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Momento Mafalda (174)

por Pedro Silva, em 16.01.18

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publicado às 21:42


Alea jacta est

por Pedro Silva, em 27.06.16

Imagem Crónica RS.jpe 

Alea jacta est (grafia em latim: alea iacta est) significa, em português, "O dado está lançado", mas traduzido comumente como "A sorte está lançada". Na linguagem popular, é uma expressão utilizada quando os factores determinantes de um resultado já foram realizados, restando apenas revelá-los ou descobri-los. Foi a frase em latim supostamente proferida por Júlio César ao tomar a decisão de cruzar com as suas legiões o rio Rubicão, que delimitava a divisa entre a Gália Cisalpina (Gália ao sul dos Alpes, que atualmente corresponde ao território do norte da península Itálica) e o território da Itália. In Wikipédia

 

E pronto. Eis que o Brexit se tornou realidade. O Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) iniciou o processo de saída da União Europeia. E este é, sem sombra de qualquer dúvida, o momento ideal para que toda a Europa inicie - de imediato - uma profunda reflexão. O Brexit não é um grito de revolta pelo que está a suceder na Europa em si. É antes a manifestação corpórea de uma extrema-direita que está cada vez mais próxima dos corredores do Poder em muitos países europeus e tal irá – mais cedo do que tarde – colocar em xeque a paz no Velho Continente.

 

Sim. Este é um momento que exige reflexão ao invés de estarmos todos a jogar o pachorrento e infinito jogo da culpa. No Brexit todos nós tivemos culpa. Todos sem execpção. É verdade que David Cameron teve mais pujança do que razão quando se lembrou de jogar um jogo político que acabou mal para ele e para os seus. Mas não façam de Cameron o único vilão desta triste história. E deixem o povo britânico de fora deste jogo estapafúrdio das culpas.

 

Se querem apontar o dedo a alguém apontem-no - com força e plena convicção - a todos nós que entregamos a condução do projecto europeu a burocratas em Bruxelas que não sabem ver mais nada senão uma folha de excel e uma série de teorias bacocas neoliberais que não passam de meros pensamentos criados numa qualquer esplanada de café acompanhados de uma boa chávena da mais pura cafeína.

 

Contudo se há pessoa que está perfeitamente à vontade nisto das culpas sou eu. Já há muito que venho dizendo que o caminho que a Europa unida vem segundo há já uns bons anos a esta parte é mau. Péssimo. Terrível. Uma Europa que “mói” Democracias, que “esvazia” Parlamentos, que impõe a sua política pela força da finança, que coloca Norte contra o Sul, que maltrata os Estados-membros periféricos, que financia guerras, que apoia e financia movimentos obscuros e – sobretudo – que se esquece da Democracia, do Estado Social, de igualdade, liberdade e fraternidade em detrimento da alta finança e do grande capital (mercados) não tem futuro.

 

É esta a nossa triste realidade. Uma Europa onde o Brexit está a ser encarado por todos os actores europeus como algo de perfeitamente normal até porque – segundo os burocratas não eleitos de Bruxelas - quem fica verdadeiramente a perder são os britânicos (em último casos os Ingleses).

 

Como é óbvio a extrema-direita afia as facas e agradece de sorriso aberto tal comportamento. A Europa insiste na via-sacra da austeridade nua e crua (algo reprovado pelo FMI) porque os bacocos, ultrapassados e completamente desfasados da realidade Tratados Europeus assim o determinam.

 

Não se tenha a mais pequena dúvida de que a caixa de pandora está aberta e de que os ventos de 33 do século passado voltaram a soprar.

 

Alea jacta est.

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 22:09


E o resto?

por Pedro Silva, em 20.06.16

Imagem Crónica RS.jpg 

Há uns tempos atrás Mariana Mortágua, Deputada do Bloco de Esquerda e Jornalista, publicou no Jornal de Notícias uma crónica de opinião em que falava da situação da Venezuela. Resumidamente a opinião da Bloquista assentava essencialmente no facto de hoje em dia a Venezuela ser uma Ditadura governada por lunáticos que se aproveitaram de um conjunto de factores para se eternizarem no poder. A Mariana diz tal reiterando que, embora sendo de Esquerda, não tem problema algum em dizer que repudia o que está a suceder naquele país da América Latina.

 

Mas a Mariana não se fica por aí. Na sua crónica esta lança uma pergunta. Pergunta que também eu faço. E o resto? E as outras populações estão reféns de poderes e interesses que jogam com mestria o jogo democrático para se manterem no poder?

 

A Mariana apontou – e muito bem – o seu dedo crítico a Angola, país que é dominado há já muitas décadas pela elite militar que enriqueceu à custa do povo. Contudo eu vou mais além. Prefiro estender a saudável e correctíssima visão da Mariana a outros pontos no Mundo (muito em espacial na Europa).

