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Euro ceguetas (II)

por Pedro Silva, em 17.03.14

Até que chegou a crise. O Banco Central Europeu (BCE) pôs-se rapidamente no terreno para salvar a banca europeia (em especial a alemã e francesa) da perigosa exposição às dívidas soberanas dos países periféricos. Através do Securities Market Programme (SMP), comprou dívida pública em mercado secundário aos bancos franceses e alemães. Com a troika, sucedeu exatamente o mesmo, substituindo-se dívida a bancos europeus por empréstimos diretos. E foi assim que chegámos a 2012 com os bancos e os investidores não residentes apenas com 23,5% da nossa dívida, bem longe dos 80% de quatro anos antes. No final deste ano deverá corresponder a 20%. O BCE terá comprado 20 mil milhões de dívida portuguesa (11%) aos bancos europeus só através do SMP. E a dívida a privados vencida foi sendo substituída pelos empréstimos multilaterais detidos pelo FMI, FEEF e MEEF. Em 2012, a troika já detinha 32% da nossa dívida, ou 42,1%, se contarmos com a dívida adquirida pelo BCE através do tal SMP. Já a banca e as instituições nacionais, 34,4%, muito mais do que em 2008.

 

Desde o início da intervenção do BCE e depois de forma mais rápida com a intervenção da troika, aquilo que se operou foi uma substituição dos credores privados não portugueses por entidades oficiais internacionais. Que têm prioridade sobre todos os outros credores, mesmo quando adquiriram dívida nos mercados secundários, nas mesmas circunstâncias que os outros. O "resgate a Portugal" correspondeu a este processo de concentração da dívida nas mãos de instituições políticas com poderes extraordinários (incluindo o poder de isolar economicamente o país ou até expulsá-lo do euro ou mesmo da União Europeia), salvando os credores privados europeus, mais dispersos e com menos poder, de qualquer reestruturação futura. E essa é a razão porque tantos disseram que o resgate era, na realidade, à banca alemã e francesa. O objetivo era chegar a este momento, em que perante a insustentabilidade da dívida, os principais bancos europeus estariam a salvo e o devedor sem qualquer poder negocial. A única reestruturação aceitável seria a que foi tolerada aos gregos: ter como principal vítima dos cortes os credores privados que não foram salvos, especialmente os domésticos.

 

A substituição dos credores privados internacionais pela troika limita radicalmente qualquer reestruturação seletiva que queira protejer os pequenos aforradores, a segurança social ou investidores finais. Restam, para pagar a fatura, os contribuintes dos Estados europeus. Mas salva a banca alemã e francesa, a troika tem os instrumentos políticos necessários para sugar os nossos recursos até ao último cêntimo possível.

 

Excerto de crónica do Jornalista Daniel Oliveira

 

Fica aqui a minha pergunta para os ditos euroceguetas: Porquê razão a vossa querida e perfeita União Europeia não se debruça profundamente sobre este problema que vemos na Crónica de Daniel Oliveira em vez de andar a provocar a Rússia?

 

È que quem anda á chuva molha-se e acreditem que não vamos mesmo querer que a Federação Russa nos molhe a todos por causa da vossa teimosia em apoiar um Estado neo nazi como a actual Ucrânia só porque dá jeito.

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