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Os extremos que dão pelo nome de Brasil

por Pedro Silva, em 02.10.18

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Há quem defenda a ideia de que a história não se repete. Tal teoria está muito em uso entre os historiadores. E, efectivamente, a história não se repete mas o Ser Humano comete erros (alguns por vontade própria outros por manifesta falta de tacto), daí que a meu ver se possa dizer que a História não se repete mas que faz cópias de má qualidade de si mesma. O que se está a passar actualmente no Brasil é um bom exemplo de tal.

 

O Brasil é actualmente um país cuja capacidade de produção de recursos próprios é extraordinariamente elevada. Tal é um facto que o maior país da América Latina não soube, nunca, aproveitar desde que se libertou das amarras da colonização portuguesa (e não só), contudo o Brasil, talvez por ser um país que tem ainda muitas cicatrizes e feridas bem abertas pelo processo de escravização que os portugueses (e não só) levaram a cabo durante décadas nas Terras de Vera Cruz a desigualdade em função do tom da cor da pele é ainda uma triste e enfadonha realidade…

 

Daí que se perceba muito daquilo que é hoje em dia o Brasil. Um país de extremos que tem de tudo para ser uma das maiores potências económicas mundiais. E está bem patente nas próximas eleições presidenciais cuja campanha eleitoral tem sido marcada pelo crasso extremismo entre as várias facções políticas. Aliás, bem vistas as coisas, hoje no Brasil desenrola-se uma luta titânica entre negros e brancos pela conquista do Poder. Já a histórica corrupção que é promovida tanto por negros como por brancos – e que impede este mesmo Brasil de seguir em frente e de se desenvolver - vai manter-se firme e será, sem sombra de dúvida, a grande vitoriosa desta luta dos extremos que dão pelo nome de Brasil.

 

Foi há um ano….

 

O tempo passa depressa. Depressa demais. Especialmente para quem ainda tinha a vã esperança de que Espanha se comportasse como o Estado democrático que diz ser.

 

Foi há um ano que a polícia espanhola, por ordens do entretanto demitido Governo de Mariano Rajoy, carregou violentamente sobre a população catalã que pacificamente procurou participar num referendo unilateral que determinaria uma simbólica separação da manta de retalhos que dá pelo nome de Espanha.

 

Foi há um ano que por Portugal e restante União Europeia se procurou passar a ideia de que os catalães são, na sua crassa maioria, um conjunto de terroristas que devem ser tratados da forma violenta e discriminatória como são tratados os políticos catalães presos e exilados no estrangeiro.

 

Foi há um ano que muitos políticos catalães, outrora membros da «Generalitat» que foram forçados a fazer o papel de Copérnico sob a ameaça da tirania da monarquia espanhola que patrocinou e apoiou a violência policial a que já aqui fiz referência.

 

Efectivamente o tempo passa depressa. Depressa demais. Especialmente para quem ainda tinha a vã esperança de que Espanha se comportasse como o Estado democrático que diz ser.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (02/10/2018)

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publicado às 21:30


Um problema chamado Brasil

por Pedro Silva, em 09.04.18

imagem crónica RS.jpg 

Antes de mais, sobre a temática dominante (a prisão de Lula da Silva), gostaria, tão-somente, de ressalvar que do meu ponto de vista é crucial não se analisar o dito sob o ponto de vista político. Usar-se uma lupa partidária e/ou até mesmo ideológica para a analise da prisão de Lula é meio caminho andado para que se transforme o problema num problema ainda maior. O caso “Lava Jato” e os seus actores e actrizes devem ser julgados e, eventualmente, condenados tendo por base todos os cabais preceitos orientadores da Justiça para que esta evite, ao máximo, ser levada pela onda do politicamente correcto.

