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Os donos disto tudo

por Pedro Silva, em 12.02.18

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Quem tem por hábito acompanhar a minha opinião escrita semanal sabe muito bem que sou um crítico acérrimo do actual estado de coisas no espaço europeu. E aqui aproveito para fazer um esclarecimento, pois já não é a primeira vez que tenho de explicar por a+b que isto de ser um crítico acérrimo do actual estado de coisas no espaço europeu é completamente diferente de estar contra o projecto europeu. Eu defendo e percebo a necessidade da existência da União Europeia e que existem regras que os Estados-membros devem seguir.

 

Agora, não concordo é com a forma como tudo evoluiu nos últimos anos e discordo inteiramente com a aparente forma como se pretende dar continuidade a um projecto que é de todos e deve ser de todos e não somente de dois países. E não, o facto de França e Alemanha se terem apossado do poder decisório europeu por força de uma interpretação ad hoc do Tratado de Lisboa não justifica tudo. É muito por causa desta interpretação que isto esteve mal, está mal e, após um período de alguma tranquilidade, vai continuar a estar mal.

 

A base sob a qual assentou durante muitas décadas o projecto europeu era a de que somos todos diferentes, mas somos todos iguais. Tal foi assim até ao momento em que a Europa foi fustigada por uma tremenda crise. Crise que serviu para França e Alemanha, apoiadas pelos seus aliados económico-financeiros (Holanda, Luxemburgo, Polónia, Hungria, Bélgica, Finlândia, entre outros), implementarem a tese de quem manda aqui somos nós e o resto é letra. A partir deste momento deixou de haver uma União Europeia com Estados-membros para passar a haver uma espécie de colete-de-forças político cujas directrizes económicas foram determinadas partindo do pressuposto de que na Europa existem países de 1.ª, países de 2.º e países de 3.ª.

 

A ideia de igualdade europeia diluiu-se por completo na ideia da governação bicéfala franco-germânica. E qual foi o preço que a Europa pagou por ter seguido cegamente tamanha barbárie? Subida generalizada das forças extremistas, criação de Governos radicais, tremendas dificuldades na formação de alguns dos Governos europeus (como sucedeu recentemente na Alemanha, por exemplo) e o famoso Brexit (atribuir a responsabilidade de tal somente aos britânicos é negar o óbvio).

 

Contudo a Europa recentemente viveu um período de alguma acalmia e prosperidade. Isto apesar de a França já ter um Governo - aparentemente - estável liderado por um Presidente da República que tanto diz uma coisa, como diz outra. A somar a isto tivemos as alterações forçadas da política económica europeia provocadas, em parte, pelo sucesso do actual modelo económico-financeiro e governativo português e pela necessidade de o espaço europeu se precaver contra as maluqueiras comerciais da américa de Donald Trump.

 

Só que tudo isto pode muito bem vir a ser sol de pouca dura. E pode sê-lo porque tudo indicia que a Sra. Merkel vai, finalmente, poder formar governo na Alemanha. E vai fazer tal em conjunto com o partido do Sr. Schulz. Partido este cujo líder (Martin Schulz) afirmou em plena campanha eleitoral (salvo erro) Europa Federada ou rua. Ou seja; embora o Sr. em questão tenha optado por não dar seguimento à possibilidade de vir a ser p próximo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, a sua tese de que a Alemanha – com a conivência e participação activa da França - quer, pode e manda vai vingar porque o Ministério das Finanças vai estar na posse de alguém ligado ao seu partido.

 

Vamos a ver como vai tudo terminar, mas confesso que não tenho nenhuma perspectiva optimista sobre o que aí vêm. Acrescento tão-somente que é lamentável que na Europa as coisas tenham chegado ao ponto de isto mais parecer uma espécie de Império romano do ocidente. E todos sabemos como as coisas acabaram para este mesmo Império.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (12/02/2018)

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publicado às 21:30


A Maior Rede Social do Mundo

por Pedro Silva, em 15.01.18

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Cada vez mais me convenço de que os Estados Unidos da América já não são a Maior Democracia do Mundo. Os Estados Unidos da América são hoje em dia o país onde o populismo tomou conta de uma sociedade que em tempos sabia que a crítica e capacidade de pensar eram as peças fundamentais da Maior Democracia do Mundo.

