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O Pai da criança

por Pedro Silva, em 01.11.13

A extrema necessidade de se arranjar um culpado para algo que nos afecta directa ou indirectamente parece ser algo de sintomático da natureza humana. Tudo leva a crer que fatidicamente só ficamos satisfeitos quando vemos alguém pagar pelo sacrifício que temos de fazer e muitas vezes não olhamos a quê nem a quem

 

É desta forma que tenho visto e analisado um vasto rol de reacções ao possível regresso de José Sócrates à política nacional. Sócrates é o vilão da Direita, o papão da Comunicação Social e é para muitos a única razão da actual situação em que o nosso País está neste momento.

 

Para ser sincero não sigo este guião e muito menos me deixo levar pelos instintos porque acima de tudo tenho memória e procuro sempre ter alguma vontade analítica das questões.

 

Isto para dizer que a crise que nos assola todos os dias não foi uma obra com marca registada em nome de José Sócrates. A crise até tem um nome – Crise das Dívidas Soberanas – mas este não é pronunciado senão muito baixinho.

 

O sistema capitalista do “leve hoje e pague daqui por um ano com juros” colapsou por completo tal como nos finais dos anos 80 colapsou por completo o sistema Soviético com as consequências socais e económicas que todos conhecemos.

 

Perante tal fenómeno não há um só político que possa ser devidamente punido por isto pois este herdou um sistema que todos aqueles que o antecederam nada fizeram para evitar o seu fim. Por exemplo; muita gente culpa Gorbachev pelo fim da URSS mas a história já se encarregou de demonstrar que a queda do Comunismo se deveu à intransigência de um grupo de “velhos comunistas” que não viram vantagens na modernização do sistema que criaram e que os enriqueceu.

 

Em Portugal, e na União Europeia, passou-se e passa-se o mesmo. Todos quiseram dar um passo mais largo que aquele que podiam efectivamente dar e não se preocuparam com os maus resultados que daí podiam advir. O nosso País foi obrigado ao quase extermínio da sua agricultura, indústria e pesca em nome de uma Política Europeia Comum tendo depois ficado completamente dependente do Mercado de Dívida Soberana para se financiar, Mercado este que como é sabido entrou em crise pelas mais variadas razões.

 

È por isto que antes de queremos fazer de José Sócrates (e outro qualquer) o Pai desta criança (entenda-se crise) que tanto nos tem atormentado no nosso dia-a-dia convêm que analisemos bem o que se passou no passado para não corrermos o risco de fazer o mesmo triste filme que faziam os agricultores Norte-americanos do Velho Oeste.

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Não se mude o rumo que não é preciso

por Pedro Silva, em 21.09.13

Nunca me farto de bater na mesma tecla. A União Europeia tem de tomar medidas para que os seus Estados membros deixem de ser atacados com regularidade pela pirataria do século XXI.

 

Não haja a mais pequena dúvida de que as agências de rating levam a cabo ataques estratégicos que agradam aos seus clientes, clientes estes que pagam a peso de ouro os aconselhamentos que estas vão dando sobre os mercados. Para mais muitos destes clientes são também avaliados por estas mesmas agências.

 

O despudor de quem avalia o rating das dívidas públicas dos Países da União Europeia e da Zona EURO já não conhece limites e neste momento temos Países como Portugal que são obrigados a ter de escolher entre mais austeridade ou mais austeridade senão lá se vai o rating.

 

É uma vergonha um País ser obrigado pelos “mercados” a ter de optar entre a morte lenta da sua população ou recuperação desta apostando em políticas menos severas que aumentem o emprego e o investimento.

 

De que espera a União para fazer algo quanto a isto? Os órgãos Europeus são muito rápidos a tomar medidas protecionistas no que aos produtos Chineses e outros tantos diz respeito, mas no quanto à pirataria Norte Americana dos ratings nada se faz nem se deixa fazer. Neste momento a UE parece um barco á vela. Se o vento dos “mercados” sopra a favor é tudo maravilhas mas quando este não sopra é o marasmo total enquanto a sua tripulação vai sofrendo muito lentamente.

 

Depois ainda querem que acreditemos na Europa e nas suas instituições. Tristemente não me sinto um cidadão Europeu até porque este tal “Estado Federado da Europa” nada faz por mim ao contrário de uns certos privilegiados da Baviera que ainda tem a distinta lata de dizer que nunca estiveram tão bem como agora.

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