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Admito que pretendia passar ao lado desta questão. Não que a mesma não seja pertinente, mas sim porque quase 90% do que a Sra. Merkel diz ou é asneira ou é disparate. Isto tudo porque a Sra. não sabe levar a cabo uma pequena pesquisa antes de fazer afirmações públicas sobre os Estados-membros da União Europeia, nomeadamente sobre os do Sul da Europa.
A verdade seja dita que não é isto que me move na escrita deste texto. O assunto sobre o qual pretendo debruçar está antes relacionado com os argumentos que certas pessoas cá do burgo utilizam para dar razão à Sra. em questão. E fazem-no de uma forma pouco, ou nada, esclarecedora, redutora e, pior que tudo, maldosamente selecionada.
Ora, dizem os defensores deste pensamento da Chanceler que em Portugal existem cursos sem saída profissional, que muitas Universidades aceitam qualquer aluno desde que este pague as propinas/taxas de admissão, que temos Universidades Privadas a mais e, a cereja no topo do bolo, que se aposta pouco ou nada no Ensino Tecnológico.
Pessoalmente não discordo de certos argumentos. Não o posso fazer quando vejo determinadas Licenciaturas, promovidas essencialmente pelas Faculdades Privadas, que não tem o devido e natural “escoamento” no Mercado de Trabalho. Assim a título de exemplo lembro-me do Curso de Relações Públicas Internacionais que todos os anos forma desempregados de longa duração. Neste aspecto exigia-se, a meu ver, uma maior regulação da parte do Estado.
Não posso é concordar quando os defensores da ideia de que temos licenciados a mais afirmam convictamente que temos de apostar forte no Ensino Profissional em detrimento do Ensino Superior.
E discordo essencialmente porque este Ensino também padece do mesmo mal que o Ensino Superior; ou seja, o Ensino Profissional em Portugal também forma Técnicos para o desemprego de longa duração. Quem não conhece Electricistas, Canalizadores, Trolhas, Mecânicos e outros tantos que estão no desemprego ou em trabalhos precários? Sim, o mercado de trabalho em Portugal está reduzido a pó e afecta toda a gente não obstante o seu nível de escolaridade.
Ainda se Portugal fosse um País senhor de uma indústria forte e altamente enraizada que necessitasse de Técnicos qualificados, tal como sucede na Alemanha por exemplo, eu ainda daria alguma razão à Sra. Merkel e a quem defende cá pelo Burgo a sua tese dos Licenciados a mais, mas a realidade é outra.
Tudo isto é mais um sinal de que os Políticos que têm o poder de decisão e de influência da União Europeia desconhecem completamente a realidade dos Estados-membros. E pelos vistos cá por Portugal existe muita gente a viver numa realidade imaginária senão de outra forma não embarcariam neste disparate dos Licenciados a mais/Técnicos a menos.