 

O problema em si é que este caso nunca foi, pelas mais variadas razões, um caso normal. O famoso processo “Lava Jato” teve na sua génese formadora uma base estritamente política. Todos - da esquerda à direita - concordarão comigo quando digo que o “Lava Jato” foi o passaporte que o Presidente Temer e seus apoiantes usaram para alcançar o poder no Brasil. A clara evidência de tal é a forma pouco clara (e até mesmo artificial) como Dilma Rousseff foi afastada do cargo de Presidente da República Federal do Brasil.

 

Ora face aos recentes desenvolvimentos que tem sido tornado públicos, o timing da decisão judicial que determinou a prisão de Lula da Silva, a fundamentação utilizada por um dos Juízes que votou contra o último recurso de Lula, o facto de Lula liderar toda e qualquer sondagem respeitante às eleições presidenciais de Outubro e as recentes declarações e posicionamento público das altas chefias da Polícia Militar e do Exército brasileiro obrigam-me a ter de olhar para a prisão de Lula da mesma forma que olho para o afastamento de Dilma.

 

Colocando as coisas de uma forma mais simplista; tenho para mim que a prisão de Lula da Silva (mais do que o resultado de um processo judicial que visa combater o flagelo crescente da corrupção) é antes o princípio do culminar de um processo puramente político. Processo este que poderá ter um fim trágico não só para o Brasil, mas para toda uma América Latina que ainda tem muitas feridas abertas pela “dança das cadeiras” que as Ditaduras e Democracias levaram a cabo no século XX.

 

E, partindo (mais uma vez) do princípio de que há por aí muita gente distraída a ler o que escrevo, esta minha opinião é puramente desprovida de qualquer orientação política. Algo que, a meu ver, deveria ser feito por todo e qualquer comentador político seja ele português ou brasileiro em vez de se alinhar no politicamente correcto.

 

Para terminar gostaria somente de fazer chegar uma mensagem ao famoso comentador político António Lobo Xavier (personalidade pública que respeito e pela qual tenho uma enorme admiração).

 

No último programa “Quadratura do Círculo”, Lobo Xavier deixou bem patente a sua discordância sobre o facto de os seus colegas de debate não conseguirem falar da prisão de Lula sem invocar o nome de Temer. E, em jeito de remate final, Lobo Xavier passou a ideia de que o Presidente Temer há-de ser, também ele, julgado e condenado pela Justiça brasileira.

 

Confesso que até que concordo, mesmo que em parte, com esta forma de ver a questão por parte de Lobo Xavier. O problema reside, tão-somente, no quando é que Temer será levado à barra dos Tribunais e se alguma vez isto será uma realidade! Não se pode seguir a tese do politicamente correcto com Lula da Silva e deixar-se Temer de fora só porque este é o actual Presidente (não eleito) do Brasil.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (0'9/04/2018)

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publicado às 21:30


Golpada americana

por Pedro Silva, em 05.09.16

Imagem Crónica RS.jpg 

Sirvo-me do título da última obra do Realizador Norte-americano David O. Russell para descrever na perfeição o sucedido no Brasil. Não se tenha a mais pequena dúvida que o Impeachment não passou de uma trafulhice levada a cabo por quem está tão envolvido no famoso caso “lava jacto” como a Dilma. O que aconteceu, no fundo e no cabo, foi o tentar prolongar um estado de coisas que contribui – muito - para a derrocada da Democracia na América do Sul.

 

Já sei que por esta altura haverá quem discorde do que escrevi no primeiro parágrafo. Mas tenhamos calma e analisemos as coisas como elas são. Bem sei que uma grande fatia da Comunicação Social portuguesa tem feito o impossível para que todos olhemos para Dilma e Lula como os principais culpados de todos os males do Brasil dos nossos dias, mas as coisas não são bem assim.

 

Primeiro que tudo há que dizer que Dilma Rousseff é suspeita no processo “lava jato”. Assim como também o é Michel Temer, actual Presidente do Brasil após o afastamento de Dilma.

