre guerras, tratados e outros “arranjos” diplomáticos as fronteiras de países como a França e a Alemanha (por exemplo) foram-se alterando até terem adquirido a actual forma. Forma esta que, a título de complemento, não tem garantias absolutas de que se venha a manter dado que são muitas e bem conhecidas as quezílias regionais e as disputas – mesmo que a nível diplomático como sucede entre a Alemanha e a Dinamarca, por exemplo – que marcam a vida do continente europeu.

 

Daí a minha pergunta: O que quis Macron dizer com a “refundação” da Europa? Este não estava, com toda a certeza, a referir-se à necessidade de se traçar, com urgência, um novo rumo para a União Europeia. Isto porque a União Europeia está longe de ser algo onde somente a França e a Alemanha tem uma palavra a dizer no que á sua condução diz respeito. A União Europeia é hoje composta por 28 Estados-membros e, partindo do princípio de que no seio da UE vigora uma Democracia Representativa, qualquer decisão sobre o futuro da Europa tem de passar por um escrutínio onde a maioria dos Estados-membros ditarão este mesmo futuro após o terem debatido e votado no local próprio (entenda-se Parlamento Europeu).

 

Convinha, portanto, que Emmanuel Macron viesse a público explicar a todos nós cidadãos europeus o que quis dizer com isto de “refundar a Europa”. É que a Alemanha já tentou pela força das armas “refundar” a Europa entre 1914-17 e 1939-45 (neste período com a ligeira conivência da França). Não me parece que haja assim grande apetência de todos os povos europeus para que o eixo franco-germânico tente de novo “refundar” a Europa recorrendo - desta vez - à força da economia e da finança. Os resultados de tais tentativas de “refundação” redundaram, em grande parte, numa coisa chamada “Brexit” e na escalada (preocupante e calamitosa) das denominadas forças extremistas que – mais uma vez - ameaçam a paz do Velho Continente.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (20/11/2018)

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publicado às 12:33


A problemática do depois

por Pedro Silva, em 07.11.18

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Quem tiver por hábito acompanhar os meus pensamentos já sabe que eu não sou um dos grandes simpatizantes da Sra. Merkel e da sua política errante, autoritária e cegamente austera para a Europa. Sempre fui muito crítico das posições que a Sra. Chanceler seguiu nos anos da crise grave crise que assolou a Europa e o Mundo e continuo a insistir na tese de que a Sra. Merkel é, acima de tudo, a principal responsável pela escalada autoritária que provocou as fortes e perigosas actuais divisões no seio da União Europeia que tem sido a base de militância e de força dos nacionalismos que alimentam as facções extremistas que, aqui e acolá, começam a ocupar cargos de poder nos países europeus.

 

Contudo tenho de confessar e expressar a minha preocupação pelo facto de Angela Merkel ter anunciando publicamente que não se recandidata a mais um mandato de Chanceler. E sinto tal porque a Europa começa aos poucos a “cair nas mãos” da extrema-direita que coloca acima de tudo e todos o seu nacionalismo exacerbado.

 

Acresce ainda a o simples (e nada menos preocupante) facto de que na Alemanha da Sra. Merkel a extrema-direita (e o tal nacionalismo exacerbado) tem ganho muita força popular tendo, inclusive, chegado ao ponto de já termos tido elementos ligados a este movimento a aterrorizar a população estrangeira com a conivência e beneplácito dos serviços secretos germânicos. Serviços cujo líder – entretanto demitido – disse publicamente que não houve perseguição alguma da população estrangeira em cidades alemãs onde a extrema-direita tem uma – cada vez mais – forte presença. E como se não bastasse, é do conhecimento público a quezília territorial – fruto da 2.ª Guerra Mundial - entre a Alemanha e a Dinamarca que nos últimos tempos tem crescido de tom na parte germânica…

 

Ora tudo isto para aqui dizer que a anunciada retirada da cena política da Sra. Merkel mais parece a de Nero que mandou incendiar Roma. E vamos a ver quais as “ondas de choque” que tal saída irá, com toda a certeza, criar até porque a Europa está como está e a Alemanha vai ter de enfrentar um vazio em termos de liderança que, na minha opinião, pode muito bem vir a ser perigoso. A história nunca se repete, é um facto, mas tem muitas cópias parecidas e já todos percebemos que o que vem aí para a Europa e Mundo não é nada de bom.

 

As Comissões estão em saldo?

 

Olhando agora um pouquinho para o que tem feito as delícias dos jornais (e não só) no que á nossa política diz respeito, apetece-me questionar as Sras. e Srs. Deputados da Assembleia da República se porventura as Comissões de Inquérito estão em saldo. Dirijo tão pertinente e curiosa questão à líder do CDS dado que este pequeno partido tem sido aquele que mais tem exigido a feitura das tão propaladas Comissões de Inquérito.