 

Pior ainda é todos nós, cidadãos europeus (e não só), apercebermo-nos de que um país com o poderio militar dos USA ser hoje governado por uma pessoa que faz do twitter o seu gabinete, conselheiro político e gabinete de relações públicas.

 

Mas bem pior é todos nós nos vermos uma estrela televisiva norte-americana que conta com uma excelente equipa de assessores aproveitar-se de um movimento bem-intencionado na sua matriz para se apresentar ao Mundo como a possível e legítima concorrente de Donald Trump na próxima corrida eleitoral á presidência da Casa Branca.

 

Para quem ainda não percebeu, refiro-me à famosa  apresentadora de televisão, actriz e empresária norte-americana Oprah Gail Winfrey que depois de ter lido um discurso nos Golden Globes onde esta, descaradamente, aproveita o movimento #MeeToo para dar o pontapé de saída na política. Estranhamente, ou não, Oprah até já tem um movimento de apoio.

 

Dito de outra forma; já não basta a pobreza franciscana e o caos que tem marcado a política interna e externa dos Estados Unidos nos últimos tempos, a baixeza das jogadas de bastidores que tristemente definem os candidatos dos dois maiores partidos norte-americanos aos cargos públicos e temos agora um movimento que apoia uma personalidade que em quase tudo é igual a Donald Trump. Para tal bastou a Oprah um simples e hipócrita aproveitamento do #MeeToo.

 

Aquela que outrora se orgulhava de ser a Maior Democracia do Mundo é hoje a Maior Rede Social do Mundo. O pensamento crítico e a capacidade analítica que caracterizou, de uma maneira ou de outra, a Administração Obama acabaram no dia em que os norte-americanos optaram por ter no poder uma personalidade que de política e sensatez sabe zero. E pelos vistos no futuro estes vão continuar a querer ter mais do mesmo. E quem sofre, de uma forma directa e indirecta, somos todos nós que temos de viver na triste esperança de que o “twitteiro(a)”que governa os States não se lembre de começar uma guerra.

 

E já agora; Trump afirmou recentemente que a Coreia do norte quis dialogar com a sua vizinha do Sul por causa das suas intervenções. ´É caso para se perguntar: que intervenções? Os disparates infantis que Trump publica diariamente no twitter?

 

Ou será que o líder da Coreia do Norte viu nos Jogos Olímpicos de Inverno que este ano se realizam na Coreia do Sul uma oportunidade de travar mais uma série de batalhas da Guerra Fria que dura há largas décadas na Península Coreana?

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (15/01/2018)

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publicado às 21:30


Assobiar para o lado

por Pedro Silva, em 11.12.17

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Confesso que podia seguir a onda mediática e opinar sobre as recentes “trumpalhadas”, mas não o vou fazer. E não o vou fazer porque não pretendo, de forma alguma, entrar no jogo de Trump, jogo este que consiste, tão simplesmente, no desvio das atenções do essencial.

 

E o que é essencial neste momento na política interna dos Estados Unidos da América? A resposta é simples: investigação às alegadas intromissões russas na eleição de Donandl Trump. Tal explica, e muito, a recente balbúrdia que Trump patrocinou no Médio Oriente. E confesso que me custa muito aceitar esta teoria de que Vladimir Putin tem muito a ganhar com Donald Trump no poder. E custa-me aceitar tal porque é um facto que a crassa maioria dos norte-americanos se identifica com Donald Trump e apoia todas as suas maluqueiras. Mas vamos deixar este assunto para outras núpcias. Concentremo-nos em algo que, a meu ver, é fundamental e que tem sido alvo de pouca ou nenhuma discussão no seio da nossa sociedade.

 

Pode parecer paradoxal, mas nos tempos modernos em que vivemos ainda há violência no futebol português. Violência protagonizada pelos adeptos que tem tido como alvo preferencial as equipas de arbitragem.

