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¡Adiós Fidel Castro!

por Pedro Silva, em 28.11.16

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Fidel Castro faleceu no passado sábado. Mas antes de partir El Comandante deixou a sua marca. Uma marca indelével que marcou profundamente a nossa história. Foi muito graças à Cuba de Fidel que assistimos à tardia transferência de um Mundo antigo para o nosso Mundo moderno onde as liberdades e identidade dos Povos falaram mais alto do que a opressão dos velhos, caducos, desfasados e rancorosos Impérios Ocidentais.

 

É realmente isto que incomoda muito boa gente. A Cuba de Fidel embaraça muito dos ditos “pró democracia” porque este minúsculo país das Caraíbas foi capaz de impulsionar movimentos independentistas em Africa, América Central e do Sul. Argélia e Angola são dois exemplos do que a Cuba de Fidel fez de bom pelo Mundo.

 

Fidel conseguiu resistir – de uma forma brilhante – à opressão dos Estados Unidos da América que viram naquele pequeno arquipélago o local ideal para as suas máfias instalarem os seus “negócios”. Sobreviveu à queda da União Soviética e ao jogo nuclear que foi encabeçado por Nikita Khrushchov e John F. Kennedy (ambos dispensam apresentações).

 

E, mais importante do que tudo, Fidel Castro conseguiu criar uma Cuba onde o Estado Social funciona graças a um serviço nacional de saúde que é dos melhores – senão o melhor do Mundo - e a um ensino que chega a todos e é para todos. A pobreza em Havana é uma miragem e favelas nem vê-las. E tudo isto sob a sombra de um criminoso embargo comercial que os Norte-americanos insistem em manter.

 

Claro que nem tudo foi bom nesta Cuba de Fidel. Fidel eternizou-se no poder e deixou-se corromper por este em muitos dos momentos complicados da sua longa vivência política. É público o desprezo que Fidel sentiu aquando da saída de Che Guevara da máquina revolucionária que El Comandante liderou durante muitos anos. Assim como é também pública a forma como o Homem do Charuto e das longas barbas não lidou com a oposição interna. A forma como Fidel tentou gerir a frágil economia do seu país também não foi a melhor apesar de Cuba ser, quando comparada com os seus vizinhos da América Central e do Sul, o país que em melhor estado se encontra em termos de qualidade de vida.

 

A Cuba de hoje é, sem sombra de qualquer dúvida, mais um exemplo de que nem sempre o modelo de governação ocidental é o ideal. É verdade que por lá existem muitos atentados à liberdade e que se trata - sem sombra de qualquer dúvida - de uma Ditadura, mas tenho muitas dúvidas de que se a Cuba de Fidel tivesse optado por uma governação à ocidental viesse a ter sucesso e marcado de uma forma tão positiva o nosso Mundo. Basta olhar para Miami e ver a forma como os radicais reagiram à morte de Fidel Castro.

 

Hasta siempre ComandanteGracias por nos ter deixado a sua Cuba. Para despedida relembro algumas das frases de Fidel que ficaram para todo o sempre gravadas na História da Humanidade.

 

A Hstória absolver-me-á

 

- Aos 26 anos, defendeu-se a si próprio no julgamento, depois de passar 76 dias preso na sequência do ataque ao quartel Moncada de Santiago de Cuba, a 26 de julho de 1953

 

Se saímos, chegamos; se chegamos, entramos; se entramos, triunfamos

 

- Em 1956, no México, antes de zarpar no Granma, com 80 pessoas a bordo

 

Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme

 

- Na Praça da Revolução, a 15 de outubro de 1976, de luto pelas 73 vítimas do atentado contra um avião cubano em Barbados

 

Os que não têm coragem, os que não se querem adaptar ao esforço, ao heroísmo da Revolução, que se vão embora, não os queremos, não precisamos deles.

 

- A 1 de Maio de 1980, durante o êxodo de Mariel

 

Jamais me aposentarei da política, da revolução ou das ideias que tenho. O poder é uma escravidão e eu sou seu escravo

 

- Em setembro de 1991

 

Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as ideias ficam.

 

- A 20 de julho de 1996

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (28/11/2016)

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publicado às 16:00


E o resto?

por Pedro Silva, em 20.06.16

Imagem Crónica RS.jpg 

Há uns tempos atrás Mariana Mortágua, Deputada do Bloco de Esquerda e Jornalista, publicou no Jornal de Notícias uma crónica de opinião em que falava da situação da Venezuela. Resumidamente a opinião da Bloquista assentava essencialmente no facto de hoje em dia a Venezuela ser uma Ditadura governada por lunáticos que se aproveitaram de um conjunto de factores para se eternizarem no poder. A Mariana diz tal reiterando que, embora sendo de Esquerda, não tem problema algum em dizer que repudia o que está a suceder naquele país da América Latina.

 

Mas a Mariana não se fica por aí. Na sua crónica esta lança uma pergunta. Pergunta que também eu faço. E o resto? E as outras populações estão reféns de poderes e interesses que jogam com mestria o jogo democrático para se manterem no poder?

