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Ainda a Europa dos nossos dias

por Pedro Silva, em 12.07.15

Temos Juncker, presidente da Comissão Europeia, que enquanto primeiro-ministro do Luxemburgo assinou acordos secretos de fuga fiscal com todas as multinacionais. Temos a senhora Lagarde, que em França perdoou as dívidas fiscais a Bernard Tapie, talvez o maior trânsfuga a norte dos Pirenéus. Temos o ministro Schäuble, cabecilha do mega-escândalo do financiamento ilegal da CDU alemã. Temos o espanhol Rajoy, que durante anos recebeu todos os meses milhares de euros numa caixa de sapatos. Temos o Coelho Imperfeito, em Portugal, que optava deliberadamente por não pagar a Segurança Social porque “não sabia”. E agora temos um Jeroen Dijsselbloem (em linguagem fonética, lê-se Jeroen Dijsselbloem...) que inventou um mestrado em Economia e Negócios na Universidade de Cork na Irlanda quando afinal só lá andou uns meses a estudar a Indústria dos Lacticínios e não terminou nada, nem sequer há mestrado sobre esse assunto, ai que o leite já se entornou.

 

Bem-vindo ao clube dos cumpridores das regras europeias, senhor Jeroen Dijsselbloem (lerJeroen Dijsselbloem)!

 

Uma das características mais notáveis do senhor é pertencer nominalmente ao grupo socialista europeu e, ao mesmo tempo, achar que os mercados e os governos não têm nada de ideológico quando optam pela destruição do Estado social, pelo esmagamento dos mais pobres e pela privatização total de sectores estratégicos. O sistema da União Europeia, no fundo, limita-se a admitir que nada pode mudar na economia e que os governos só têm de cumprir o que pedem os mercados. Nem que implique afundar povos na miséria e no desemprego para pagar dívidas impagáveis (mais tarde ou mais cedo se reconhecerá a verdade, mas o mais tarde possível, chiu até lá). Jurar que uma opção destas não é ideológica é revelar-se a si próprio um empedernido ideólogo.

 

Pergunta Varoufakis no seu livro: “Angela Merkel tem um botão vermelho e outro amarelo. Um termina a crise. Em qual dos dois carrega?” Responde Varoufakis: “Mesmo que a chanceler quisesse optar pelo botão vermelho, ficaria aterrorizada com a reacção do eleitorado alemão caso o fizesse.”

 

Excertos da Crónica de Rui Cardoso Martins publicada hoje no site do Jornal Público que ajuda a perceber o porquê de a nossa Europa estar no estado em que está.

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publicado às 21:04



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