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A idiotice não se combate com idiotice

por Pedro Silva, em 14.08.17

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A semana que terminou, para além dos incêndios que não “largam” o nosso país, ficou marcada pelo jogo de forças entre o Estados Unidos da América de Donald Trump, o regime ditatorial norte coreano de Kim Jong-un, a “democrática” República Popular da China liderada por Xi Jinping e (como não podia deixar de ser) a Venezuela do tresloucado Nicolás Maduro. A primeira ilação que se retira de tal é que os Estados Unidos da América não aprenderam absolutamente nada com o passado dado que a Administração Trump insiste na batida tese made in USA de que o bullying compensa. Ora vejamos então o que se passa.

 

O que têm o regime de Kim Jong-un de Nicolás Maduro em comum? Ambos acreditam piamente na tese de que o Munda está contra eles e os quer eliminar a todo o custo. Tal explica a necessidade que a Coreia do Norte sente em fazer notar o seu poderio militar e tal explica, em parte, a força brutal de Maduro para com todos os que se lhes opõem no panorama internacional se bem que no caso da Venezuela a preocupação dos USA seja para com os poços de petróleo. Ora o recente discurso belicista de Donald Trump sobre ambos os regimes reforça, ainda mais, a necessidade destes em se “fechar” cada vez mais em si mesmo, reforçando, desta forma, a tese de que todos estão contra eles. Tal é um facto por muito que este discurso agrade à maioria dos norte-americanos e aliados.

 

A juntar a tudo isto temos a postura arrogante de Trump para com a China. Postura que não ajuda em nada à diminuição da tensão na península coreana.

 

Recorde-se na dita península impera um armistício que só não teve um ponto final porque a China vê na Coreia do Norte uma espécie de “almofada” que trava as intenções expansionistas de Japão e Estados Unidos da América na região. Isto para além, ora pois, do radicalismo sul coreano (estes não ficam mesmo nada a dever aos malucos do norte no que a fanatismo diz respeito).

 

Dito de outra forma; a China de Xi Jinping tem todo o interesse em que o regime de Kim Jong-un exista e perdure no tempo, Mas esta mesma China não tem interesse algum num possível retorno da guerra da Coreia. Isto porque tal terá um impacto económico-financeiro enorme muito negativo no Mundo devido aos elevados prejuízos humanos que acarreta. É muito por causa deste jogo duplo que a China tem apoiado e aplicado as mais variadas sanções internacionais à Coreia do Norte.

 

Ora face ao exposto até aqui, facilmente se percebe que não é com reprimendas, humilhações, discursos belicistas e venda de armas a regiões chinesas dissidentes como Taiwan que a administração Trump vai resolver os problemas Coreia do Norte e Venezuela. Embora o norte-americano na sua maioria discorde, não é com idiotice que se combate a idiotice.

 

Bem sei que tal com Donald Trump é impossível, mas tivesse havido um maior diálogo noutros tempos e algumas sérias cedências da parte de quem se acha o “Polícia do Mundo” e muito provavelmente o regime de Kim Jong-un e o de Nicolás Maduro não seriam um problema grave difícil de se solucionar.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (14/08/2017)

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publicado às 21:30


Vamos falar de coisas sérias?

por Pedro Silva, em 10.07.17

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Ao contrário dos fanáticos colunistas da direit(ol)a portuguesa eu prefiro escrever e opinar sobre coisas sérias. Claro que cada um tem direito à sua opinião e a torna-la pública, mas eu não preciso da desgraça de Pedrógão Grande e arredores e do assalto a Tancos para me fazer ouvir. Ainda se quem segue esta via trouxesse algo de novo que mudasse a governação de gabinete (já aqui falei sobre istro na semana passada), eu era como o outro e dava a mão à palmatória, mas como não o fazem vamos então falar de coisas sérias.

 

E falar de coisas sérias é falar sobre o que se está a passar na Venezuela. E não, não vou seguir o discurso gasto da direit(ol)a. Isto porque é por demais óbvio que a Venezuela esta momento refém de um regime corrupto completamente tresloucado. O que me perturba na Venezuela é olhar para o outro lado e verificar que a dita “solução do povo” é exactamente igual à que está no poder. A “oposição” a Maduro também se organiza e movimenta de forma violenta. Esta apela à violência nas ruas. Esta pactua com a violência. Ora perante tal cenário que futuro para a Venezuela? Provavelmente aquele que os interesses das grandes petrolíferas acharem melhor. Não se tenha a mais pequena dúvida de que a base de todo o problema venezuelano assenta na velha questão do ouro negro. E que faz a Comunidade Internacional? Faz de conta porque deve ser deveras divertido ver os venezuelanos a matarem-se uns aos outros em directo nos telejornais.