 

A Mariana apontou – e muito bem – o seu dedo crítico a Angola, país que é dominado há já muitas décadas pela elite militar que enriqueceu à custa do povo. Contudo eu vou mais além. Prefiro estender a saudável e correctíssima visão da Mariana a outros pontos no Mundo (muito em espacial na Europa).

 

No Brasil tivemos recentemente um golpe levado a cabo por uma minoria de Direita ultra conservadora que está sob a alçada da Justiça em diversos processos de corrupção.

 

Na Turquia Erdoğan e a sua máquina governativa eternizam-se nos corredores do poder em Istambul. São conhecidas as posições destes relativamente aos Direitos Humanos. Liberdades, Direitos e Garantias são uma regalia de alguns na Turquia do século XXI e as Mulheres são meros “objectos”. A juntar a isto tudo temos a forma “nada violenta” como Erdoğan lidou, lida e lidará com a oposição Curda e o problemático Médio Oriente.

 

Em França Hollande está numa longa e penosa guerra aberta com todos os seus trabalhadores por causa de uma reforma laboral que visa retirar direitos a quem tem de trabalhar todos os dias para poder ter uma vida digna. Inclusive já se chegou ao ponto de se ver o Presidente Francês a ameaçar proibir o direito à manifestação.

 

Na Polónia movimentos de extrema-direita mostram a sua força em Varsóvia com a aceitação e profundo agrado da actual Primeira-ministra ultra conservadora e nacionalista. Emigrante na Polónia é hoje em dia um “verme” da Sociedade que deve ser expulso à paulada como sucedeu com um estudante Português há não muito tempo.

 

Na Hungria temos os “camisas negras” a crescer a olhos vistos. Inclusive já podemos ver tal aberração ao vivo e a cores nos estádios do EURO 2016. Dito de outra forma; o fascismo está em crescendo na Hungria muito por culpa da chegada ao poder de uma personagem que acha que tudo o que não seja Húngaro é uma aberração que deve ser tratada a pontapé.

 

No Reino Unido - onde o Brexit é um “papão” cada vez mais real - matou-se uma Deputada do Partido Trabalhista numa qualquer rua de Londres numa altura em que ambos os lados (a favor da manutenção na Europa e do Brexit) digladiam argumentos cada vez mais violentos e extremistas.

 

Nos Estados Unidos da América um louco sem cadastro comprou uma metralhadora numa loja de armas e resolveu descarregar os cartuchos da dita num bar Gay. Mais um caso entre muitos outros que não tem fim à vista porque o lobby das armas de fogo fala muito mais alto do que a segurança dos cidadãos.

 

Em suma, a lista de exemplos é vasta. Mas como facilmente se constata são muitas as populações estão reféns de poderes e interesses que jogam com mestria o jogo democrático para se manterem no poder.

 

Na Venezuela um maníaco (des)governa o país. Em Angola os mesmos de sempre ditam Leis e vontades através da força da corrupção. E o resto?

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 22:59


Isto de se compreender o monstro

por Pedro Silva, em 11.01.16

Crónica RS.jpg 

1 – A semana passada foi abalada pela notícia de que a Coreia do Norte terá conseguido detonar, com sucesso e pela primeira vez, uma bomba de hidrogénio.

 

Se a informação avançada pelo regime de Pyongyang for verdadeira, este é um significativo passo no desenvolvimento do programa nuclear da Coreia, que já levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a convocar uma reunião de emergência. O Reino Unido, a França e Estados Unidos terão considerado que esta é uma "violação inaceitável" das resoluções da ONU, e até a China, o principal aliado da Coreia, disse que se "opõe firmemente" ao teste.

 

2 – Como reagiram as principais potências ao sucedido?

 

O Reino Unido, a França e Estados Unidos terão considerado que esta é uma "violação inaceitável" das resoluções da ONU. A China, principal aliado da Coreia, disse que se "opõe firmemente" ao teste.

 

Do lado da Coreia do Sul, principal opositor da Coreia do Norte no conflito armado, as reacções não são muito diferentes. O website NK News, que tem correspondentes em Washington e Londres, fala de desenvolvimentos perigosos a que Washington, Seul e Tóquio devem dar uma resposta conjunta, defendendo mesmo o fim das “políticas tímidas” de Obama para sancionar a Coreia do Norte. Já o “Korea Times”, que dedica um editorial titulado “A imprudência da Coreia do Norte” a esta questão, classifica o comportamento do líder norte-coreano como “sempre imprevisível”. Defendendo uma acção mais proactiva dos seus governantes, o título sul-coreano remata declarando que “nem se discute que a Coreia do Norte deve pagar o preço mais alto possível pelas suas ações precipitadas”. O “Korea Herald”, por sua vez, defende no editorial que é necessário dar uma “resposta concertada” a Pyongyang - uma resposta que “inflija dor real à Coreia do Norte”.

 

3 – Temos então que para um problema extremo o Mundo pretende, no papel e nunca na prática, uma solução extrema.