 

Indo agora ao cerne da recente questão que tanta celeuma tem levantado (para quem ainda não percebeu, refiro-me aqui ao caso de Tancos), questiono-me qual a grandiosa utilidade da realização de uma Comissão de Inquérito sobre um caso que esteve a ser investigado pela Polícia Judiciária e Ministério Público. Eu disse “esteve” pois a realização da tão propalada Comissão irá suspender os trabalhos dos investigadores tal como está preceituado na Lei.

 

Tendo em consideração que no passado se fizeram outras tantas Comissões de Inquérito onde o mediatismo e o enxovalho público de certas personalidades políticas e civis da nossa sociedade foram a nota dominante, pergunto-me qual será o grandioso proveito legal e político que a líder do CDS - e de quem a apoia - retira de uma Comissão de Inquérito a um caso que é (sem tirar, nem por) um caso de polícia?

 

Daí que volte a colocar em cima da mesma a questão que serviu de mote a esta pequena reflexão: As Comissões de Inquérito estão em saldo?

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (06/11/2018)

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publicado às 18:25


Caminhando orgulhosamente para o abismo

por Pedro Silva, em 09.07.18

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Em Portugal perde-se tempo precioso a discutir o vazio em vez de olhar para o essencial. Dito de outra forma; estar a debater se porventura a plataforma de apoio ao governo de António Costa é a mais pura perda de tempo. Bem sei que existem muitos jornalistas e analistas políticos da nossa Praça que querem espalhar o pânico porque sabem que assim “vendem mais” e fazem-se ouvir, mas fora do nosso pequeno país estão a acontecer coisas terríveis. E a uma velocidade incrivelmente medonha. Tão incrível que custa a crer que tal não seja objecto da mais profunda análise por parte de quem se debruça sobre política em Portugal.

 

O Orçamento de Estado de 2019 vai ser aprovado. Ponto final! Se vai haver um certo e necessário teatro durante a sua discussão? Vai. Mas que interesse tem isto para nós enquanto cidadãos? Zero! Já o que se está a passar no espaço europeu é gravíssimo e deveria merecer muito mais da nossa atenção. Nunca a União Europeia esteve tão próximo do fim. Mas quem lê as notícias e as opiniões dos comentadores políticos fica coma clara e errada ideia de que «no passa nada». Passa-se algo e o que vou vendo é toda uma Europa a caminhar orgulhosamente para o abismo.

 

As recentes revindicações e imposições italianas no que á política europeia de acolhimento de refugiados, a perseguição criminosa que a Hungria promove a todos os refugiados e a quem os ajuda mesmo que tal ajuda seja, tão-somente, no preenchimento de um qualquer impresso, a crise democrática que se vive na Polónia, o avanço das forças de extrema-direita na Europa Central/Norte que aos poucos está a ocupar o vazio político que os últimos anos de governação europeia franco-germânica criou, as recentes convulsões políticas na Alemanha e, inclusive, o já famoso «Brexit» são sintomas de que algo não está mesmo nada bem na Europa. Raras são as vezes em que concordo com Marcelo Rebelo de Sousa, mas recentemente este afirmou que quem olha hoje para a Europa vê muito da Europa antes do eclodir da 2.ª Guerra Mundial.

 

Confesso que tal estado de coisas me assusta. Especialmente o ar normal que muitos de nós fazemos quando olhamos para este cenário e acabamos a debater se a Alemanha está, ou não, a mandar mais ou menos na nossa Europa. Como se o cerne da questão não fosse precisamente o de se ter retirado a Democracia do espaço europeu para no seu lugar se implementar – mesmo que à força dos ditos “mercados e afins” – uma espécie de dictat germânico.

 

È precisamente este mesmo dictat que fez com que tudo esteja como está- A Sra. Merkel deve mandar no seu país. Tal como cada governante de cada Estado-membro da União deve mandar no seu país. Querer seguir outra via que não a do diálogo e busca de soluções adequadas aos tempos que correm é, repito, caminhar orgulhosamente para o abismo.

 

E em jeito de remate final gostaria de fazer notar que o «Brexit» não será péssimo somente para os britânicos. Tendo em consideração a forma como a Europa está e o sectarismo que a Alemanha da Sra. Merkel protegeu durante anos (tal foi do seu agrado e conveniência), vai acabar por ser mais um prego no caixão do projecto europeu.

 

Por isto continuemos a debater o folclore do próximo Orçamento numa de vingança para como o Governo de Costa. Não despertemos para o que realmente interessa antes que seja tarde demais. Continuemos assim que estamos bem.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (09/07/2018)

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publicado às 21:30


O “furacão”

por Pedro Silva, em 03.10.16

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Kristalina Georgieva é hoje em dia o olho de um “furacão” de corrupção, compadrio, aldrabice e outras coisas tais que fazem da política a pior coisa que o Mundo já viu.