 

No Brasil tivemos recentemente um golpe levado a cabo por uma minoria de Direita ultra conservadora que está sob a alçada da Justiça em diversos processos de corrupção.

 

Na Turquia Erdoğan e a sua máquina governativa eternizam-se nos corredores do poder em Istambul. São conhecidas as posições destes relativamente aos Direitos Humanos. Liberdades, Direitos e Garantias são uma regalia de alguns na Turquia do século XXI e as Mulheres são meros “objectos”. A juntar a isto tudo temos a forma “nada violenta” como Erdoğan lidou, lida e lidará com a oposição Curda e o problemático Médio Oriente.

 

Em França Hollande está numa longa e penosa guerra aberta com todos os seus trabalhadores por causa de uma reforma laboral que visa retirar direitos a quem tem de trabalhar todos os dias para poder ter uma vida digna. Inclusive já se chegou ao ponto de se ver o Presidente Francês a ameaçar proibir o direito à manifestação.

 

Na Polónia movimentos de extrema-direita mostram a sua força em Varsóvia com a aceitação e profundo agrado da actual Primeira-ministra ultra conservadora e nacionalista. Emigrante na Polónia é hoje em dia um “verme” da Sociedade que deve ser expulso à paulada como sucedeu com um estudante Português há não muito tempo.

 

Na Hungria temos os “camisas negras” a crescer a olhos vistos. Inclusive já podemos ver tal aberração ao vivo e a cores nos estádios do EURO 2016. Dito de outra forma; o fascismo está em crescendo na Hungria muito por culpa da chegada ao poder de uma personagem que acha que tudo o que não seja Húngaro é uma aberração que deve ser tratada a pontapé.

 

No Reino Unido - onde o Brexit é um “papão” cada vez mais real - matou-se uma Deputada do Partido Trabalhista numa qualquer rua de Londres numa altura em que ambos os lados (a favor da manutenção na Europa e do Brexit) digladiam argumentos cada vez mais violentos e extremistas.

 

Nos Estados Unidos da América um louco sem cadastro comprou uma metralhadora numa loja de armas e resolveu descarregar os cartuchos da dita num bar Gay. Mais um caso entre muitos outros que não tem fim à vista porque o lobby das armas de fogo fala muito mais alto do que a segurança dos cidadãos.

 

Em suma, a lista de exemplos é vasta. Mas como facilmente se constata são muitas as populações estão reféns de poderes e interesses que jogam com mestria o jogo democrático para se manterem no poder.

 

Na Venezuela um maníaco (des)governa o país. Em Angola os mesmos de sempre ditam Leis e vontades através da força da corrupção. E o resto?

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 22:59


Ainda há quem se admire com o Brexit?

por Pedro Silva, em 06.06.16

Imagem Crónica RS.jpg 

Ponto prévio; pode não parecer mas eu sou europeísta. E quando aqui digo que sou europeísta não estou com isto a afirmar que concordo e aceito o federalismo europeu porque tal se trata de uma ideia que é, de todo, impossível. Para mais o ser europeísta não é sinónimo de que se aceita o actual estado em que se encontra a União Europeia.

 

É um triste facto. A União Europeia está em declínio e nunca a sua extinção esteve tão próximo de acontecer. Os problemas são mais do que muitos e para tal bastou que a Europa se tivesse “partido” em duas por sua manifesta vontade. Falo aqui – obviamente - da criação da zona euro, zona que não alberga todos os Estados-membros da União Europeia mas que influencia a vida de toda a União Europeia. Tal influência tem feito aquilo que o icebergue fez ao Titanic.

 

Não é um mero acaso que hoje em dia se fale com tanta insistência e extrema preocupação do Brexit. Realmente nenhum povo europeu está na disposição de abdicar – ainda mais - da sua soberania em prol de um projecto europeu que sanciona os Estados-membros que seguem à risca a política do Euro grupo. Assim como há cada vez menos gente predisposta a realizar sacrifícios em prol do cabal respeito do preceituado nos tratados europeus e ver um País como a França não ser sancionada pelo desrespeito dos ditos Tratados somente porque é a França.

 

Confesso que nunca entendi o porque de ter de existir um Tratado Orçamental na zona euro. Tal figura surge seguindo a ideia de que os governantes são todos uns irresponsáveis que olham para as Finanças Públicas como se de um Cartão de Crédito se trate. Ainda se o dito Tratado previsse regimes de execpção em casos de crise financeira “eu era como o outro”, mas tal não existe e o que sucede realmente é que os países signatários do dito Tratado tem de fazer tudo e mais alguma coisa para o cumprir sob pena de serem sancionados. Ou seja; execpetuando a França. Alemanha, Bélgica, Holanda e Áustria todos os outros Países da zona euro tem de reduzir o investimento público em sectores sensíveis como a Segurança Social, Segurança, Trabalho e Saúde para que os seus défices orçamentais não ultrapassem os 3%. E tal tem de ser assim quer se esteja em clima de crise financeira/catástrofe natural/ataque terrorista/crise humanitária ou não.