 

Não é por nada, mas a História já nos mostrou o que sucede quando se parte para a resolução de um problema de uma forma extrema. Ainda hoje estamos todos a pagar um alto preço pelo que o Ocidente pomposamente apelidou de “Primavera Árabe”.

 

É verdade que o regime norte coreano é um atentado à Humanidade em todos os aspectos, mas também é verdade que todos os conflitos que surgiram no Oriente foram do pior que uma Guerra poderia ter feito. Muito especialmente a famosa Guerra entre as Coreias onde os Estados Unidos da América participaram (mesmo que de forma indirecta) no conflito. Diga-se, a título de exemplo, que era prática das Tropas sul coreanas a colocação de soldados norte coreanos capturados em casas onde depois os queimavam vivos.

 

E penso não valer a pena mencionar as enormes atrocidades que aconteceram naquela zona do Globo quando o Japão se lembrou de invadir a Península Coreana e China…

 

4 – Ora isto para se chegar a uma simples conclusão: não é com armas e sanções que se vai derrubar a Ditadura sanguinária de Kim Jong-un. Este problema não se resolve com o habitual alarido mundial sempre que o Regime norte coreano se lembra de dar sinais de vida.

 

Numa zona do planeta onde as diferenças fomentam o ódio, muito por força das intervenções ocidentais dos séculos XIX e XX, a violência e ingerência do Ocidente só servem para uma coisa: alimentar o monstro que criamos!

 

Adoptar uma política de diálogo e de compreensão que acabe com a provocação e fomente a aproximação entre os Povos acabaria de vez com a mais obscura Ditadura do Mundo, mas para isto era preciso que a Coreia do Sul estivesse para aí virada e que os Estados Unidos da América não tivessem intenções de controlar aquela que será, muito em breve, a zona mais rica do Planeta Terra.

 

Artigo publicado no Repórter Sombra

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publicado às 21:56


Da outra auspiciosa vitória europeia

por Pedro Silva, em 04.08.15

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Já há muito que não se fala da Ucrânia. Durante largos meses foram imensos os tendenciosos directos televisivos que relatavam o que sucedia naquele País do Leste Europeu. Os debates sobre qual seria melhor para a Ucrânia eram o pão nosso de cada dia e muitos foram os que apoiaram a propaganda do Regime que se encontra agora no Poder em Kiev.

 

Multiplicaram-se as sanções, na sua grande maioria com o carimbo da União Europeia, à Rússia porque supostamente esta leva a cabo um não provado apoio aos Rebeldes separatistas pró-russos que combatem os neo nazis que se encontram na outra metade do País. A União Europeia resolveu colocar de lado um importddante parceiro económico que poderia ajudar os Países do Sul a sair da crise em que se encontram para defender e apoiar gente que tem tiques ditatoriais como este que foi noticiado muito timidamente num site internacional.

 

Continue a ler o resto deste meu artigo no Repórter Sombra.

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publicado às 15:21


Foi há 50 anos. Mas ninguém se lembra.

por Pedro Silva, em 14.02.15

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A 13 de Fevereiro do distante ano de 1965 o General Humberto Delgado foi cobardemente assassinado pelas Forças do regime salazarista que dominavam Portugal. Isto porque o General sem Medo (como era conhecido na altura) corporizou o principal movimento de tentativa de derrube do regime através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral fraudulento que deu a vitória ao candidato do Estado Novo, Américo Tomás.

 

Não será disparate algum afirmar que Humberto Delgado semeou aquilo que mais tarde acabou por ser conhecido como o Movimento das Forças Armadas, Movimento que a 25 de Abril de 1974 derrubou, sem recurso á força das armas, o vergonhoso salazarismo e impôs a República Democrática em que vivemos hoje em dia.

 

Como tal o General merece ser tratado como um Herói que lutou pela Liberdade do Povo Português e 50 volvidos do seu assassinato só ficaria bem ao Povo Lusitano, e respectivos órgãos de Soberania, a realização de uma justa homenagem de reconhecimento àquele que lutou. Quase que sozinho, contra a obscuridade da Direita Conservadora de Salazar.

 

Mas a realidade é outra. O esforço heroico de Delgado quase que passou despercebido numa data em que se celebraram os 50 anos da sua morte. É verdade que aqui e acolá se leu e se sentiu um ou outro manifesto de respeito para com esta importante personagem da História moderna de Portugal, mas não passaram disto mesmo: meras manifestações. E fica mal, muito mal, a um País como o nosso que tem a Democracia, Liberdade e Justiça como seus pilares não prestar uma justa Homenagem a quem perdeu a sua Vida na luta pela Democracia, Liberdade e Justiça que temos hoje em dia.

 

É o Portugal que temos. Preguiçoso de tal forma que precisa que um tal de Alexis Tsipras e seus Ministros façam valer os Direitos dos Cidadãos numa Europa onde o respeito e dignidade deram lugar à extorsão e exploração.

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publicado às 23:54


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