 

Tal não se deve, na sua totalidade, a uma questão de cultura. E muito menos podemos dizer que os principais responsáveis são os agentes do nosso futebol. Quem tem a fatia maior do bolo da responsabilidade é o nosso Governo que tem a obrigação de manter a Paz Social no desporto mas não o faz atribuindo as responsabilidades aos Clubes como estes fossem os coordenadores das Forças da Ordem (Policia) e os Legisladores por excelência.

 

Questiono vezes sem conta para que serve o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ). Tal Instituto existe para organizar eventos onde os membros deste (ou de qualquer outro) Governo marcam presença para “ficar bem na fotografia”?

 

No site do IPDJ podemos ler que uma das suas “missões” é a da “preservação da ética no desporto”. Se é mesmo assim, então onde esteve (ou estará) o IPDJ no sucedido em Coimbra e Aveiro há coisa de duas semanas (salvo erro)? Que se propõe o IPDJ a fazer na questão das claques ilegais do Sport Lisboa e Benfica? Que tem o IPDJ a dizer (ou a propor fazer) relativamente à problemática dos “casuals” (Hooligans) que esta época desportiva tem espalhado pós e após os jogos do SL Benfica?

 

A ideia que os sucessivos Governos e o IPDJ passam é que no mundo do futebol vale tudo. E o problema é que esta ideia vai continuar a vingar e fazer jurisprudência até ao dia em que no nosso futebol sê dê uma tragédia com as mesmas proporções das de Pedrógão Grande. É que ao que parece duas mortes nos estádios de futebol, uma quantidade assinalável de feridos e um punhado de agressões a diversos agentes desportivos (especialmente a equipas de arbitragem) não serão - ainda - suficientes para que quem nos governa assobie para o lado.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (11/12/2017)

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A idiotice não se combate com idiotice

por Pedro Silva, em 14.08.17

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A semana que terminou, para além dos incêndios que não “largam” o nosso país, ficou marcada pelo jogo de forças entre o Estados Unidos da América de Donald Trump, o regime ditatorial norte coreano de Kim Jong-un, a “democrática” República Popular da China liderada por Xi Jinping e (como não podia deixar de ser) a Venezuela do tresloucado Nicolás Maduro. A primeira ilação que se retira de tal é que os Estados Unidos da América não aprenderam absolutamente nada com o passado dado que a Administração Trump insiste na batida tese made in USA de que o bullying compensa. Ora vejamos então o que se passa.

 

O que têm o regime de Kim Jong-un de Nicolás Maduro em comum? Ambos acreditam piamente na tese de que o Munda está contra eles e os quer eliminar a todo o custo. Tal explica a necessidade que a Coreia do Norte sente em fazer notar o seu poderio militar e tal explica, em parte, a força brutal de Maduro para com todos os que se lhes opõem no panorama internacional se bem que no caso da Venezuela a preocupação dos USA seja para com os poços de petróleo. Ora o recente discurso belicista de Donald Trump sobre ambos os regimes reforça, ainda mais, a necessidade destes em se “fechar” cada vez mais em si mesmo, reforçando, desta forma, a tese de que todos estão contra eles. Tal é um facto por muito que este discurso agrade à maioria dos norte-americanos e aliados.

 

A juntar a tudo isto temos a postura arrogante de Trump para com a China. Postura que não ajuda em nada à diminuição da tensão na península coreana.

 

Recorde-se na dita península impera um armistício que só não teve um ponto final porque a China vê na Coreia do Norte uma espécie de “almofada” que trava as intenções expansionistas de Japão e Estados Unidos da América na região. Isto para além, ora pois, do radicalismo sul coreano (estes não ficam mesmo nada a dever aos malucos do norte no que a fanatismo diz respeito).