 

Este dito “Furacão” nos últimos anos tem estado a destruir – de forma lenta e progressiva – o projecto europeu. E pelos vistos não faz intenções de se ficar por aí dado que o tal “Furacão” - criado pelo Partido Popular Europeu (PPE), liderado por Angela Merkel e seus irredutíveis apoiantes – se prepara agora para fragilizar (ainda mais) uma instituição internacional que cada vez tem menos credibilidade junto de Estados e Cidadãos. Falo, com toda a certeza, da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Passo a explicar.

 

Desde a sua formação que a ONU tem sido vista mais como uma instituição de boas intenções do que uma instituição de acção. Isto porque não obstante todos os Países do Mundo terem assento na sua Assembleia-Geral, quem realmente comanda os destinos da dita instituição é o Conselho de Segurança. Este Conselho é composto por 15 membros, sendo que 5 dos seus membros são permanentes e tem poder de veto. São eles; Estados Unidos, França, Reino Unido, a Rússia e a República Popular da China. Os demais dez membros são eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos. Acrescente-se que uma resolução do Conselho de Segurança só é aprovada se tiver a maioria de 9 dos quinze membros, inclusive os cinco membros permanentes. Um voto negativo de um membro permanente configura um veto à resolução. O Conselho de Segurança e esta sua forma de funcionar foram de uma importância vital durante o período da Guerra Fria. Período onde foi fundamental manter um certo equilíbrio de forças entre as duas super potências da altura (USA e URSS).

 

Com o final da Guerra Fria não faz sentido algum manter-se o panorama funcional que perdura na ONU onde a transparência é algo de raro (muito raro mesmo). A organização é hoje vista como uma tremenda anedota onde os mais poderosos ditam a sua Lei. A injustificada invasão do Iraque à revelia do Direito Internacional foi a cereja no topo do bolo do ridículo em que caiu a ONU.

 

O actual processo de eleição do novo Secretário-Geral das Nações Unidas está, na minha opinião, a ser mediatizado porque os membros da aqui referida organização perceberam que há que mudar algo para que a ONU não se torne numa réplica da falhada Sociedade das Nações. E a verdade seja dita que – embora não sendo perfeito – o processo eleitoral do novo Secretário-Geral da ONU até que estava a decorrer dentro daquilo que se denomina de “normalidade democrática”.

 

Estava. Pelos vistos a Direita Europeia, não satisfeita com a destruição que tem feito num projecto europeu que demorou décadas a evoluir, eis que esta se serve do pior que existe no Mundo da Política para se chegar à frente com uma sua “Candidata”. E este “chegar-se à frente” não teria mal nenhum se tivesse sido feito em igualdade de armas e circunstâncias. Dito de outra forma; Kristalina Georgieva deve passar pelo mesmo escrutínio a que todas as outras candidaturas foram submetidas até ao momento.

 

Fica mal – muito mal - ao PPE e a Angela Merkel (mais uma vez) darem uma de “eu quero, posso e mando”. Mas a verdade seja dita que não seria de esperar outro tipo de postura da parte de gente que esta semana vai fazer o impossível para que a sua política seja sancionada por uma Europa dominada por eles próprios.

 

Um aparte; há por aí uma certa ala dita “feminista” que defende a eleição de Kristalina Georgieva porque entende que é chegada a hora de uma mulher ocupar o cargo de Secretário-Geral da ONU. Confesso que nada tenho contra a ideia de uma mulher poder ocupar o dito cargo. Agora a mulher que venha a ocupar o dito cargo deve demonstrar que tem capacidade para o fazer e, até prova em contrário, Kristalina Georgieva mão demonstrou ter capacidade para outra coisa senão ser uma marioneta na mão de Angela Merkel e seus apoiantes.

 

Artigo publicado no Repórter Sombra (03/10/2016)

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publicado às 22:44


“Filhos do Mesmo Deus”

por Pedro Silva, em 29.06.15

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“Filhos do Mesmo Deus” é um filme do Realizador Yurek Bogayevicz que nos relata a história de um rapaz Judeu de 11 anos que é separado da sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Escondido dentro de um saco de batatas este é levado para uma pequena Vila na Polaca, onde é adoptado por um Agricultor Católico.

 

Agora imaginemos que o rapaz é o Primeiro-ministro Grego Alexis Tsipras. Tal como o rapaz do filme de Yurek Bogayevicz, Tsipras é obrigado a ter de esconder a sua verdadeira identidade e de ter de “massacrar” o seu Povo para agradar aos Credores. E tudo isto porque, segundo aquilo que Pacheco Pereira apelidou de “Pensamento Dominante”, os Gregos foram irresponsáveis no passado e como tal agora tem de pagar o elevado preço da sua irresponsabilidade.

 

Dá que pensar não dá?

 

O mais engraçado é que os Gregos são tão Europeus como os seus Credores…Europeus!

 

Leia o artigo completo no Repórter Sombra

 

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publicado às 17:00


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