 

Falando sobre uma outra coisa muito séria é falar sobre o que se está a passar no Médio Oriente. Pode até parecer um paradoxo, mas hoje em dia olhamos para o Irão e dizermos, com profunda convicção, que este país é o único país moderado de uma região onde o conflito armado está prestes a “explodir”. E tudo por causa da política non sense da administração Trump. A recente venda de armamento norte-americano à Arábia Saudita veio desequilibrar os pratos da balança de uma região onde o equilíbrio de forças é muito ténue. Todos conhecemos a intensa rivalidade mortal entre iranianos e sauditas. Mas nada disto interessa a Trump e seus apoiantes pois a coisa como está é deveras “engraçada”. E é “engraçada” porque caso a tal base turca sediada no Quatar seja atacada pelos sauditas & amigos a NATO vai ter de entrar em cena para defender a Turquia, ou não fosse esta um estado membro da aliança onde vigora o princípio do ataque a um é um ataque a todos. Well done Donald!

 

 E já que falamos de coisa sérias, já todos repararam como o aumento da escalada de violência na península coreana aumentou desde que Donald Trump resolveu entrar numa guerra comercial com a China? E também todos repararam no vídeo que a Coreia do Sul colocou a circular? É um vídeo onde esta simula um bombardeamento da sua rival do norte. Mais uma vez well done Donald pois colocaste duas facções de doidos dispostos a matarem-se (outra vez) uns aos outros!

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (10/07/2017)

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publicado às 12:00


Donald “campônio” Trump

por Pedro Silva, em 05.06.17

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Pessoalmente queria abordar outra temática, mas as palermices insensatas de Donald Trump colocam o Mundo – ainda mais - entre a espada e a parede em como tal, é deveras impossível não se opinar sobre Donald Trump, o campônio.

 

Efectivamente Donald Trump é um campônio do século XIX. Trump é, sem sombra de qualquer dúvida, a encarnação em pleno século XXI do típico campónio norte-americano que iniciou e patrocinou a Guerra Civil norte-americana (Guerra da Secessão) que durou quatro longos e penosos anos. E tal como os campônios da altura, Donald Trump acha-se um ser absoluto que pode fazer o que quer porque simplesmente a sua verdade interessa e ponto final.

 

Donald Trump acha-se um negociador fora de série. Só desta forma se percebe os moldes da sua digressão pelo médio oriente, a forma arrogante como desafia a europa e o “rasgar” abrupto do Acordo de Paris por parte dos Estados Unidos da América.

                      

Obviamente que esta forma “bronca” de estar por parte do mais alto representante dos Estados Unidos vai ter repercussões negativas para os próprios “States” (e não só). Isto porque armar - ainda mais - a Arábia Saudita e fazer o impossível para provocar a Palestina não contribui, de forma alguma, para a pacificação de uma das zonas mais conflituosas do Mundo. O mesmo tipo de lógica se aplica, na perfeição, ao que se está a passar na península da Coreia e arredores.

 

Já quanto ao fazer do Acordo de Paris uma simples folha de papel que se rasga porque a América está primeiro é, basicamente, o mesmo que entregar a liderança mundial ao maior rival económico dos Estados Unidos. E já agora, pouca gente fala nisto mas a República Popular da China é “somente” a maior credora dos Estados Unidos da América. Mas tudo bem. A China pode “liderar” o Mundo à vontade pois o que interessa é “America first” e o resto é música!

 

Donald Trump como bom campônio que é procura demonstrar a tudo e todos que é o “dono disto tudo”. Para tal nada como vir para a europa exigir dos seus aliados o pagamento das dívidas relativas à NATO e, inclusive, maltratar tudo e todos só para poder ficar “bem na fotografia”.

 

Obviamente que Donald Trump tem de criticar abertamente e sem filtros a cidade de Londres por esta ser uma cidade multicultural, tolerante e aberta ao Mundo do qual faz parte. Os campônios norte-americanos do século XIX também achavam que todos os indivíduos de raça negra eram seres inferiores e foi por isto que tudo fizeram para mergulhar os “States” na sangrenta Guerra Civil de que já aqui falei.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (05/06/2017)

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publicado às 16:00


A tripla cartada de Trump

por Pedro Silva, em 22.05.17

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Pouco ou quase nada tem sido dito sobre Raqqa na Comunicação Social portuguesa. Não ficarei mesmo nada admirado se quem estiver a ler este texto se questione onde fica Raqqa e qual a razão que me leva a escrever sobre a mesma. Raqqa é a “chave” que poderá muito bem colocar um ponto final no conflito sírio e, quem sabe, no auto denominado Estado Islâmico. A razão pela qual quase ninguém fala nisto é muito simples: a habitual patetice Norte-americana.

 

É certo e sabido que somente em duas ocasiões os Estados Unidos da América tiveram intervenções positivas em conflitos que assolaram a Comunidade Internacional. Tirando as duas Grandes Guerras, rara foi a intervenção militar levada a cabo por Washington que não tivesse redundado num tremendo fracasso (Vietname) ou que tivesse criado um imbróglio medonho (Guerra das Coerias). A história bem que poderia ter ensinado alguma coisa aos belicistas Norte-americanos, mas infelizmente tal não sucedeu. E o que vamos vendo na recente escalada de pressão na península coreana é disto um bom exemplo.