 

Repito: Dilma é suspeita. A Comunicação Social portuguesa esquece-se um pouco de nos dizer que suspeito não é o mesmo que culpado. São coisas diferentes com significados e efeitos completamente distintos. Dito de outra forma, Dilma Rousseff, Lula da Silva e Michel Temer não foram, ainda, formalmente condenados por qualquer Tribunal brasileiro dos crimes que quem os acusa diz terem cometido.

 

Levanta-se então uma importante e pertinente questão. Se Dilma Rousseff não foi ainda condenada pelos crimes que dizem ter cometido, porquê razão esta foi afastada do cargo de Presidente da República do Brasil? Ou melhor; se Dilma é suspeita de ter cometido vários crimes, porquê razão foi substituída no seu cargo por Michel Temer que também é suspeito de ter cometido vários crimes?

 

Após esta questão ainda haverá quem discorde do que escrevi no primeiro parágrafo?

 

Mas não é só a destituição de Dilma que pode ser apelidada de golpada americana. Todo o processo de Impeachment de Dilma é revelador de uma manifesta vontade de tomar o poder de assalto para desta forma desviar o olhar das autoridades de quem está metido no “lava jato” até ao pescoço. Começando desde logo pela razão do pedido de tal procedimento. Pedido este que se esquece (maldosamente pois claro) de referir que aquilo que “empurrou” o Brasil para o abismo económico em que está hoje foi a guerra do crude que a Arábia Saudita iniciou com os até há não muito tempo denominados países das economias emergentes.

 

O real problema do Brasil dos nossos dias não se chama Lula da Silva. E muito menos Dilma Rousseff. Chama-se antes oportunismo, pois quando o petróleo dava para satisfazer as comadres e não se fabricavam verdades.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (05/09/2016)

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publicado às 21:49

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imagem de zerozero

 

“Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”. O famoso brocado português aplica-se na perfeição ao que sucedeu hoje à nossa selecção olímpica de futebol. Já venho dizendo há algum tempo que os comandados de Rui Jorge andavam a confiar em demasia nas boas graças da Deusa da Fortuna. Também aqui o disse – e por mais do que uma vez – que esta mesma Deusa tanto está com Portugal como pode de repente mudar de ideias e bafejar a equipa adversária. Ante a Alemanha os lusos voltaram a confiar na sorte e o resultado foi o que se viu: goleada e derrota!

 

Tudo isto para dizer que o jogo não necessita de grandes comentários. A defesa portuguesa jogou sempre no risco (desnecessário) dado que os laterais não existiam e eram facilmente batidos em velocidade e os centrais tanto faziam algo de extraordinário como de repente faziam disparates que nem aos iniciados se perdoam. O meio campo luso meteu folga para gozar o fim-de-semana prolongado e o ataque bem que tentava mas isto de ter dois avançados velozes e franzinos a tentar derrubar uma defesa de alemães altos e fortes tem que se lhe diga…

 

Não admira, portanto, a derrota portuguesa nos quartos-de-final do torneio olímpico de futebol masculino. E não estivesse Bruno Varela num dia sim e a goleada germânica poderia ter tido números bem mais expressivos. Enfim, foi o possível numa competição curtíssima em termos de calendário que exigia da parte da nossa Selecção uma outra atitude e – já agora – um melhor plantel. Aspectos a rever nos Jogos Olímpicos do Japão em 2020 (se Portugal lá chegar, pois claro).

 

Chave do Jogo: Apareceu no minuto 45´+1 para resolver a contenda a favor da equipa alemã. O primeiro golo dos germânicos fez com que toda a estratégia portuguesa ruísse como um baralho de cartas. A partir daí Portugal perdeu toda a capacidade que tinha para reagir à adversidade.

 

Positivo: Bruno Varela. O Guarda-redes português foi o único que tentou dar o seu melhor e foi muito por sua causa que a “vingança” germânica não foi mais expressiva.