 

Dito de outra forma; a China de Xi Jinping tem todo o interesse em que o regime de Kim Jong-un exista e perdure no tempo, Mas esta mesma China não tem interesse algum num possível retorno da guerra da Coreia. Isto porque tal terá um impacto económico-financeiro enorme muito negativo no Mundo devido aos elevados prejuízos humanos que acarreta. É muito por causa deste jogo duplo que a China tem apoiado e aplicado as mais variadas sanções internacionais à Coreia do Norte.

 

Ora face ao exposto até aqui, facilmente se percebe que não é com reprimendas, humilhações, discursos belicistas e venda de armas a regiões chinesas dissidentes como Taiwan que a administração Trump vai resolver os problemas Coreia do Norte e Venezuela. Embora o norte-americano na sua maioria discorde, não é com idiotice que se combate a idiotice.

 

Bem sei que tal com Donald Trump é impossível, mas tivesse havido um maior diálogo noutros tempos e algumas sérias cedências da parte de quem se acha o “Polícia do Mundo” e muito provavelmente o regime de Kim Jong-un e o de Nicolás Maduro não seriam um problema grave difícil de se solucionar.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (14/08/2017)

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publicado às 21:30


Vamos falar de coisas sérias?

por Pedro Silva, em 10.07.17

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Ao contrário dos fanáticos colunistas da direit(ol)a portuguesa eu prefiro escrever e opinar sobre coisas sérias. Claro que cada um tem direito à sua opinião e a torna-la pública, mas eu não preciso da desgraça de Pedrógão Grande e arredores e do assalto a Tancos para me fazer ouvir. Ainda se quem segue esta via trouxesse algo de novo que mudasse a governação de gabinete (já aqui falei sobre istro na semana passada), eu era como o outro e dava a mão à palmatória, mas como não o fazem vamos então falar de coisas sérias.

 

E falar de coisas sérias é falar sobre o que se está a passar na Venezuela. E não, não vou seguir o discurso gasto da direit(ol)a. Isto porque é por demais óbvio que a Venezuela esta momento refém de um regime corrupto completamente tresloucado. O que me perturba na Venezuela é olhar para o outro lado e verificar que a dita “solução do povo” é exactamente igual à que está no poder. A “oposição” a Maduro também se organiza e movimenta de forma violenta. Esta apela à violência nas ruas. Esta pactua com a violência. Ora perante tal cenário que futuro para a Venezuela? Provavelmente aquele que os interesses das grandes petrolíferas acharem melhor. Não se tenha a mais pequena dúvida de que a base de todo o problema venezuelano assenta na velha questão do ouro negro. E que faz a Comunidade Internacional? Faz de conta porque deve ser deveras divertido ver os venezuelanos a matarem-se uns aos outros em directo nos telejornais.

 

Falando sobre uma outra coisa muito séria é falar sobre o que se está a passar no Médio Oriente. Pode até parecer um paradoxo, mas hoje em dia olhamos para o Irão e dizermos, com profunda convicção, que este país é o único país moderado de uma região onde o conflito armado está prestes a “explodir”. E tudo por causa da política non sense da administração Trump. A recente venda de armamento norte-americano à Arábia Saudita veio desequilibrar os pratos da balança de uma região onde o equilíbrio de forças é muito ténue. Todos conhecemos a intensa rivalidade mortal entre iranianos e sauditas. Mas nada disto interessa a Trump e seus apoiantes pois a coisa como está é deveras “engraçada”. E é “engraçada” porque caso a tal base turca sediada no Quatar seja atacada pelos sauditas & amigos a NATO vai ter de entrar em cena para defender a Turquia, ou não fosse esta um estado membro da aliança onde vigora o princípio do ataque a um é um ataque a todos. Well done Donald!

 

 E já que falamos de coisa sérias, já todos repararam como o aumento da escalada de violência na península coreana aumentou desde que Donald Trump resolveu entrar numa guerra comercial com a China? E também todos repararam no vídeo que a Coreia do Sul colocou a circular? É um vídeo onde esta simula um bombardeamento da sua rival do norte. Mais uma vez well done Donald pois colocaste duas facções de doidos dispostos a matarem-se (outra vez) uns aos outros!

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (10/07/2017)

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