 

Mas deixemos, por agora, a questão coreana de lado para nos concentrarmos na trapalhada que a Administração Obama criou em Raqqa. Uma trapalhada que a Administração Trump está a esforçar-se para que seja ainda maior.

 

Raqqa (ainda) é a capital administrativa da organização terrorista Estado Islâmico. A dita cidade situa-se na Síria, país que está neste momento mergulhado numa profunda guerra civil fruto das pressões externas levadas a cabo pelas potências vizinhas e potências ocidentais + Rússia.

 

Neste momento Raqqa está prestes a ser cercada por várias forças. Por um lado temos as tropas leais a Bashar al-Assad que são apoiadas pela Rússia, do outro temos as tropas do regime turco de Erdoğan dispostas a avançar sobre território sírio para tomarem de assalto Raqqa e, por ultimo, temos as tropas rebeldes/curdas apoiadas pelos Estados Unidos.

 

A juntar ao cenário descrito no parágrafo anterior há que juntar um importante facto;

 

Os Estados Unidos são um aliado natural da Turquia por causa da NATO.

 

E aqui temos um tremendo paradoxo dado que os Estados Unidos também apoiam - directa e indirectamente - os rebeldes e forças curdas da Síria. Forças curdas que têm sido o inimigo mortal do regime turco de Erdoğan nos últimos anos. Ora sendo os Estados Unidos um aliado natural da Turquia estes terão, forçosamente, de colaborar numa invasão unilateral por parte da Turquia caso Erdoğan decida avançar sobre Raqqa pois este não vê com muitos bons olhos uma provável vitória curda nesta importante zona da Síria. E caso tal suceda, como irão reagir os rebeldes/curdos dos quais os Estados Unidos têm sido aliados na guerra civil síria? Recordo que foi desta forma que “nasceu” Osama bin Laden e a famosa Al-Qaeda. E nem vale a pena chamar á colação os interesses russos que serão colocados em causa caso a Turquia decida invadir a Síria para tomar o controlo de Raqqa…

 

É neste cenário de tripla cartada que surge Donald Trump e a sua “maluqueira”.

 

Resta agora saber o que vai a Administração Trump fazer. Mas partindo do princípio de que os Estados Unidos não aprenderam nada com o passado, o mais provável é que a situação na Síria piore ainda mais com consequências nefastas para o resto do Mundo.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (22/05/2017)

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publicado às 16:00


Orgulhosamente ignorantes

por Pedro Silva, em 24.04.17

imagem crónica RS.jpg 

Pode custar a crer, mas em pleno Século XXI onde a informação está ao alcance de um pequeno “clic” há quem seja orgulhosamente ignorante. E a liderar este elitista e cada vez mais numeroso grupo estão os Estados Unidos da América cujo Presidente e respectiva equipa governamental são o expoente máximo do – lamentável - orgulho em de se ser ignorante.

 

Vir a público dizer que Adolf Hitler nunca gaseou o seu próprio Povo é um tremendo insulto à inteligência de cada um dado que o holocausto judeu também envolveu judeus de nacionalidade alemã. Pior do que dizer tamanha barbaridade em público é utilizar tal “argumento” para justificar um ataque unilateral à Síria por causa de uma barbárie cujo autor é ainda hoje completamente desconhecido. Mas o mais assustador é os Estados Unidos da América terem um Presidente ignorante e uma administração presidencial – também - ignorante que está nas mãos da famosa (e muito lucrativa) maquina de guerra norte americana.

 

O filme dos Simpsons que todos pudemos assistir no grande ecrã faz uma tremenda paródia em torno de um Presidente norte-americano que não sabe tomar decisões por si próprio. Alias, a dita personagem nem se preocupa com as consequências das decisões que não toma. Por mais incrível que pareça, Donald Trump é a encarnação – perigosa - da tal paródia. E afirmo tal porque não vejo outra razão para que Donald Trump e a sua ignorante administração tenham autorizado o lançamento da dita “mãe de todas as bombas”. Da mesma forma se pode entender e justificar o ataque cobarde ao território sírio e as ameaças à sempre perigosa Coreia do Norte.

 

Depois de no século passado se ter promovido o desarmamento gradual após a louca corrida ao armamento tendo por pano de fundo a Guerra Fria, eis que agora por causa da ignorância da Administração Trump vamos ter uma nova corrida ao armamento.

 

Não é com bombas e armadas poderosas que se resolverá a questão da Coreia. Se Donald Trump e a sua equipa não fossem orgulhosamente ignorantes e saberiam que as poderosas armadas e bombas dos Estados Unidos da América já sofreram uma tremenda derrota na península coreana. Fosse Trump e a sua equipa minimamente instruída e saberiam que naquela região do globo a inocência é coisa que não existe. Isto porque no século passado tanto sul coreanos como japoneses levaram a cabo autênticas barbáries contra chineses e norte coreanos.

 

Um pouco de história não fazia nada mal a Trump e - já agora – a muitos dos norte-americanos que o elegeram e que aplaudem de pé esta política tresloucada desta gente que agora gravita em torno da Casa Branca.

 

Artigo publicado no site Repórter Sombra (14/04/2017)

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publicado às 15:00


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