 

Negativo: Passividade portuguesa. Equipa que queira lutar pela conquista de um título tem de ser muito mais agressiva do que aquilo que Portugal mostrou no torneio olímpico de futebol masculino.

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publicado às 22:40


Fraquinho q.b.

por Pedro Silva, em 10.08.16

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imagem de zerozero

 

Sou dos que tem como máxima que no futebol aquilo que realmente interessa são as vitórias/objectivos. O futebol bonito fica para segundo plano. Especialmente quando falamos de uma competição “curta” como o futebol olímpico do Rio de Janeiro 2016. Mas existem limites para a paciência de um adepto e de um treinador. Portugal diante a Argélia não jogou absolutamente nada! E não me venham cá com a desculpa do horário (13H no Brasil) porque havia a clara obrigação de se ter feito mais – muito mais - diante de tão frágil selecção.

 

Portugal entrou nitidamente a “dormir” na primeira parte da partida. Não fosse Bruno Varela e aqui e acolá alguma sorte num ou noutro lance de ataque dos argelinos e teríamos um Portugal aflito a correr atrás do resultado porque embora a qualificação estivesse garantida é sempre melhor – muito melhor – vencer para que a moral se mantenha em níveis bem altos. Recorde-se que estamos numa fase da época em que muitos dos nossos jogadores estão ainda a tentar regressar ao seu ritmo normal após a paragem para as férias, dai que vencer seja muito importante para que a vontade de “dar o litro” nos treinos seja cada vez maior.

 

Apesar da péssima e desconcertante primeira parte (táctica nem vê-la), a Equipa de Todos Nós lá chegou ao golo num lance polémico onde o árbitro entendeu que o guardião africano fez falta para grande penalidade sobre um dos atletas lusos. Gonçalo Paciência lá marcou o golo e Portugal estava na frente do marcador. Mas foi sol de pouca dura pois os argelinos chegariam ao golo do empate num lance onde os centrais portugueses “ficaram a ver a banda a passar”, e o avançado argelino não desperdiçou a oferta… um erro tremendo da defesa de Portugal que a repetir-se daqui para a frente pode muito bem vir a ser a “morte do artista”.

 

Já na segunda parte a coisa melhorou um pouco. Rui Jorge parece ter visto o miserável e procurou trazer algum discernimento a um meio campo português que simplesmente não entrou em campo. Mas tal acabou pro ser “sol de pouca dura”… Portugal ainda conseguiu pressionar a fraca Argélia, criou alguns lances de perigo, esteve perto do segundo golo mas rapidamente tudo voltou ao “joguinho” da primeira parte onde parecia que os nossos atletas estavam a fazer uma espécie de frete. Foi na segunda parte que a defesa de Portugal cometeu dois erros de palmatória que só não deram em golo por mero acaso e muita aselhice dos argelinos.

 

Em suma; compreendo que seja muito complicado gerir o esforço e fadiga física e psicológica dos jogadores numa competição cujo calendário é muito apertado, mas esta displicência e “deixa andar” é inadmissível. Especialmente quando falamos de uma equipa como Portugal que tem qualidade para vencer esta Argélia “com uma perna às costas”. Vamos a ver quem será o próximo adversário da nossa selecção, mas é bom que exibições como a de hoje não se repitam porque a partir de agora quem perder não terá uma segunda oportunidade.

 

Chave do Jogo: Inexistente. Portugal e Argélia não foram nunca capazes de fazer pender a vitória para o seu lado dado que nunca procuraram resolver a partida.

 

Positivo: Pité. De todos Pité foi o único dos selecionados de Rui Jorge que mostrou vontade, talento e querer. Um oásis no enorme “deserto” de ideias que foi hoje a selecção nacional.

 

Negativo: Tiago Ilori. Jürgen Klopp tem toda a razão quando diz não contar com Ilori para a nova temporada do Liverpool. O central português esteve muito mal na partida de hoje.

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publicado às 19:48


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