 

Sinceramente ainda estou para perceber como é que os Países da dita zona se meteram nisto da zona euro…

 

Agora juntemos a esta tremenda trapalhada (uma expressão muito em voga nos dias de hoje) a crise dos refugiados – crise que França e Inglaterra ajudaram a criar – e percebem porquê razão eu afirmo que a Europa Federada não passa de um sonho tresloucado sonhado na geração de 90 sob a influência de uma qualquer substância psicotrópica.

 

Em suma: actualmente existem duas Europas dentro da União Europeia. Em ambas ninguém se entende e estão todos uns contra os outros por questões meramente políticas (dizem os políticos europeus).

 

Em jeito de remate final coloco a seguinte questão: Ainda há quem se admire com o Brexit?

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 22:05


Apesar de tudo foi um teste

por Pedro Silva, em 02.06.16

imgS620I175850T20160602214019.jpg 

Imagem de zerozero

 

Começo esta minha análise ao jogo de Portugal com a frase que serve de título a este texto: “Apesar de tudo foi um teste”. E opto por tal porque já há para aí muito comentador que quer fazer de um jogador o “ogre” que estragou tudo diante de Inglaterra. É verdade que Bruno Alves foi pouco inteligente quando fez a falta que fez mas, a meu ver, existem problemas bem maiores do que a falta de sensatez de Bruno Alves. Vamos por partes.

 

Já aqui tinha dito que o 4x4x2 losango de Fernando Santos é uma boa opção - tendo em consideração o leque de opções que o técnico tem à sua disposição - mas se porventura o médio centro por onde passa todo o jogo ofensivo português estiver em baixo de forma e no ataque não aparecer um virtuoso com capacidade para “esticar” o jogo e manter a defesa adversária em sentido o sistema colapsa por completo. Dito de outra forma; o 4x4x2 losango de Fernando Santos não está mal pensado porque dá para se defender muito e bem, mas se João Moutinho jogar como jogou hoje e se Nani for a nulidade que todos vimos então Portugal não conseguirá impor o seu jogo. Convêm relembrar que na fase de grupos a nossa Selecção vai medir forças com equipas teoricamente mais fracas que fazem do bloco baixo, transições rápidas e bolas aéreas a sua maior arma.

 

É por Portugal apostar teimosamente neste sistema que acabo por perceber a razão da chamada do jovem Renato Sanches. O moço é uma “locomotiva” que leva tudo à sua frente e hoje viu-se bem isto se bem que o tempo em que esteve em campo foi pouco para se aferir da sua real mais-valia para a equipa de Todos Nós.

 

Em jeito de conclusão penso que é escusado o “choradilho” que muitos têm feito por Portugal ter acabado a jogar contra dez diante da Inglaterra. É bom que a equipa lusa saiba o que tem de fazer neste tipo de situações dado que expulsões podem muito bem acontecer no EURO 2016. Repito o que já aqui disse por mais do que uma vez: “Apesar de tudo foi um teste”

Relativamente à Selecção Inglesa, confesso que fiquei desiludido. Foi uma equipa que mostrou um futebol muito interessante no último Mundial mas hoje não teve arte nem engenho para derrotar Portugal. É verdade que a nossa Selecção os obrigou a ter de circular a bola (coisa que os Ingleses nunca gostaram de fazer) mas não justificaram, de forma alguma, a vitória. Para mais o Seleccionador Inglês é lento a reagir aos acontecimentos e quando faz as substituições na base do que está programado e isto poderá vir a ser fatal à equipa de Sua Majestade no EURO de França.

 

Chave do Jogo: Inexistente. Em momento algum da partida Ingleses e Portugueses tiveram capacidade para fazer pender a vitória para o seu lado.

 

Positivo: Ricardo Carvalho e Ricardo Quaresma. A dupla de “Ricardos” mostrou que o Povo tem razão quando diz que velhos são os trapos. Carvalho esteve excelente na defesa portuguesa e Quaresma tem vindo a mostrar que Fernando Santos pode, e deve, contar com ele para “atacar” o título em França.

 

Negativo. Inocuidade ofensiva do sistema de jogo. O 4x4x2 losango de Portugal é excelente na defesa mas pouco eficaz ofensivamente. A dependência das individualidades poderá vir a “ser a morte do artista”.

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publicado às 23:20


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